3.º Lugar em França abre portas do Rolex Trophy a Ricardo Santos

Boa prestação no Hauts-de-France Golf Open

• Foto: Álvaro Marreco

Ricardo Santos deu esta segunda-feira um salto de 215 lugares no ranking mundial, para o 680.º posto, depois da boa 3.º posição que alcançou no Domingo, no Hauts-de-France Golf Open, um torneio do Challenge Tour, de 180 mil euros em prémios monetários, bastante conhecido em Portugal por Filipe Lima tê-lo conquistado por duas vezes, em 2004 e em 2016.

Lima é um autêntico herói local, conhece muitos dos sócios do Aa Saint-Omer Golf Club e não admira que tenha sido convidado este ano pelo Challenge Tour para ser o protagonista de um vídeo de apresentação do campo (Par-71) ao público.

Esse conhecimento do sinuoso traçado de Lumbres não ajudou desta feita o campeão nacional, que foi eliminado aos 36 buracos, com 5 pancadas acima do Par, após voltas de 73 e 74, terminando em 75.º, entre 157 participantes.

Filipe Lima até vinha de bons resultados no Challenge Tour, pelo que foi uma surpresa vê-lo despedir-se mais cedo de um dos seus torneios "fétiche", tal como Pedro Figueiredo, que alcançara a maior vitória da sua carreira na semana anterior, na Bélgica. Mas com 2 bogeys nos últimos dois buracos da segunda volta, "Figgy" falhou o cut por 1 escassa pancada, com 4 acima do Par, no 64.º posto, após voltas de 76 e 70.

Se dois portugueses foram eliminados, outros dois seguiram em frente, apesar da chuva e do vento que afetaram a prova ao longo dos quatro dias.

Tiago Cruz passou o seu terceiro cut em quatro torneios disputados este ano no Challenge Tour, mas teve uma presença discreta, fechando em 51.º (empatado), com 292 (74+70+73+75), +8, e um prémio de 711 euros, que o colocou no 76.º lugar da Corrida para Ras Al Khaimah.

«Frustrante e mentalmente desgastante», escreveu na sua conta profissional de Facebook Tiago Cruz, que em quatro torneios este ano já conseguiu quatro voltas de 70 ou menos pancadas, mas que ainda não logrou uma boa série de quatro rondas seguidas.

Esse era também o problema que andava a enfrentar Ricardo Santos. Não dependendo de convites – como Cruz – por ser um membro do Challenge Tour, este foi já o seu oitavo torneio da temporada e o algarvio tinha mostrado anteriormente muito bom golfe: voltas de 67, 70 e 70 na Turquia, onde depois finalizou com uma de 75; duas voltas de 71 em Espanha, mas também uma de 73; o bom cartão de 69 com que terminou o Open de Portugal, mas com um 77 no dia anterior; as promissoras voltas de 67 e 66 com que iniciou e terminou na República Checa mas com 73 e 75 pelo meio; o 67 que não foi suficiente para passar o cut na Bélgica porque começara a prova com um ‘score’ de 74… enfim, uma montanha russa de resultados.

«É verdade. Há já alguns torneios que sentia-me a jogar bem, mas não conseguia juntar quatro voltas positivas. Havia sempre uma ou duas voltas menos boas que impediam-me de ficar melhor classificado», reconheceu Ricardo Santos, em conversa com a Tee Times Golf para Record.

O campeão nacional de 2011 e 2016 foi 3.º classificado em França com 279 pancadas 5 abaixo do Par, empatado com o francês Mathieu Finasse. As suas voltas foram de 72, 68, 74 e 65, e se à primeira vista parece que houve um percalço no terceiro dia, a verdade é que só 15 jogadores bateram o Par do campo nessa jornada. E o cartão de 65 (-6) do último dia é o seu melhor resultado da época e igualou a melhor marca de todo o torneio.

«No geral foi muito bom. As condições meteorológicas estiveram bastante difíceis e o campo é complicado», acrescentou o algarvio ao Gabinete de Imprensa da Federação Portuguesa de Golfe.

A que se deveu esta melhoria de rendimento de Ricardo Santos, de alinhar finalmente quatro voltas positivas? Dois fatores foram importantes.

«Basicamente foi nos greens. Foi a maior diferença para os outros torneios, mas o drive também esteve muito bem esta semana», disse de novo à Tee Times Golf.

A classificação até poderia ter sido melhor e a verdade é que ficou a apenas 1 pancada do play-off em que o galês Stuart Manley derrotou o escocês Grant Forrest: «A diferença entre os resultados das voltas que fiz foram alguns putts que não meti no primeiro dia e no terceiro».

O outro fator, para além do putting, foi o seu bom conhecimento do campo e a confiança de que poderia jogar bem nele.

«Já o conhecia. É um campo curto mas muito complicado, com greens muito difíceis, pequenos e bastante ondulados. Esta semana apresentaram-se-nos condições muito complicadas, devido ao vento forte, especialmente no fim de semana, e ainda alguma chuva no primeiro dia. No ano passado acabei o torneio no 2.º lugar e também na altura fiquei a 1 pancada do vencedor», recordou.

É verdade, fala-se naturalmente muito mais dos dois títulos de Filipe Lima em Saint-Omer, mas Ricardo Santos tem andado a "cheirar" o globo de cristal há algum tempo.

No ano passado sagrou-se vice-campeão, empatado em 2.º com o escocês Jack Doherty e o italiano Lorenzo Gagli, com 6 abaixo do Par, após voltas de 71, 68, 69 e 70, que lhe renderam um prémio de 16 mil euros. Este ano o 3.º lugar valeu-lhe um pouco menos, 11.700 euros.

Mesmo assim, o suficiente para dar um salto acentuado na Corrida para Ras Al Khaimah, pois era o 119.º classificado antes do torneio e agora surge no 41.º lugar.

Esta subida é importantíssima porque só o top-45 no final do ano irá jogar a Grande Final do Challenge Tour em Ras Al Khaimah e, tradicionalmente, qualquer um desses 45 jogadores tem hipóteses matemáticas de fechar o ano no top-15 e ascender ao European Tour (a primeira divisão europeia) em 2019.

Mas para Ricardo Santos, esta subida ao 41.º lugar de um ranking em que Pedro Figueiredo é o 13.º, tem ainda outro significado igualmente relevante: «É bom subir no ranking e o meu primeiro objetivo é estar presente no Rolex Trophy, para depois atingir o objetivo principal que consiste em terminar a época no top-10 do ranking».

Na semana passada, depois de ganhar o KPMG Trophy na Bélgica, Pedro Figueiredo também tinha dito à Tee Times Golf que a grande mudança que aquela vitória lhe dava era «a certeza de ir participar em todos os torneios até ao final do ano, incluindo o Rolex Trophy».

Esse torneio suíço disputa-se de 22 a 25 de agosto, no Golf Club de Geneve, com 250 mil euros em prémios, havendo a particularidade de só os 42 primeiros do ranking do Challenge Tour terem entrada direta.

E a história dita que desde 1995, quase todos os campões (só há duas exceções) do Rolex Trophy sobem no final da temporada ao European Tour!

Portugal está, sem dúvida, numa boa fase em circuitos internacionais de golfe. Nos últimos tempos, Pedro Figueiredo ganhou na Bélgica, Filipe Lima foi vice-campeão do Open de Portugal, Miguel Gaspar foi 2.º num evento do Alps Tour em Huelva, João Carlota foi 3.º num torneio do Alps Tour em Óbidos, Stephen Ferreira garantiu um 7.º posto no Sun City Challenge do Sunshine Tour e agora Ricardo Santos foi 3.º em França.

«É verdade, nestas últimas semanas houve muito bons resultados para o golfe nacional. A vitória do Pedro na semana passada deu-me ainda mais vontade de ganhar novamente. Já ganhei antes e quero voltar a ganhar», concluiu o profissional do Guardian Bom Sucesso Golf, um dos três únicos portugueses a ter no seu palmarés um título do European Tour.

Aos 35 anos está longe de velho para o golfe e o melhor exemplo de perseverança em que Ricardo Santos poderá inspirar-se é exatamente o campeão deste Hauts-de-France Golf Open.

O galês Stuart Manley, de 39 anos, tem andado há muito a bater à porta de um segundo título do Challenge Tour, depois do Open nacional da Finlândia em 2013.

Este ano esteve bem metido na luta pelo título na Turquia, na Andaluzia (meias-finais), em Portugal (partiu no último grupo no último dia), na Bélgica (derrotado por Pedro Figueiredo no play-off), e deve ter pensado que o azar iria de novo enfrentá-lo quando empatou com Grant Forrest nos dois primeiros buracos de play-off. Mas nunca esmoreceu e no terceiro buraco foi o seu adversário escocês a ceder com 1 bogey no 18, bastando ao galês Manley fazer o Par para finalmente elevar de novo um troféu, embolsar 28.800 euros e subir ao 3.º lugar da Corrida para Ras Al Khaimah.

O próximo torneio do Challenge Tour é o SSE Scottish Hydro Challenge hosted by Macdonald Hotels & Resorts, de 250 mil euros em prémios, que começa já na quinta-feira em Aviemore, na Escócia.

Pedro Figueiredo e Ricardo Santos entraram diretamente, enquanto João Carlota e Tomás Silva beneficiaram de convites da PGA de Portugal.

Filipe Lima não estará desta vez presente porque conseguiu entrada direta no torneio do European Tour que também arranca na quinta-feira, o BMW International Open de 2 milhões de euros em prémios, em Pulheim, na Alemanha. Ricardo Melo Gouveia fará a sua reentrada na primeira divisão europeia depois de uma paragem de três semanas.

Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Golfe

Notícias

Notícias Mais Vistas

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.

0