'Figgy' e Lima sabem o que afinar antes da Final do Challenge Tour

Digressão à China não foi positiva

Pedro Figueiredo e Filipe Lima apontaram razões bem distintas para não terem sido bem-sucedidos no Foshan Open, o segundo e último torneio da série chinesa do Challenge Tour, pois apesar de terem passado o cut não conseguiram melhor do que concluir a prova de 430 mil euros em prémios monetários no 35.º e no 58.º lugares, respetivamente.
 
«No putt não estive nada concretizador. Em 72 buracos "patei" 70 vezes para birdie, o que é bastante, mas ainda assim não consegui fazer um resultado por aí além», lamentou-se à Tee Times Golf Pedro Figueiredo, que fez 14 birdies para empatar no 35.º posto com mais seis jogadores, somando 279 pancadas, 9 abaixo do Par do Foshan Golf Club, após voltas de 70, 68, 71 e 70.
 
Já na semana anterior, no Hainan Open, também fora o putt a impedir "Figgy" de fazer melhor do que um 32.º lugar (-2). Pena, pois o campeão nacional de 2013 até sentiu-se a jogar bem nos restantes capítulos: «Joguei consistente no jogo comprido, acertando bastantes fairways e greens, mais greens até, porque estive bem com os ferros. O campo é generoso do tee, com fairways relativamente largos, de greens grandes. Portanto acertar fairways e greens não era o mais complicado, mas os greens eram bastante ondulados, com uma relva complicada, com alguma granulação e com a inclinação da relva a influenciar a linha do putt».
 
A referência do atleta do Sport Lisboa e Benfica à relva específica dos greens faz sentido, pois o arquiteto deste campo inaugurado em 2013, o australiano Tony Cashmore, fez questão de recorrer a estirpes autóctones e enquanto os greens estão semeados com relva Tif Eagle Bermuda, os fairways estão com Tif Sport Bermuda.
 
Por outro lado, Pedro Figueiredo sobressai tradicionalmente na pancada de saída pela capacidade de meter bolas no fairway e não pelas longas distâncias. Ora Filipe Lima considerou que a potência de drive era relevante em qualquer um dos dois campos chineses em que jogaram nas duas últimas semanas: «Era uma grande vantagem quem conseguisse bater a 280 metros».
 
«Isso também tornou as coisas um bocadinho mais difíceis para mim», acrescentou o atual campeão nacional, que há dez anos era um jogador comprido mas, entretanto, surgiram novas gerações de golfistas com saídas ainda mais potentes, para além do facto de Lima ter de poupar-se mais aos 36 anos, depois de alguns anos com uma crónica lesão nas costas.
 
Filipe Lima empatou no 58.º lugar com o chinês Wu Hongfu, com 286 pancadas, 2 abaixo do Par, após voltas de 69, 69, 72 e 76. Mas no seu caso não foi tanto a prestação nos greens que comprometeu as suas aspirações, como aconteceu a "Figgy".
 
«Foram duas semanas difíceis porque não estava a sentir-me bem com o meu jogo comprido como é costume», admitiu o português residente em França.
 
«Vou ter agora uma semana importante em Paris, porque tenho de ver como irei preparar-me para a Grande Final do Challenge Tour. Tenho de encontrar uma solução para reencontrar o meu jogo. Vou treinar e acho que vou bastante para o campo, para sentir o meu jogo, e não tanto bater muitas bolas», acrescentou.
 
Os dois portugueses até chegaram a meio da prova empatados num positivo 23.º lugar, que lhes abria perspetivas de regressarem aos top-10’s em torneios do Challenge Tour, mas privados de algumas das suas principais armas – o putt de Figueiredo e o drive de Lima – viram a sua situação fragilizar-se nas duas últimas jornadas.
 
As consequências foram pesadas, pois Figueiredo (que embolsou um prémio de 2.875 euros) tombou do 13.º para o 17.º lugar na Corrida para Ras Al Khaimah, enquanto Lima (que ganhou 1.459 euros) caiu de 31.º para 33.º, ou seja, ambos fora do top-16 que no final da temporada ascende ao European Tour.
 
E o final da época é já na próxima semana, de 31 de outubro a 3 de novembro, a Grande Final do Challenge Tour em Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos. Qualquer um deles tem hipóteses matemáticas de se juntarem a Ricardo Melo Gouveia na primeira divisão europeia em 2019, embora a tarefa seja mais simples para "Figgy" que está a um lugar do apuramento, enquanto Lima necessitará de uma autêntica proeza.
 
Há uns meses a confiança dos dois portugueses estaria em alta, pois viveram bons momentos em 2017 no Challenge Tour, mas o estado de espírito de ambos poderá ter-se alterado entretanto, antes desta importante final no Golfo Pérsico.
 
Na semana passada escrevemos aqui no Record Online que Pedro Figueiredo «entre maio e agosto deste ano arrancou sete top-20’s em dez torneios disputados, incluindo uma vitória na Bélgica, um 3.º lugar na Escócia e três outros top-10’s em Portugal, na Áustria e na Suécia». Só que, entretanto, já soma sete torneios consecutivos sem nenhum top-20. Será importante estar esta semana em casa, em Azeitão, para recuperar a confiança nos treinos na Quinta do Peru Golf & Country Club.
 
Também Filipe Lima conta com cinco top-10’s no Challenge Tour de 2018, incluindo o 2.º lugar no Open de Portugal@Morgado Golf Resort. E o campeão nacional soma ainda mais dois top-15’s, mas esta digressão à China foi-lhe muito negativa, com o 90.º lugar em Hainan (onde falhou o cut) e este 58.º lugar.
 
No entanto, se há alguém que já provou que dá rapidamente a volta aos momentos negativos é o atleta olímpico português e não podemos esquecer-nos que já por quatro vezes na sua carreira ascendeu ao European Tour via Challenge Tour.
 
Quem já garantiu a subida à primeira divisão europeia foi o francês Victor Perez, que venceu o Foshan Open, nos arredores de Guangzhou, com 269 pancadas, 19 abaixo do par, entregando cartões de 68, 65, 67 e 69.
 
Foi o mesmo total do escocês Robert Macintyre (68+72+64+65) e por isso foi necessário irem a play-off, no qual o gaulês de 26 anos derrotou o seu rival com 1 birdie no buraco 18.
 
O prémio de 69.686 euros, convertido em 64.872 pontos, permitiu a Victor Perez ascender do 16.º ao 2.º lugar da Corrida para Ras Al Khaimah e virtualmente subir ao European Tour.
 
Na semana anterior também o vencedor do Hainan Open, o finlandês Kalle Samooja (agora 3.º do ranking) tinha carimbado o seu passaporte para a divisão superior.
 
E há muito que se sabe que o dinamarquês Joachim B. Hansen (o n.º1) vai jogar no European Tour, tal como o finlandês Kim Koivu (o tal treinado pelo português David Silva e 6.º do ranking), embora no caso de Koivu por ter conquistado três títulos do Challenge Tour em 2018.
 
Ou seja, na Grande Final do Challenge Tour da próxima semana, do top-16 de apuramento já só estarão disponíveis e em jogo 12 vagas.
 
Autor: Hugo Ribeiro / Tee Times Golf

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