Vítor Lopes conquistou o seu primeiro título do PT Tour dos últimos três anos, pois não ganhava desde os dois sucessos seguidos no primeiro trimestre de 2020, no Morgado Golf Resort, antes de tudo parar devido à pandemia da Covid 19.
O português de 26 anos arrasou completamente a concorrência no Palmares Classic, o torneio internacional, de 10 mil euros em prémios monetários, que decorreu nos dois últimos dias em Lagos, entre 74 competidores.
Ontem efetuou a sua melhor volta de sempre em competições oficiais, de 61 pancadas (-11), na qual igualou o recorde mundial de eagles em 18 buracos (4). Hoje confirmou essa exibição com uma segunda ronda de 65 (-7), para um total de 126 pancadas, 18 abaixo do Par dos percursos Lagos e Praia, no Palmares Ocean Living & Golf Resort. Ganhou um prémio de dois mil euros.
Trata-se de um resultado alucinante. É difícil confirmar, mas terá sido, provavelmente, um recorde pessoal em 36 buracos. Este ano, no PT Tour, em nove torneios disputados, foi o segundo melhor resultado de sempre, depois das 19 abaixo do Par de Tomás Bessa no 2.º Palmares Open, ainda em novembro. Mas, atenção, esse foi um resultado para três dias de prova e não dois. "Tenho bom golfe dentro de mim e hoje demonstrei mais uma vez isso. A vitória foi merecida e uma vitória é sempre uma vitória", disse o algarvio em declarações a Berto Granja, do departamento de comunicação do PT Tour, depois de ter deixado o 2.º classificado, Ricardo Santos, um dos melhores golfistas portugueses de sempre, a claras 6 pancadas de distância.
Santos obteve um resultado de 132 (69+63), -12, que noutras circunstâncias ter-lhe-ia valido a vitória. Assim, contentou-se com o prémio de 1.300 euros de vice-campeão, pelo segundo torneio seguido, dado que, na semana passada, já fora 2.º, derrotado num ‘play-off’ por Tomás Melo Gouveia, no 2.º Dom Pedro Pinhal Open. Houve ainda mais dois portugueses com direito a prémio monetário. O bicampeão nacional absoluto, Pedro Lencart, alcançou a sua melhor classificação neste início de época, com um 10.º lugar (-5), enquanto Tomás Melo Gouveia foi 13.º (-4). João Pinto Basto, em 19.º (-1) e Tomás Bessa, em 24.º (+1) foram outros portugueses.
Os profissionais lusos têm-se cotado como uma força dominante no PT Tour. Nesta época de 2022/2023 Tomás Bessa leva dois triunfos, Tomás Melo Gouveia e Vítor Lopes também elevaram troféus. Nos outros cinco torneios realizados, há três sucessos de ingleses, um da Eslovénia e outro dos Países Baixos.
Em declarações a Record, Vítor Lopes tinha admitido ontem que "esta volta excecional era desejada há muito tempo", referindo-se ao facto de este ano só ter conseguido um top-10 em provas do PT Tour: Fora 30.º (+5) classificado no 1.º Dom Pedro Pinhal Open, 20.º (+2) no 3.º Palmares Open, 20.º (+2) no 4.º Palmares Open e 10.º (Par) no 2.º Dom Pedro Pinhal Open. Tudo agora mudou com este sucesso. "Desde que voltei de férias, em meados de janeiro, tenho treinado bastante com a minha equipa técnica, muitas horas, e sabia que iria acabar por chegar uma boa volta", acrescentara então o profissional da Bertim.
Hoje, o seu agente, Pedro Lima Pinto, da Greatgolf, elucidou-nos um pouco mais sobre esta subida de forma do seu jogador: "Este resultado não caiu do céu. Todos, na equipa do Vítor, sabemos que os resultados da última época ficaram aquém do que esperávamos. Por isso, decidimos que este ano iríamos elevar a fasquia. Aumentámos significativamente a exigência, a organização e as cargas de treino. O Vítor tem respondido bem às exigentes sessões de treino, com a ajuda do António Rosado e do Joaquim Sequeira. Este resultado é motivador, sabemos que estamos a caminhar na direção certa, mas ainda temos muito caminho pela frente. Temos objetivos muito ambiciosos para esta época e queremos concretizá-los todos".
É importante salvaguardar que, a nível nacional, Vítor Lopes foi dos melhores jogadores portugueses em 2022. Afinal, conquistou os Torneios do Circuito FPG disputados no Boavista (Lagos) e na Quinta do Peru, e ainda no 1.º Amarante Golf Open. Em competições do que poderemos chamar de um circuito profissional português, só Pedro Lencart conseguiu triunfar também em três provas em 2022.
No entanto, a nível internacional, é verdade que Vítor Lopes surge esta semana como o sétimo melhor português no ranking mundial de golfe porque a sua prestação no Alps Tour (terceira divisão europeia) e no Challenge Tour (segunda divisão europeia) de 2022 não atingiu os objetivos delineados, tendo sido, respetivamente, o 46.º e o 115.º nos respetivos rankings na época transata.
Verdade se diga que em 2002 Vítor Lopes apostou numa primeira metade do ano num circuito e a segunda metade noutro. Este ano parece que o foco estará mais centrado no Challenge Tour, embora, para tal, necessite de vários convites que lhe sejam angariados quer pela Greatgolf, quer, sobretudo, pela Federação Portuguesa de Golfe. Nesta altura do ano, com os torneios do Challenge Tour a serem sancionados pelo Sunshine Tour (África do Sul), as vagas para jogadores europeus são menores. Será preciso esperar pelos eventos na Índia, em março, para ver se, eventualmente, será possível conseguir convites. Mas o mais provável é que só o vejamos no Challenge Tour a partir de maio, na Europa.
Até lá, o PT Tour é a melhor solução para ir rodando competitivamente. "Tenho de decidir com a minha equipa – disse a Berto Granja –, mas se tiver um convite do Challenge Tour, certamente irei jogar os torneios da Índia. Senão, vou manter-me neste circuito e preparar-me para o Challenge Tour. O mais provável é que vá jogar o torneio no Bom Sucesso e depois no Optilink Tour Championship".
As classificações e os resultados dos jogadores portugueses no Palmares Classic foram os seguintes:
1.º Vítor Lopes, 126 (61+65), -18, €2.000.
2.º Ricardo Santos, 132 (69+63), -12, €1.300.
10.º (empatado) Pedro Lencart, 139 (70+69), -5, €400.
13.º (empatado) Tomás Melo Gouveia, 140 (72+68), -4, €337,5.
19.º (empatado) João Pinto Basto, 143 (75+68), -1.
24.º Tomás Bessa, 145 (72+73), +1.
Com o Palmares Classic, encerrou-se o 4.º Swing do PT Tour. O 5.º e último Swing desta temporada arranca com o Bom Sucesso Classic, também de apenas dois dias, mas mantendo os 10 mil euros em prémios monetários, a 2 e 3 de março, naquele campo de Óbidos.
Por Hugo Ribeiro