‘Figgy’ e Santos admitem European Tour cancelado em 2020

Os dois membros portugueses da primeira divisão europeia preparam-se, apesar de tudo, para um eventual recomeço

• Foto: Ricardo Lopes/PGA de Portugal

No dia em que o European Tour anunciou a suspensão de toda a atividade desportiva até ao British Masters, agendado para 30 de julho a 2 de agosto, os dois membros portugueses da primeira divisão do golfe profissional europeu admitiram a possibilidade de não se jogar mais na época de 2020, que deverá terminar com o DP World Tour Championship, no Dubai, em novembro.

O Portugal Masters, de 22 a 25 de outubro, em Vilamoura, está, por isso, em risco, depois de saber-se que o GolfSixes em Cascais, em maio, foi cancelado, consequências da pandemia do novo coronavírus e do combate à COVID19.

«É incerto o que irá acontecer ao European Tour até ao final do ano», disse Pedro Figueiredo à Tee Times Golf, em exclusivo para Record.

«Têm-nos informado semanalmente mas, até agora, as informações foram inconclusivas. Não sabem ainda o que fazer e estão a estudar variadíssimas hipóteses, desde suspender a época por completo, a encaixar o máximo número de torneios a partir do momento em que possa jogar-se. Mas tudo depende da evolução deste vírus e das medidas adotadas por cada governo. É uma incógnita», acrescentou o português de 28 anos.

«Penso que será muito complicado terminar a época este ano. Como tal, estou a encarar essa hipótese de não jogar mais este ano», reconheceu Ricardo Santos.

«O European Tour vai-nos mantendo atualizados, mas a verdade é que ninguém pode dar certezas de nada neste momento», prosseguiu o português de 37 anos.

O site português especializado "Golftattoo", citando o "Daily Telegraph" britânico, informa esta sexta-feira que «o presidente-executivo (CEO) do European Tour, Keith Pelley, enviou uma comunicação interna aos jogadores-membro, no qual avisa para as várias mudanças que se avizinham, entre elas prémios  monetários e infraestruturas de torneios reduzidos, bem como um calendário condensado que pode incluir vários torneios na mesma semana».

Ganhar menos, passar a ter cuidados suplementares de higiene e ter menos mordomias seriam, na atual conjuntura, um mal menor para os profissionais portugueses e a possibilidade de haver dois torneios por semana teria até alguma vantagem.

Em situações normais, Pedro Figueiredo e Ricardo Santos não teriam entrada em alguns dos torneios mais fortes do circuito, mas com dois torneios por semana iriam seguramente competir todas as semanas que desejassem.

O mesmo iria passar-se com Filipe Lima, que é membro do Challenge Tour (a segunda divisão europeia), mas, mesmo assim, conseguiu disputar três torneios do European Tour na época de 2020.

Não foi possível contactarmos o português que reside em França, mas também ele, nessas circunstâncias, iria conseguir jogar na primeira divisão e competir menos na segunda.

Como explica Pedro Figueiredo, «se não jogarmos até ao final do ano, claro que será sempre difícil para os profissionais, porque os torneios são a nossa forma de rendimento».

A possibilidade de jogar-se alguns torneios ainda em 2020 seria como pão para a boca.

«Temos de estar preparados para tudo e aguentar esta fase mais difícil. Temos de tirar dela o lado positivo que conseguirmos, para podermos estar em forma para o ano e fazermos uma boa época, mas é tudo muito incerto», comentou "Figgy", o melhor português na Corrida para o Dubai, o ranking europeu, no 174.º posto.

«Se não se jogar mais este ano, isso terá um impacto forte na minha vida profissional. Vão ser tempos complicados, mas terei de ultrapassá-los», teme Ricardo Santos, o melhor português no ranking mundial, no 333.º lugar.

É certo que no ano passado Figueiredo embolsou 93.775,77 euros em prémios monetários oficiais no European Tour e Santos 107.509,95 euros no Challenge Tour. Já esta época, o profissional da Lisbon Golf Coast recebeu 14.932,38 euros, enquanto o algarvio que representa o Bom Sucesso Golf Resort arrecadou 2.450,00 euros.

É preciso chamar a atenção que estes valores são sujeitos a pagamentos de impostos na ordem dos 25% ou 30% e cabe aos jogadores custearem as suas despesas de deslocação, alimentação e alojamento, bem como dos seus caddies e por vezes até de treinadores.

Portanto, as reservas com que enfrentam esta paragem não são substanciais e tudo indica que 2020 venha a ser uma época de grande prejuízo.

E a não se jogar mais na presente temporada, a próxima deverá iniciar-se em novembro de 2020, na melhor das hipóteses.

A possibilidade de poder haver ainda competição em 2020 faz com que os jogadores profissionais não possam estar totalmente parados e os dois portugueses do European Tour contaram-nos como viveram profissionalmente este mês completo de paragem, dado que a última competição de ambos foi o The Tour Championship do Portugal Pro Golf Tour no dia 14 de março.

«Por vezes bato umas bolas contra um lençol, mas pouco. Com a situação atual, não há muito para organizar nem como. Apenas trabalho a parte física. Até ao momento não consigo treinar em nenhum campo porque estão fechados, Parei completamente, visto que os campos estão fechados e não se pode ir bater umas bolas, mesmo usando apenas as minhas bolas. Já perguntei, mas não é permitido», explicou Ricardo Santos.

A este respeito, há suspeitas de que essa proibição possa estar a ser violada, aqui e ali, por alguns entusiastas, desesperados com o confinamento.

Daí que a Federação Portuguesa de Golfe tenha sentido a necessidade de enviar esta semana um comunicado a todos os clubes, alertando para as consequências de atos mais irrefletidos.

«De acordo com os diplomas que procederam à regulamentação do Estado de Emergência, os campos de golfe estão obrigados a permanecer

encerrados até determinação em contrário. Compete às forças de segurança e à polícia municipal a fiscalização do cumprimento das obrigações dispostas nestes diplomas, sendo a desobediência e a resistência às ordens emitidas punidas nos termos da lei penal, e as respetivas penas agravadas em um terço. A Federação Portuguesa de Golfe vem assim reforçar a necessidade de cumprimento das determinações legais vigentes, devendo ser comunicadas às autoridades competentes quaisquer violações detetadas», pode ler-se no referido comunicado, assinado por Ana Espírito Santos, dos serviços jurídicos da FPG.

Esta paragem forçada apanhou Ricardo Santos em pleno processo de reformulação do seu "swing".

«Estava a tentar trabalhar com o taco mais perto do corpo em frente ao meu peito durante o backswing. Tentava ter o taco no topo backswing alinhado ao lado esquerdo e mais curto, para depois facilitar na descida, pensando simplesmente em rodar o meu lado esquerdo. Em Troia estava focado em fazer isso. Esta paragem pode ter sido boa para fazer um "refresh" e voltar com mais vontade», elucidou o antigo bicampeão nacional (2011 e 2016).

No caso de Pedro Figueiredo, a suspensão do circuito profissional tem-lhe permitido aprimorar-se como atleta.

«Estou a tentar ver isto como uma oportunidade. Desde que comecei a jogar golfe nunca tive uma paragem tão grande em termos competitivos. Às vezes uma paragem pode ser positiva, no sentido de dar um passo atrás para dar dois à frente. Estou a  aproveitar para melhorar aspetos que talvez precisassem de mais trabalho, como o físico. Com as devidas limitações em casa, tenho-me focado muito nessa parte física que é importante e difícil de trabalhar quando estamos em torneios. Tenho também trabalhado bastante a técnica ao nível do "swing". Consegui montar um mini "driving range" em casa, batendo bolas contra uma rede. Essas duas áreas são mais complicadas de treinar durante a competição e estou a tentar ao máximo usar esta paragem competitiva», disse, bem motivado, o campeão nacional de 2013.

Sublinhe-se que os dois portugueses já tinham manifestado em março o seu apoio à decisão do European Tour de suspender o circuito europeu, por considerarem que seguir as normas de saúde pública é o mais importante no combate à pandemia.

Autor: Hugo Ribeiro / Tee Times Golf (teetimes.pt) em exclusivo para Record

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