Tamila Holub quer ser a primeira portuguesa a participar nos Jogos Olímpicos de verão e inverno
Ex-nadadora de 26 anos trocou natação por esqui de fundo
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Tamila Holub ganhou tempo quando abandonou a natação, ocupando-o agora com os treinos para estar nos Jogos Olímpicos de Inverno2030, um desafio bem recebido pelo Comité Olímpico de Portugal e para o qual ainda procura apoios.
Foi a 30 de outubro de 2025, com apenas 26 anos, que anunciou o final da carreira, evocando a "relação" complicada com a natação desde Tóquio2020, uns Jogos para os quais deu demasiado de si e recebeu pouco "em troca".
Mais de um ano depois de anunciar uma pausa, a especialista em distâncias longas decidiu retirar-se, uma opção que ganhou 'forma' desde Tóquio2020, onde foi 22.ª nos 1.500 livres e 25.ª nos 800 livres.
"Um dos motivos até, se calhar, para ter parado a natação foi ver tanta coisa interessante à minha volta, à qual eu queria finalmente dedicar mais tempo. E a natação já não me motivava, já não me entusiasmava, e roubava-me muito tempo. Já não me fazia arder", explicou à Lusa.
A natação já não me motivava, nem entusiasmava, e roubava-me muito tempo. Já não me fazia arder
Tamila Holub
Ex-nadadora portuguesa
O final da carreira não deixou um vazio na vida da nadadora nascida na Ucrânia e que tinha feito a sua estreia olímpica no Rio2016.
"Quem me conhece de uma forma mais próxima sabe que eu sempre me interessei por muita coisa. A natação claro que ocupava sempre a maior parte do meu tempo e a maior parte da minha vida. No entanto, para além da natação, ocupava o meu tempo com desenho pintura, arte, história", enumerou.
Quando colocou um ponto final na carreira, sentiu alegria, com o seu dia a ganhar horas, para experimentar "coisas novas e incríveis", como o esqui de fundo, modalidade em que espera representar Portugal nos Jogos Olímpicos de Inverno Alpes2030.
"É claro que é o desporto e faz sentido, mas, da mesma forma como foi isto, podia ter sido, não sei, olaria ou dança ou pilates. Não precisava de ter sido isto, mas calhou bem. Tive Milão-Cortina que me motivou e me arrastou para estes lados", pontuou.
Antes de "anunciar oficialmente" a sua pretensão de tornar-se na primeira portuguesa a participar nos Jogos Olímpicos de Verão e nos de Inverno, Holub queria ter a certeza de que conseguia, porque é um compromisso que assume consigo, com a Federação de Desportos de Inverno e com o Comité Olímpico de Portugal, cujos responsáveis, depois de ficarem "um bocadinho surpreendidos, foram "muito recetivos" à ideia.
"A Federação de Desportos de Inverno, que foram os primeiros que eu contactei, é claro que dentro do possível deu-me apoios, eles foram incríveis. Deram-me logo os roller skis, deram-me os bastões. Eu tive o material de base, até para experimentar", detalhou, agradecendo a oportunidade de poder testar as suas aptidões "antes de adquirir equipamento mais caro".
A Federação de Desportos de Inverno, foram os primeiros que contactei e foram incríveis. Deram me todo o material base.
Tamila Holub
Ex-nadadora portuguesa
Há cerca de "dois, três meses" que a antiga nadadora anda a treinar, de um modo "mais leve", mas também ao nível da estabilidade, controlo, e de "voltar de novo à forma".
"Nesta fase, eu descobri que existe roller ski [...]. É quase patins em linha, só tem uma rodinha a frente e uma rodinha atrás, ou seja, em termos de estabilidade é um bocadinho mais complexo. Tem aqueles bastões... eu tenho tanto trabalho de pernas como trabalho de braços. Muito trabalho de 'core', tronco, estabilidade e equilíbrio, e, depois, é quilómetros e quilómetros e quilómetros", relata.
Ao contrário da neve, onde as quedas são mais suaves, Holub enfrenta mais agruras no alcatrão, já que basta "um ramo, um galho" ou qualquer desnível para arrastar-se pelo chão.
A ideia da antiga nadadora é "em dezembro, janeiro, começar a competir de forma a, aos pouquinhos, começar a mostrar resultados".
"O meu plano, neste momento, é em novembro passar uma semana na Noruega. Dezembro passar para duas, já com uma prova. E, ali a partir de janeiro, já ficar lá para um período mais prolongado, até porque é quando tenho a certeza que haverá neve. Também neste momento, como ainda sou novata nesta modalidade, não estou a conseguir fazer grande aposta, principalmente porque ainda dependo muito de patrocínios", alertou.
Recentemente eleita para a Comissão de Atletas do Comité Internacional dos Jogos do Mediterrâneo (CIJM), para o mandato 2026-2030, Holub conta à Lusa que ainda está a trabalhar para angariar "mais dois, três patrocínios de forma a poder também ter mais viagens e os estágios terem mais duração".