‘Figgy’ e Santos vão descer nos rankings

Portugueses eliminados na África do Sul deverão parar várias semanas no European Tour

O ano de 2020 não começou da melhor maneira para os quatro jogadores portugueses que disputaram esta semana o Open da África do Sul, um torneio que contou simultaneamente para o European Tour e o Sunshine Tour, com prémios monetários no valor de um milhão de euros.

Pedro Figueiredo, Ricardo Santos, Stephen Ferreira e Filipe Lima foram todos eliminados após a segunda volta, mas os dois primeiros estiveram muito perto de seguir em frente, dado terem falhado o cut por 1 única pancada, terminando no grupo dos 77.º classificados, tendo-se apurado 76 jogadores para os dois últimos dias de prova.

Ainda por cima, "Figgy" e Santos nem jogaram mal, como pode atestar-se pelo resultado de 3 pancadas abaixo do Par, com cada um a somar 8 birdies em dois dias de prova. Nada mau.

"É sempre frustrante falhar o cut por 1 pancada. Sentir que estamos ali tão perto de cumprir o primeiro objetivo de cada torneio que é passar o cut, e por 1 pancada não consegui-lo. Mas sabemos que isto faz parte da vida de um profissional de golfe, não foi a primeira vez e não será a última", disse Pedro Figueiredo à Tee Times Golf em exclusivo para Record.

"Normalmente, com 3 abaixo do Par, é suficiente para estar presente no fim de semana se os campos forem relativamente iguais a estes em termos de dificuldade. Mas como este Open tem 240 jogadores, é normal ser um cut baixo", acrescentou Ricardo Santos, opinião corroborada pelo seu compatriota e amigo: "Este é um cut muito difícil porque existem 240 jogadores, quase o dobro dos torneios normais e só 65 e empatados passam o cut. É por isso que tem sempre um cut bastante baixo".

Os dois portugueses já tinham passado o cut em edições anteriores do Open da África do Sul, mas com uma diferença importante – Figueiredo jogou neste mesmo Randpark Golf Club, situado em Joanesburgo, em 2019, onde foi 48.º com 1 pancada abaixo do Par, após voltas de 67, 73, 71 e 72.

Este ano, o jogador do Sport Lisboa e Benfica apresentou voltas de 68 (-3) no Bushwillow Course e 71 (Par) no Firethorn Course. Até chegou aos 36 buracos com melhor resultado do que no ano passado, mas desta feita não foi suficiente.

Já Santos competiu pela primeira vez nestes dois percursos, porque quando jogou o Open da África do Sul em 2015 a prova realizava-se no Glendower Golf Club, na City of Ekurhuleni. Na altura o profissional do Guardian Bom Sucesso Golf foi 46.º (+2) com rondas de 72, 71, 72 e 75.

Desta vez Ricardo Santos acumulou cartões de 70 (-1) no Bushwillow Course e 69 (-2) no Firethorn Course.

Sabendo que não conhecia os campos, o campeão nacional de 2011 e 2016 procurou precaver-se: "Estive cá há um mês e joguei num dos campos com um amigo português aqui da África do Sul, o Fernando da Silva. Falei também com outros jogadores, incluindo o ‘Figgy’". Aliás, fez voltas de treino com o seu amigo, nas quais recolheu informações importantes. "Gostei dos campos e as condições estavam muito boas", acrescentou.

Pedro Figueiredo, que conhece melhor Randpark, explicou qual o desafio com que se depararam os portugueses:

"É uma combinação de campos bem diferentes. O primeiro em que joguei (Bushwillow) é bastante ardiloso, com ‘doglegs’, onde o mais importante é manter a bola no fairway, porque não é um campo comprido, mas sim estratégico, que se adapta bem ao meu jogo e não exige o drive na maioria dos buracos. O segundo campo (Firethorn) é mais comprido, onde já é preciso jogar mais com o drive, um bocadinho mais aberto, mas, ainda assim, com buracos exigentes, tanto do tee como no shot ao green".

Com esta explicação torna-se fácil perceber porque Figueiredo fez melhor resultado num desenho onde tirou partido do seu bom jogo curto, enquanto Santos aproveitou melhor o traçado onde pode aproveitar melhor o seu bom jogo comprido. De qualquer modo, ambos experimentaram boas sensações.

"Joguei bastante bem – comentou Figueiredo – e no primeiro dia fiz um cartão sem bogeys. Apresentei um jogo muito consistente e só fiz 3 birdies porque não meti muitos putts, mas poderia ter feito mais alguns. No segundo dia também joguei bem, mas dois erros, nos buracos 11 e 12 custaram-me 3 pancadas decisivas para falhar o cut. No 11 mandei o drive para a água e fiz 1 duplo-bogey, e no 12, num Par-5, estava com 2 pancadas perto do green fiz 1 bogey. Ainda assim, considero que joguei bem nos ferros, no jogo curto e no putt. Só não estive tão bem no shot de saída, o setor onde tenho sempre mais dificuldade, e isso custou-me algumas pancadas".

"Senti-me bastante bem em campo e joguei sólido durante os dois dias. Simplesmente, não consegui finalizar da forma de que gostaria, apesar de ter-me sentido bem nos greens. O certo é que deixei algumas oportunidades muito boas em campo", lamentou-se, por seu lado, Santos.

Embora só Pedro Figueiredo e Ricardo Santos sejam membros do European Tour em 2020, houve mais dois portugueses a competir no South African Open hosted by the City of Johannesburg.

Stephen Ferreira entrou por ser membro do Sunshine Tour, o circuito sul-africano, enquanto Filipe Lima aproveitou o facto de, com 240 vagas, este torneio permitir a participação de alguns dos melhores membros do Challenge Tour, a segunda divisão europeia.

Stephen Ferreira terminou empatado no grupo dos 145.º classificados, com 1 pancada acima do Par, após voltas de 70 e 73, enquanto Filipe Lima empatou no 192.º posto com 4 acima do Par, com rondas de 72 e 74.

No que refere ao posicionamento dos portugueses nos rankings dos respetivos circuitos em que militam, depois deste torneio, as suas situações passaram a ser as seguintes:

Na Corrida para o Dubai do European Tour Pedro Figueiredo tombou de 50.º para 69.º, com dois cuts passados em três possíveis, enquanto Ricardo Santos desceu de 99.º para 131.º, com um cut passado em três torneios. Filipe Lima falhou o cut nos dois torneios que disputou na África do Sul na época de 2020, pelo que ainda nem aparece na classificação.

Na Ordem de Mérito do Sunshine Tour Stephen Ferreira era 28.º e escorregou para o 34.º posto, com seis cuts superados em 17 eventos.

O próximo torneio do European Tour será o Abu Dhabi HSBC Championship presented by EGA, de 16 a 19 de janeiro, onde nenhum português conseguiu entrar diretamente, estando Ricardo Santos oito lugares de fora. No Omega Dubai Desert Classic, de 23 a 26 de janeiro, já há praticamente a certeza de nenhum português entrar. No Saudi International powered by SoftBank Investment Advisers, de 30 de janeiro a 2 de fevereiro é muito provável que o mesmo suceda.

Isto significa que o Open da África do Sul que terminou neste Domingo terá sido o único torneio do European Tour que Ricardo Santos e Pedro Figueiredo irão jogar em janeiro, fevereiro e se calhar até em março, embora possa haver vagas num torneio na Austrália em fevereiro. A classificação de ambos no ranking da primeira divisão europeia irá sofrer bastante. Será preciso depois arrancar de novo em grande na primavera.

Quanto ao Sunshine Tour, prossegue com o Eye of Africa PGA Championship, de 16 a 19 de janeiro, com a presença de Stephen Ferreira.

O Open da África do Sul foi conquistado pelo sul-africano Branden Grace e, segundo o próprio, viveu neste Domingo o melhor dia de putting da sua carreira para garantir o prémio de 175.296 euros, graças a um total de 263 pancadas, 21 abaixo do Par, após voltas de 64, 70, 67 e 62, as duas últimas no Firethorn Course.

Grace bateu por 3 pancadas o antigo campeão do British Open e vencedor do Open da África do Sul em 2019, o seu compatriota Louis Oosthuizen (65+69+64+68), que até fez um hole-in-one no buraco 8 da última volta, com quem ainda estava empatado a nove buracos do final da prova.

Brandon Grace concluiu, assim, uma rara ‘manita’ de ‘Majors’ sul-africanos, pois já tinha ganho anteriormente o Nedbank Golf Challenge hosted by Gary Player, o Joburg Open, o Alfred Dunhill Championship e o Dimension Data Pro-Am.

O nono título do European Tour na carreira do jogador de 31 anos valeu-lhe também a qualificação para o British Open de 2020.

Hugo Ribeiro / Tee Times Golf em exclusivo para Record

Por Hugo Ribeiro
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