"Figgy" e Lima visam o título na Final do Challenge Tour

Portugueses com olhos na vitória

• Foto: Filipe Guerra

Pedro Figueiredo e Filipe Lima iniciam esta quarta-feira a sua participação na Ras Al Khaimah Challenge Tour Grand Final com os olhos na vitória e o objetivo declarado de subirem à primeira divisão do golfe profissional europeu e juntarem-se a Ricardo Melo Gouveia no European Tour em 2019.

A Ras Al Khaimah Challenge Tour Grand Final funciona como um Masters da segunda divisão europeia de golfe, reunindo nos Emirados Árabes Unidos os 45 primeiros do ranking deste circuito.

Em jogo estão prémios monetários no valor de 420 mil euros, 72 mil dos quais para o vencedor, mas o principal motivo de interesse do torneio é saber quem será o n.º1 de 2018 da Corrida para Ras Al Khaimah (que receberá um bónus de 30 mil euros) e os nomes dos 15 primeiros dessa tabela que irão apurar-se para o European Tour.

Em 2015, quando a prova ainda decorria em Omã, Ricardo Melo Gouveia fez história, ao vencer a Grande Final, ao encerrar a temporada como n.º1 do Challenge Tour (dois recordes nacionais) e, consequentemente, ao ascender ao European Tour, donde nunca mais saiu.

O total de 251.592 pontos conquistados por Ricardo Melo Gouveia nessa temporada é ainda um recorde na história do Challenge Tour, mas poderá ser superado pelo atual n.º1, o dinamarquês Joachim B. Hansen, que leva nesta altura 184.260. Como a vitória garante 72 mil pontos, o dinamarquês – que já era um rival de Melo Gouveia em 2015 – poderá chegar aos 256.260 pontos.

Joachim B. Hansen, vencedor este ano de dois torneios do Challenge Tour, é um de oito jogadores com hipóteses matemáticas de encerrarem o ano na primeira posição da Corrida para Ras Al Khaimah. Os outros são por ordem no ranking o francês Victor Perez, o finlandês Kalle Samooja, o sueco Sebastian Soderberg, o inglês Jack Singh Brar, o finlandês Kim Koivu (treinado pelo português David Silva), o galês Stuart Manley e o escocês Grant Forrest.

Para nós, portugueses, o que importa é saber se Pedro Figueiredo e Filipe Lima serão capazes de ascender ao top-15 da Corrida para Ras Al Khaimah. Ricardo Santos fê-lo em 2011, Ricardo Melo Gouveia em 2015 e Filipe Lima em 2004, 2009, 2013 e 2016.

Embora não haja registos fidedignos, Alain de Soultrait, o diretor executivo do Challenge Tour, acredita tratar-se de um recorde neste circuito um mesmo jogador ter terminado no top-15 em quatro temporadas distintas.

Mas para Filipe Lima dilatar esse recorde e fazê-lo por uma quinta vez necessitará de uma exibição soberba. O português de 36 anos chega a Ras Al Khaimah no 33.º lugar do ranking e está a 31.318 pontos do 15.º lugar.

Só se o campeão nacional terminar em 2.º lugar na Grande Final, que garante 47 mil pontos, poderá chegar ao top-15, mas um 2.º lugar poderá mesmo assim não ser suficiente, pois depende do que fazem os outros jogadores.

Se quiser certezas, só os 72 mil pontos da vitória garantir-lhe-ão o regresso ao European Tour. No passado já houve jogadores fora do top-30 antes da Grande Final a conseguirem fechar a época no top-15. Não é impossível.

Pedro Figueiredo, pelo contrário, tem muito boas hipóteses, pois começa o torneio no 17.º lugar do ranking, a apenas 3.618 pontos do 15.º. Matematicamente, se os seus rivais jogassem todos muito mal, até um top-30 esta semana poderia ser suficiente, mas, realisticamente, um top-20 dá-lhe grandes probabilidades. A segurança absoluta só com um top-10.

No entanto, se Lima é forçado a visar a conquista do título da Ras Al Khaimah Challenge Tour Grand Final, Figueiredo deu-se ao luxo de optar por estabelecer esse como o seu objetivo ideal.

«Aqui o objetivo é lutar pela vitória porque se jogarmos a pensar num top-5 ou num top-10 poderemos prejudicar-nos no final», disse ‘Figgy’, de 27 anos, que este ano chegou a andar no top-10 do ranking, depois da sua vitória na Bélgica, no KPMG Trophy, em junho.

O português foi entrevistado pelo press officer do Challenge Tour a pedido do Gabinete de Imprensa da PGA de Portugal e assegurou que está mentalmente preparado para a pressão: «A vitória no play-off, na Bélgica, deu-me motivação para acreditar e para lidar bem com os momentos duros, como quando estou a jogar por uma vitória. Espero que essa confiança seja-me útil esta semana».

 

Filipe Lima, pelo contrário, em declarações à Tee Times Golf, reconheceu que tem pela frente uma missão extremamente complicada: «Sei que vai ser difícil. O Challenge Tour está cada vez mais difícil, vai ser preciso um bocadinho de sorte, mas vou dar o melhor».

 

«Gostaria de estar em melhor forma para a Grande Final», admitiu o português residente em França, que conta com boas memórias da sua última passagem por Ras Al Khaimah.

 

Com efeito, em 2016 disputou ali um torneio regular do Challenge Tour e sagrou-se vice-campeão, com um excelente resultado de 19 pancadas abaixo do Par, a apenas 1 do campeão, o inglês Jordan Smith, que viria a fechar a época como o n.º1 do ranking.

 

«Conheço o campo, joguei lá há dois anos e fiquei em 2.º. É um campo que poderá adequar-se bem ao meu jogo, mas não é por ter jogado lá bem que isso irá acontecer de novo. Basta ver o que aconteceu este ano em Saint Omer, um campo que costuma ser bom para mim (venceu lá duas vezes mas este ano nem passou o cut)», acrescentou o atleta olímpico português.

 

O campo desta semana a que Lima se refere é o Al Hamra Golf Club, um Par-72 de 6.698 metros, desenhado por Peter Harradine com vistas deslumbrantes sobre o golfo pérsico.

 

«É um campo em que as pessoas que batem longe não têm tanta vantagem como na China. É um campo que tem perigos, tem buracos mais fáceis e outros mais difíceis. Vai ser preciso ter um jogo completo e vai depender do tempo porque costuma estar vento», descreveu o campeão nacional.

 

Se Filipe Lima sabe bem o que terá pela frente, para Pedro Figueiredo será uma incógnita, embora já tenha efetuado duas voltas de treino para ambientar-se.

 

«Não conheço o campo, mas poderá adequar-se às minhas características. Deverá ser seco, no qual a bola role bastante e gosto de campos assim em que seja preciso pensar um bocadinho mais», disse à Tee Times Golf.

 

Filipe Lima tem passado toda a sua carreira a dividir-se entre o European Tour – onde chegou a militar quatro épocas consecutivas – e o Challenge Tour. Já Pedro Figueiredo não sabe o que é competir uma época inteira ao mais alto nível. Só disputou alguns torneios esporádicos.

 

"Figgy" é ainda hoje o melhor golfista amador português de sempre e quando se tornou profissional sagrou-se logo campeão nacional em 2013. Mas depois disso sentiu enormes dificuldades para singrar e levou anos a recompor-se, tanto emocionalmente como em termos de qualidade de jogo.

 

Só no ano passado, ao fechar a época no top-5 do Pro Golf Tour (uma das terceiras divisões europeias), sentiu-se que estava de novo no bom caminho e esse top-5 deu-lhe a subida ao Challenge Tour (segunda divisão). Agora está às portas do escalão principal, falta-lhe um último esforço e é por isso que encara esta Ras Al Khaimah Challenge Tour Grand Final com tanta emoção.

 

«Estou bastante motivado. É uma grande oportunidade, sobretudo se pensar que há dois ou três anos estava numa situação muito mais difícil no que se refere ao meu jogo e a mim próprio. Estar aqui, com uma oportunidade de qualificar-me para o European Tour, é sem dúvida entusiasmante», declarou o atleta do Sport Lisboa e Benfica.

 

Ao Challenge Tour acrescentou: «Significaria muito para mim ir ao European Tour. Estar aqui já é um grande feito e se não acontecer, mesmo assim estarei orgulhoso do que fiz esta época. Mas claro que concretizar o objetivo de terminar no top-15 tornaria a época ainda mais especial. É um sonho que tenho, o de jogar no European Tour, desde muito jovem, e seria também um motivo de alegria para todos os que me rodeiam, sobretudo a minha família».

Por Hugo Ribeiro
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