Ricardo Pedroso: «Estou mais motivado ao iniciar bem a época»
O atleta algesino, grande supresa do Europeu de Piscina Curta, com dois recordes nacionais e a sua primeira final europeia, tem como grandes objectivos ”baixar o recorde nacional em piscina olímpica e ir ao Mundial do Japão”
Homenageado há dias, em Gondomar, Ricardo Pedroso, um dos “sete magníficos” de Sydney, concretizou, na Austrália, finalmente o sonho que lhe fugira em Atlanta’96.
A meio de Dezembro, em Valência, atingiu a primeira final num Europeu, e foi o único de 13 portugueses a estabelecer um recorde na competição, marca que o deverá colocar, temporariamente, entre os primeiros 20 nadadores do “ranking” mundial.
Quando, em Março, completar 24 anos, será um dos mais velhos nadadores lusos na alta competição. O que não parece ser problema, antes pelo contrário, pois os objectivos de um dos nossos mais afáveis nadadores não passam só pelo Mundial do Japão, em Julho, mas também por Atenas 2004...
– A Associação de Natação do Norte galardoou-o, em Gondomar. Qual o motivo e o que sentiu na ocasião?
– Senti-me muito satisfeito, pois fui homenageado, como referiram, por ser um exemplo de dedicação para os mais jovens, e por ter ido aos Jogos Olímpicos. Aliás, não fui o único: também lá estiveram o Mário Carvalho [FC Porto] e a Raquel Felgueiras [Sp. Braga].
– As épocas pós-Jogos começam, tradicionalmente, de forma modesta para os olímpicos, mas não parece ser o seu caso: primeiro os resultados no Europeu de piscina curta, depois a homenagem... [a 19 de Dezembro]
– De facto, não estava nada à espera de chegar à final dos 200 metros livres no Europeu, pois ainda tinha treinado pouco depois dos Jogos. Julgo que retirei proveitos da época passada, aquela onde treinei mais em toda a minha vida, para bater os dois recordes [eliminatórias e final, na qual foi sétimo, com 1.48,46]. Acredito que, se tivesse mais tempo de treino, poderia ter chegado ao 1.46 e muitos décimos, ou 1.47 e pouco...
Recorde e... Fukuoka
– Numa época que está a começar bem para si, quais são os seus principais objectivos: o Mundial de Fukuoka, por exemplo?
– Sim, passam por aí, mas o meu grande objectivo é bater o meu recorde nacional [em piscina olímpica, 1.52,15] e baixar pela primeira vez à “casa” do minuto e 51 segundos. Se lhe juntar o mínimo, tanto melhor. Aliás, devo dizer que o mínimo para o Mundial é exigente [1.51,23], mais ainda que o de Sydney [1.52,30]. Mas, de certo modo, já estou habituado, pois as provas de “crawl” são sempre muito disputadas, e temos de dar sempre o máximo. Por outro lado, este bom início de época motiva-me ainda mais.
"Quero ir a Atenas"
Ainda os fantásticos Jogos de Sydney estavam na retina, e já Ricardo Pedroso e companhia regressavam aos treinos, após uns dias de férias, pois o Nacional de piscina curta, em Novembro, a tal obrigava. Depois de um bom espólio colectivo recolhido na Guarda (três recordes nacionais em estafetas, mais dois individuais) evidenciou-se de novo em Valência.
Agora, o jovem-experiente nadador, iniciado aos cinco anos no Externato do Algés (que entretanto fechou...), já pensa em... Atenas 2004: “Sinto que ainda posso dar muito à natação. Temos ainda cá a mentalidade de que, aos 24 anos, um nadador já está acabado, mas vimos bem nos Jogos que não é assim. Eu quero ir a Atenas 2004!”, afirma.
O atleta avança: ”Não me ’sinto’ com 23 anos, o que é bom. Ainda tenho força para dar mais à natação, para treinar e incentivar mais jovens do clube a serem tão bons ou melhores que eu. Quando deixarei de nadar? Não sei como será o dia de amanhã...”
Esta forma tranquila, e simultaneamente segura, de encarar a vida foi, por certo, útil ao estudante do 2º ano da Faculdade de Motricidade Humana. É que, dias antes do Europeu, um médico dissera-lhe que tinha de abandonar a natação, devido a um problema na vista. “Felizmente pedi outras opiniões, e um dos melhores médicos portugueses disse-me que podia continuar. Mas estive em dúvida para Valência e julgo que foi por isso que fiz o que fiz, pois nadei ainda com mais força e determinação”, conclui.
A homenagem foi mesmo merecida. Ricardo Pedroso é um exemplo para os mais jovens.