Areia de Maiorca enterra portugueses

Santos é 37.º e Lima 41.º quando chegamos a meio da prova

Que se saiba, nem Ricardo Santos nem Filipe Lima seguiram as lendárias pisadas de Seve Ballesteros que treinava menino na praia, sonhando jogar no campo de golfe que lhe era vedado.
 
Mas embora seja quase um sacrilégio comparar o incomparável jogo na areia do saudoso Ballesteros, nem por isso os dois portugueses são desprovidos de talento quando se veem nessa situação sempre delicada.
 
Bem pelo contrário, tradicionalmente, Lima, Santos e Pedro Figueiredo são os portugueses que denotam "mãozinhas" de sobra em "sand saves".
 
Contudo, nesta sexta-feira, foram os "bunkers" a enterrarem as esperanças dos dois ex-campeões nacionais na 25.ª edição da Grande Final do Challenge Tour, o torneio de 420 mil euros em prémios monetários que encerra, no domingo, a época da segunda divisão europeia.
 
Quando a prova chega a meio, Lima vê-se no 41.º lugar (empatado) com 8 pancadas acima do Par, após duas voltas de 75, enquanto Santos é 37.º (empatado) com +8, somando rondas de 75 e 73.
 
Ricardo Santos e Filipe Lima partiram hoje para a segunda volta numa situação difícil, depois de na primeira volta terem feito 75 pancadas, 4 acima do Par do Club de Golf Alcanada, em Maiorca, resultado que deixara-os num modesto 33.º lugar, entre 45 concorrentes.
 
Era fundamental reagir e, tal como Ricardo Santos dissera ontem, apesar de não ser um bom resultado, +4 não era um desastre, pois estavam apenas a 7 pancadas da liderança.
 
A melhor prova da sensatez das palavras do algarvio de 37 anos foi a exibição de hoje do inglês Ross McGowan, que estava empatado com os portugueses no 33.º lugar e saltou num ápice para a 6.ª posição, graças a um excelente cartão de 66 pancadas, 5 abaixo do Par, para um total de -1.
 
O campo desenhado por Robert Trent Jones Jnr. continua a ser um quebra-cabeças para os 45 melhores jogadores do Challenge Tour e chegamos a metade da prova só com seis jogadores abaixo do Par.
 
É neste cenário que deveremos analisar a segunda volta dos dois portugueses, que jogaram juntos pela segunda vez este ano, depois de terem também emparelhado no Challenger da Finlândia, conquistado por Lima.
 
Num segundo dia mais ventoso – com o vento irregular, ora a soprar forte em todas as direções, ora parando quase completamente –, com os greens propositadamente mais lentos para agarrarem melhor a bola no "shot ao green", e ainda com algumas bandeiras mais difíceis, sabia-se que iria ser outra jornada de luta.
 
Daí que, apesar dos altos e baixos, as voltas dos dois internacionais lusos da Taça do Mundo não pudessem ser consideradas negativas.
 
Ricardo Santos chegou ao buraco 13 a Par do campo na segunda volta, com birdies nos buracos 1, 10 e 12, e bogeys no 2, 3 e 4, uma série negra. Diga-se que teve putts para birdie bem aceitáveis no 5, 6 e 7.
 
Filipe Lima também entrou para o buraco 14 a Par do campo, com birdies no 6 e 11, e bogeys no 2 e 5.
 
«Vinha a par do campo, que era um bom resultado. Hoje, acabar a Par ou com 1 abaixo seria muito bom e a volta fugiu-me ali», lamentou-se Filipe Lima à Tee Times Golf (teetimes.pt), referindo-se ao erro no buraco 14 (Par-3) que custou-lhe 1 duplo-bogey e estragou-lhe a volta.
 
Depois disso, o português de 37 anos, quase, 38, não foi mais o mesmo, sofrendo mais bogeys nos buracos 16 e 17!
 
E que erro foi esse? Voltamos ao início deste texto, ou seja, ao jogo na areia. Lima saiu mal, para um "bunker" à esquerda do "green". Deu um "top", a volta ultrapassou o "green" e não conseguiu recuperar.
 
«Não é possível fazer um erro assim porque eu até gosto de jogar dos "bunkers" e aquele duplo rebentou-me a cabeça», admitiu com sinceridade.
 
Note-se que desde o segundo buraco que uma árbitra andou em cima da formação dos portugueses, pressionando Grégory Havret, um francês que já foi vice-camepão do US Open mas que é conhecido pelo seu jogo lento. E, uma vez mais a árbitra tinha exigido que esta formação acelerasse o passo.
 
«Todos sabemos que o Grégory é um jogador lento, mas eu normalmente não fico aflito com isso. Naquele momento acelerei porque era o Ricardo a jogar e eu não quis demorar mais tempo e fui jogar eu, joguei sem preparação e fiz aquele erro que custou-me o dia», acrescentou Lima.
 
A referida situação de arbitragem afetou também Ricardo Santos exatamente no buraco anterior, o 13, de Par-4. A sua bola foi parar a um "bunker" à esquerda do "fairway" e foram precisas 2 pancadas para tirá-la de lá. Como o "putt" de menos de 2 metros não foi convertido, resultou num duplo-bogey. A diferença é que Santos, apesar de tudo, manteve a cabeça mais fria e não perdeu mais pancada nenhuma até ao final da volta.
 
«No buraco 13 não foi bem um erro, foi apressar as coisas por estarmos no relógio. Na realidade acho que os árbitros não tinham razão porque estivemos a esperar cerca de 20 minutos no tee do buraco 8… mas a culpa é minha, eu é que tenho de fazer a minha rotina. Dei 2 "shots" do "bunker", ambos eram relativamente acessíveis», explicou Santos.
 
O campo tem 51 "bunkers" e Ricardo Santos visitou hoje três deles, nos buracos 3, 13 e 14. No 13 custou-lhe 1 bogey, no 13 foi 1 duplo-bogey mas no 14 conseguiu salvar o Par, mais ao jeito que lhe é habitual.
 
De resto as exibições dos portugueses foram de novo contrastantes. Hoje Lima "patou" melhor, mas esteve bem mais desinspirado no "shot ao green": «Não joguei tão bem. Fiz bons "shots" mas falhei muitos. Não falhei tantos "putts" mas também não entrou nenhum».
 
Por seu lado, Santos esteve bem melhor nos "approaches", mas o "putt" deserdou-o: «Desperdicei muitos "putts" que ficaram no campo. Hoje joguei bastante bem, mas no início fiz dois "greens" a "3-putts" e tive "putts" curtos falhados para birdie».
 
«Espero que o jogo volte amanhã e que alguns "putts" entrem. Não posso fazer mais nada e é continuar a rezar. O campo está difícil, espero que esteja ainda mais difícil para que eventualmente um bom resultado faça-me ganhar alguns lugares, mas vai ser uma guerra», previu Lima, que se o torneio se resumisse a 36 buracos, iria tombar no ranking do Challenge Tour para o 26.º posto e não lograria o apuramento para o European Tour.
 
«Não estou nada satisfeito. O lado positivo é ter jogado mais sólido do que ontem e esperar que o "putt" entre para fazer duas últimas voltas baixas no fim de semana», desejou Ricardo Santos. Se o torneio acabasse agora, o vencedor do Challenge da Suíça iria fechar a época no 11.º lugar da Corrida para Maiorca, apurando-se para o European Tour em 2020.
 
A Grande Final do Challenge Tour em Maiorca continua a ser liderada pelo italiano Francesco Laporta, com 5 pancadas abaixo do Par, juntando cartões de 68 e 69. Tal como ontem, só dispõe de 1 de vantagem sobre o principal perseguidor que continua a ser o espanhol Sebastian Garcia Rodríguez (69+69).
 
Na segunda volta só 11 jogadores bateram o Par do campo e no agregado dos 36 buracos restam apenas seis jogadores abaixo do Par.
 
Participantes que tenham obtido ‘números vermelhos’ nos dois dias só há mesmo três: para além dos dois primeiros, só o inglês Matthew Jordan (70+70), que vai em 4.º com -2, empatado com alemão Sebastian Heisele (71+69).
 
Nem o 3.º classificado conseguiu-o, o francês Robin Sciot-Siegrist (71+68), com -3. O outro único jogador abaixo do Par a meio da prova é o 6.º posicionado, o inglês Ross McGowan (-1), cuja segunda volta de 66 (-5) só não foi o melhor resultado do dia porque houve um excelente 65 (-6) da autoria do inglês Laurie Canter, que, mesmo assim, está perdido no 25.º lugar porque no primeiro dia tinha "disparado" 80 (+9).
 
A penúltima volta começa às 8h30 de sexta-feira e Filipe Lima começa logo nesse primeiro grupo ao lado do francês Ugo Coussaud e do espanhol Emílio Cuartero Blanco.
 
Ricardo Santos sai dois grupos depois, às 8h52, o mesmo horário de hoje, desta feita com o dinamarquês Rasmus Hojgaard e o italiano Lorenzo Scalise.
 
Autor: Hugo Ribeiro/Tee Times Golf em exclusivo para Record

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