"Figgy" entre hipopótamos, elefantes e leões

Foi 42.º no torneio inaugural do European Tour de 2020 na África do Sul

Pedro Figueiredo teve o privilégio de jogar pela primeira vez num dos campos de golfe mais deslumbrantes do Mundo, o Leopard Creek Country Club, e reconheceu que "foi especial" ter iniciado o European Tour de 2020 em plena savana africana.

Aliás, quem o segue nas redes sociais, poderá ver algumas fotografias da fauna impressionante que circunda o icónico Leopard Creek Country Club, na África do Sul.

"É dos campos mais espetaculares em que já joguei, não só pelo campo em si, mas por toda a sua envolvência. Estamos ao lado do Kruger Park, um parque natural do tamanho de metade de Portugal e estamos separados apenas por um rio que passa ao lado do buraco 13. Se olharmos para a esquerda é tudo selvagem. Conseguimos ver muitos animais diferentes, desde hipopótamos a elefantes e, se tivermos sorte, até leões. É uma envolvência muito diferente do que estamos habituados, o que faz desse campo algo de muito especial", descreveu o atleta do Sport Lisboa e Benfica à Tee Times Golf, em exclusivo para Record.

Pedro Figueiredo iniciou a sua segunda época consecutiva no European Tour com um 42.º lugar (empatado), entre os 156 participantes do Alfred Dunhill Championship, tendo sido o único dos quatro portugueses presentes a passar o cut no evento sul-africano de 1,5 milhões de euros em prémios monetários.

"Figgy" totalizou 294 pancadas, 6 acima do Par do Leopard Creek Country Club, após voltas de 72, 74, 77 e 71, recebendo 8.700 euros.

Filipe Lima, que em 2020 irá competir no Challenge Tour, mas conseguiu entrar neste evento da primeira divisão europeia, ainda teve hipóteses de passar o cut, depois de uma primeira volta de 72 pancadas, mas as 77 da segunda ronda atiraram-no para o 82.º posto, com 149 pancadas, 5 acima do Par.

Stephen Ferreira, que está a fazer uma excelente época no Sunshine Tour e está no top-30 da Ordem de Mérito da primeira divisão sul-africana, foi 104.º com 152 (74+78), +8.

Ricardo Santos, que regressou ao European Tour após uma ausência de quatro épocas, foi 130.º com 155 (79+76), +11.

Não é fácil começar uma nova temporada poucos dias depois de se ter terminado a anterior. "Figgy" e Lima tiveram apenas uma semana de intervalo e Santos duas. Depois do enorme desgaste emocional a que foram sujeitos na Grande Final do Challenge Tour (Lima e Santos) e na Escola de Qualificação do European Tour (Figueiredo e Lima), é normal que a concentração possa não estar ao melhor nível.

"Depois da Escola senti-me bastante cansado. Foi uma época longa, para mais a Escola é uma prova de resistência física e mental. Para mim foram duas semanas de Escola de Qualificação e a passei ambas no limite, portanto, senti-me bastante cansado", admitiu.

"Estive quatro dias sem tocar nos tacos entre a Final da Escola e o torneio da África do Sul. Talvez não tenha ido para a África do Sul com a melhor preparação, mas foram circunstâncias anormais. Ainda assim, senti-me bem com o meu jogo. Por outro lado, também sabia que vinha de duas semanas em que tinha jogado bem", reconheceu Pedro Figueiredo.

Ainda por cima, as previsões meteorológicas apontavam para os termómetros atingirem os 40 graus, razão pela qual o European Tour inovou e permitiu que, pela primeira vez, os jogadores pudessem vestir calções em vez de calças nos quatro dias de competição.

No entanto, para o profissional da Navigator o calor nem foi o obstáculo mais espinhoso: "As condições estiveram, de facto, complicadas, mas mais devido ao campo, porque é muito exigente, sobretudo no shot ao green. Os greens estavam bastante duros e se falharmos o shot ao green no sítio errado somos bastante penalizados, ou porque ficamos com um shot de recuperação muito difícil, ou porque o green é muito bem protegido por água. Há muitos buracos em que se falharmos o shot vamos à água".

O traçado desenhado pelo mítico Gary Player é famoso por essas dificuldades. Muitos destes jogadores concluíram a sua época de 2019 no Portugal Masters, no bem mais benigno Dom Pedro Victoria Golf Course, em Vilamoura. De repetente apanham pela frente um teste completamente diferente.

A dificuldade do campo, aliada ao cansaço, minaram um pouco aquela consistência de ferro que "Figgy" mostrara nas duas últimas fases da Escola de Qualificação. Mesmo assim, apesar de admitir uma prestação de altos e baixos, o campeão nacional de 2013 fez um balanço positivo da sua exibição.

"O meu jogo esteve relativamente consistente. Tive um mau dia, o terceiro, em que falhei muitos fairways. Neste campo, se falharmos fairways, o shot ao green torna-se ainda mais difícil, porque do rough é mais difícil controlar o spin da bola e ainda mais com os greens duros. No segundo dia tive um buraco que custou-me 4 pancadas, num Par-3 (buraco 7). É um daqueles buracos em que se não tivermos cuidado no shot ao green poderemos ser severamente penalizados e eu fiz um quádruplo-bogey num Par-3, o que não é muito normal, porque os Par-3 são os buracos em que sou mais forte", analisou o jogador do Orizonte Lisbon Golf, que nesse buraco 7 perdeu 7 pancadas em quatro voltas!

"Um dia de jogo menos conseguido e depois um buraco bastante penalizador acabou por deitar-me um pouco abaixo na classificação, mas é um campo que até se adapta bem ao meu jogo por o shot ao green ser crucial e eu costumar ser forte nesse aspeto", concluiu o português de 27 anos.

Pedro Figueiredo já regressou, entretanto, a Portugal e só voltará a competir no Australian PGA Championship, um dos Majors do PGA Tour of Australasia que também conta para o European Tour, de 19 a 22 de dezembro.

O atual 31.º classificado na Corrida para o Dubai de 2020 teve a pouca sorte de ficar apenas três lugares de fora do Open das Maurícias que se joga esta semana, no qual, há um ano, obteve a sua melhor classificação da temporada, um 23.º posto com 8 abaixo do Par. Ricardo Santos será o único português no Afrasia Bank Mauritius Open que arranca na quinta-feira.

O Alfred Dunhill Championship foi ganho pelo espanhol Pablo Larrazábal, com com 280 (66+69+70+75), -8, ganhando 237.750 euros. Foi o 5.º título do talentoso espanhol no European Tour e o primeiro desde junho de 2015.

No último dia, Larrazábal quase desistiu devido a enormes bolhas num pé que o impediram de andar sem dores terríveis. Chegou a perder a liderança e a ter uma desvantagem de 3 pancadas.

Nessa altura lembrou-se da vitória de Tiger Woods no US Open de 2008, no qual o "Tigre" venceu um play-off de 18 buracos a coxear com o joelho esquerdo destruído antes de mais uma cirurgia. Woods inspirou Larrazábal a dar a volta ao resultado.

Autor: Hugo Ribeiro / Tee Times Golf em exclusivo para Record    

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