Vítor Lopes soma 3.º título do ano na Quinta do Peru

• Foto: Filipe Guerra/FPG

A rivalidade dos tempos amadores entre Vítor Lopes e Pedro Lencart transferiu-se para o circuito profissional português e é interessante verificar que, uma vez concluído o último torneio do Circuito da Federação Portuguesa de Golfe (FPG), ambos os jogadores apresentam três títulos conquistados em 2023.

Há ainda um torneio por disputar, a 3.ª edição do Players Championship da PGA de Portugal, de 1 a 3 de dezembro, no Aroeira Challenge, em Almada, mas é provável que Vítor Lopes e Pedro Lencart não estejam presentes, pois estão ambos inscritos, na mesma data, no Amarante Internacional Pro-Am. Se essa realidade vier a confirmar-se, terão dividido entre si o poder no circuito profissional português de 2022.

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Pedro Lencart triunfou no 89.º Campeonato Nacional Absoluto Hyundai (do qual o rival esteve ausente), de 20 mil euros em prémios; no 2.º Open Xiragolfe (onde Lopes não jogou), de 20 mil euros em prémios; e no 2.º Torneio do Circuito FPG, no Oporto Golf Club (onde Lopes foi 14.º com 10 acima do Par, ou 8.º se contarmos apenas os jogadores profissionais), de 7.500 euros em prémios.

Vítor Lopes, por seu lado, foi o melhor no 1.º Amarante Golf Open (onde o rival não jogou), de 20 mil euros em prémios; no 3.º Torneio do Circuito FPG, no Boavista Golf & Spa (sem Lencart na lista de inscritos), de 7.500 euros em prémios; e agora conquistou o seu terceiro título do ano no 5.º Torneio do Circuito FPG, no Quinta do Peru Golf & Country Club, em Sesimbra (onde Lencart chegou a liderar mas terminou em 4.º, com 3 abaixo do Par, ou em 3.º se contarmos apenas os jogadores profissionais), com um ‘prize-money’ de 7.500 euros.

Isto significa que quer um, quer outro, estiveram quase invencíveis no circuito profissional português. Qualquer um ganhou três dos quatro torneios em que participou, uma taxa de sucesso que não se verificava desde que António Sobrinho venceu oito de nove torneios do então Organize Tour da PGA de Portugal em 2002… há exatamente vinte anos!

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"É sempre positivo ter vitórias e sabe bem terminar a época e acabar o circuito da FPG com uma vitória. Em quatro torneios que participei em Portugal foi a terceira vitória, acabei o ano no 3.º lugar no ranking de profissionais deste circuito e não há dúvida de que, a nível foi nacional, foi um ano muito bom. Três vitórias são sempre um dado positivo, principalmente num Major que foi o de Amarante, por ter o maior prémio monetário. Para o ano tenho de trabalhar ainda mais para manter esta forma e estes recordes", disse Vítor Lopes a Record.

O algarvio de 26 anos deu bem a volta por cima a um dos seus piores momentos do ano para vencer na Quinta do Peru com um bom resultado de 137 pancadas, 7 abaixo do Par, após voltas de 71 e 66, sendo este 66 (-6) a melhor volta de todos os 83 participantes.

Vítor Lopes tinha competido pela última vez no Portugal Masters, do DP World Tour, e vivera um autêntico pesadelo, terminando em 113.º, com 5 acima do Par, pelo que, foi uma pequena surpresa vê-lo jogar tão bem, com duas voltas seguidas abaixo do Par. Mentalmente, superou bem a desilusão do Portugal Masters.

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"Honestamente, o meu foco esteve em acertar na bola, a pensar nos fundamentos do meu swing, porque raramente treinei desde o Portugal Masters. Decidi focar-me nas questões físicas, em recompor o meu peso, em fortalecer-me para a próxima época e já comecei a preparação para a próxima época. O meu foco não estava a cem por cento no resultado, mas antes em bons swings. Mesmo sabendo que poderia ganhar, não me foquei no resultado final, não em ganhar o torneio, mas sim em acertar na bola, para metê-la onde queria no fairway e no green. Felizmente saí vitorioso", admitiu, depois de receber um prémio de 1.700 euros.

Na classificação de profissionais, foi um êxito claro de 4 pancadas sobre Pedro Almeida (72+69) e Pedro Lencart (67+74), jogadores que na tabela geral empataram no 4.º lugar com os amadores João Miguel Pereira (73+67) e Miguel Cardoso (67+74).

Um triunfo por 4 pancadas é inequívoco, mas foi ainda mais saboroso por a concorrência ter sido dura, com destaque para o jogador da casa, Pedro Figueiredo (7.º com -2), acabadinho de chegar de Espanha, onde cometera a enorme proeza de tornar-se no primeiro português a passar por duas vezes a Final da Escola de Qualificação do DP World Tour.

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Para além de ‘Figgy’, entre 18 profissionais, estiveram também jogadores do Challenge Tour como Tomás Melo Gouveia (10.º com +1), do Alps Tour como Pedro Lencart (4.º com -3) e do Pro Golf Tour como João Pinto Basto (14.º com +4) e João Girão (38.º com +14) entre outros.

"Sem dúvida que dá um gozo maior ganhar quando temos jogadores do DP World Tour. Tivemos umas picardias entre nós, socialmente (com bom ambiente), e desta vez levei eu a melhor", sublinhou o profissional do Clube de Golfe de Vilamoura.

Curiosamente, o maior rival de Vítor Lopes acabou por ser um amador, Hugo Camelo, que terminou a prova exatamente com o mesmo resultado de 7 pancadas abaixo do Par, após voltas de 68 e 69.

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Num torneio normal, teria havido um ‘play-off’ para apurar o vencedor absoluto, mas o Circuito FPG rejeita essa possibilidade e fecha-se num regulamento que defende uma única competição dividida em três torneios independentes: profissionais de ambos os géneros, amador feminino e amador masculino. São, por isso, coroados três campeões e o regulamento recusa a figura do grande vencedor.

Interpelado por Record, Vítor Lopes apoia essa decisão federativa, mesmo que seja capaz de ver vantagens e desvantagens: "Não pensei bem nessa questão. Como me disseram que não era necessário um play-off, significou que pude ir almoçar mais à vontade… se bem que, é sempre bom ser o melhor e desta vez houve dois vitoriosos com o mesmo resultado, um amador e outro profissional. Mas isso é giro, acho que motiva o amador que empatou com o profissional. Poderia ter sido muito giro, fazer um play-off, só pela beleza do desporto, se bem que, acho mais interessante isso acontecer no Campeonato Nacional Absoluto Hyundai. É aí que quer saber-se quem é o melhor português, seja amador ou profissional. No Circuito FPG, são cinco torneios por ano, penso que está bem não haver play-off".

O 5.º Torneio do Circuito FPG foi o último torneio do ano para Vítor Lopes, daqueles que contam para o ranking de profissionais da FPG, onde deverá concluir 2022 no 5.º lugar, atrás de Ricardo Melo Gouveia, Ricardo Santos, Tomás Bessa e Pedro Figueiredo. Será preciso esperarmos pelo final do ano para saber-se a classificação definitiva, pois, para além do 3.º Players Championship da PGA de Portugal, há ainda que contar com a hipótese de haver portugueses a jogarem no DP World Tour até ao final de 2022, e essas provas contam para este ranking federativo.

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Em contrapartida, foram já atribuídos os prémios do ranking específico do Circuito FPG, contando apenas os pontos angariados nestes cinco torneios. Embora seja uma hierarquia pouco relevante do ponto de vista desportivo, vale a pena informar que o n.º1 foi Pedro Almeida com 1.305 pontos, seguido de Hugo Santos com 1.235 e Vítor Lopes com 1.110.

Os outros jogadores, para além de Vítor Lopes e Pedro Lencart, que venceram torneios do circuito profissional português (todas as provas compreendidas e não apenas as do Circuito FPG) foram: Tomás Melo Gouveia no 1.º Circuito FPG, no Montado Hotel & Golf Resort (embora, na realidade, Sofia Barroso tenha efetuado o melhor resultado do torneio); George Ounstead no 4.º torneio do Circuito FPG, no Riabagolfe Oaks (apesar do melhor resultado ter sido do amador Miguel Silveira); e Hugo Santos no 40.º Open Pro-Am do Clube de Golfe da Ilha Terceira.

"Este foi o meu último torneio do ano, a não ser o Pro-Am (em Amarante, em dezembro). Fechar com uma vitória é ótimo. Agora vou sentar-me à mesa com a minha equipa. Vamos refletir sobre o que correu bem, o que correu mal e vamos com tudo afinado para o Challenge Tour do próximo ano", disse Vítor Lopes.

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Em 2022, foi 46.º classificado na Ordem de Mérito do Alps Tour (uma das terceiras divisões europeias), onde jogou 11 torneios, e 115.º na Corrida para Maiorca, com 13 competições disputadas no Challenge Tour (a segunda divisão europeia). Jogou ambos os circuitos em regime parcial. No ranking mundial é o 7.º melhor português.

Para a próxima temporada já tem algumas certezas: "Ainda não defini com a minha equipa quais são os objetivos para 2023. O grande foco estará sem dúvida no Challenge Tour. Para isso, será importante saber em que torneios eu poderei entrar, para poder fazer uma boa preparação. Em janeiro irei retomar a cem por cento os treinos, porque espero estar já no ponto a nível físico. Talvez jogue o Alps Tour no Egito (em fevereiro) se não entrar nos torneios do Challenge Tour na África do Sul. Irei seguramente jogar alguns torneios do PT Tour (de janeiro a março) porque têm bom nível, há jogadores do DP World Tour e do Challenge Tour e isso dá-nos espírito competitivo".

Por Hugo Ribeiro
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