"Figgy" motivado na Escola e Lima põe futuro em causa

Assim foi o arranque do torneio em Tarragona, em Espanha

«Vou dar o máximo para tentar recuperar o cartão do European Tour». Foi assim, cheio de confiança, que Pedro Figueiredo se declarou à Tee Times Golf, em exclusivo para Record, mesmo antes de começar a disputar a Final da Escola de Qualificação do European Tour (FEQET).

A maior maratona do golfe profissional europeu arrancou esta sexta-feira e vai prolongar-se até ao dia 20 no Lumine Golf & Beach Resort, em Tarragona, em Espanha, clube que recebe a prova pela terceira vez. 

"Figgy" começou da melhor maneira com uma primeira volta em 68 pancadas, 3 abaixo do Par do Lakes Course, um dos dois campos em que se disputa esta FEQET, teoricamente o mais fácil. Está no grupo dos 16.º classificados, dentro do top-25 provisório de apuramento para o European Tour, embora ainda faltem mais cinco dias de prova. 

O campeão nacional de 2013 esteve consistente, com 3 birdies, sem ter perdido qualquer pancada – uma grande diferença em relação ao que lhe tínhamos visto há um mês, no seu último torneio da época no European Tour, o Portugal Masters, onde falhou o cut com 7 pancadas acima do Par do Dom Pedro Victoria Golf Course. 

Vilamoura confirmou a perda do cartão por parte de Pedro Figueiredo para a primeira divisão europeia em 2020, ao fechar a temporada no 177.º posto da Corrida do Dubai, na qual precisava de ficar no top-115, e no Algarve mostrou um jogo com saídas erráticas, a necessitar de afinação. 

Só que entre o Portugal Masters e a Final desta semana, o profissional da Navigator cumpriu a promessa de duas semanas de treinos e o seu nível subiu substancialmente. 

Na semana passada voltou à competição, para disputar a Segunda Fase da Escola de Qualificação. Foi colocado em Alicante, no Las Colinas Golf & Country Club, onde exibiu um golfe mais regular e também uma grande força de vontade. 

Com voltas de 68, 73, 72 e 72, andou todos os dias fora do top-20 de apuramento para a Final e só conseguiu a qualificação para Tarragona mesmo no limite.  

Cinco jogadores ficaram empatados no 19.º lugar e só dois poderiam apurar-se. Foi necessário disputar um play-off entre eles e "Figgy" saiu vencedor desse ‘mata-mata’. 

«Foi uma semana em que estive sempre fora do top-20 até ao final e foi uma prestação de trás para a frente, mas sabia que o objetivo estava ao meu alcance, porque estive sempre a apenas 1 ou 2 pancadas do top-20 de acesso à Final», sublinhou o jogador do Quinta do Peru Golf & Country Club. 

«Senti que o meu jogo estava consistente, fiz apenas um ou dois erros por volta que impediram-me de fazer voltas mais baixas e de ficar numa posição mais confortável. Procurei então manter-me tranquilo durante toda a prova, porque esta Escola de Qualificação é um desafio muito difícil. Felizmente consegui apurar-me num play-off», acrescentou Pedro Figueiredo, que lamentou a eliminação dos outros portugueses. 

Com efeito, se o golfista do Sport Lisboa e Benfica entrou diretamente na Segunda Fase por ter sido membro do European Tour em 2019, a sua época de estreia na primeira divisão europeia, mas nem todos tiveram a mesma sorte. 

A Escola de Qualificação começou com um recorde de 842 jogadores a tentarem a sua sorte na Primeira Fase, que também passou por Portugal, em outubro, no Guardian Bom Sucesso Resort, em Óbidos, onde Tomás Melo Gouveia, Tomás Santos Silva e Tomás Bessa passaram à fase seguinte. Pelo caminho ficaram Miguel Gaspar, Tiago Rodrigues, Stephen Ferreira, João Carlota, Nathan Brader, João Maria Pontes e Alexandre Abreu. 

Depois, na Segunda Fase em que "Figgy" foi o único português a seguir em frente, houve outros quatro portugueses a ficarem pelo caminho: Ricardo Melo Gouveia, Tomás Melo Gouveia, Tomás Santos Silva e Tomás Bessa.  

Destes, Ricardo Melo Gouveia irá poder jogar no Challenge Tour em 2020 como membro, depois de quatro épocas seguidas no European Tour. Os outros terão de contar com os convites do Team Portugal para poderem competir a espaços na segunda divisão europeia.

Mas a maratona ainda só vai a meio e para a Final (FEQET) que hoje começou, juntaram-se os jogadores que passaram a Segunda Fase da Escola, os que terminaram a Corrida para o Dubai entre as posições 116.ª e 145.ª (European Tour) e os que encerraram a Corrida para Maiorca entre os lugares 16.º e 45.º (Challenge Tour). 

É neste contexto que Filipe Lima está a jogar em Tarragona, a competir neste torneio pelo terceiro ano seguido, pois, apesar da vitória no Challenge da Finlândia em 2019, fechou a época no 20.º posto do ranking do Challenge Tour. 

«A Final da Escola é muito difícil. São seis voltas e não é possível fazer planos, a não ser dar o meu melhor», prometeu à Tee Times Golf o português residente em França, que começou a campanha com uma volta de 71 pancadas, a Par do mesmo Lakes Course em que jogou Pedro Figueiredo. Mas se "Figgy" está no top-25 de apuramento para o European Tour, Lima surge apenas no grupo dos 80.º classificados e tem muito para melhorar nos próximos cinco dias. 

Aliás, nestas duas primeiras voltas, os dois portugueses jogam juntos, ao lado do francês Romain Wattel, e até foram os primeiros a jogar neste torneio, que engloba 156 jogadores. 

E se hoje Lima, "Figgy" e Wattel atuaram no Lakes Course, amanhã (sábado) irão jogar no Hills Course, teoricamente o mais difícil dos dois, embora nesta primeira jornada não se tenha notado uma grande diferença nos resultados obtidos nos dois percursos. 

Nos primeiros quatro dias, os jogadores irão jogar duas voltas em cada campo e depois haverá um cut e só o top-70 irá apurar-se para as duas últimas voltas, já só realizadas no Hills Course. 

E desses 70 só 25 irão receber o tão desejado apuramento para o European Tour de 2020, com a Categoria 16, um pouco abaixo da Categoria 15 com que Ricardo Santos conseguiu regressar na semana passada ao European Tour, depois de fechar a época como o 10.º classificado no ranking do Challenge Tour. 

Como pode ver-se, a Final (FEQET) consiste em seis voltas de golfe em outros tantos dias. Um desgaste físico e emocional enorme, como não há outro exemplo no European Tour. 

«Ir ao European Tour é o objetivo», declarou Filipe Lima, que fez hoje 3 birdies como Pedro Figueiredo, mas também sofreu 3 bogeys. 

Lima completará 38 anos no final do mês e que já foi membro da primeira divisão europeia em sete épocas distintas. 

Para o campeão nacional de 2017 esta semana poderá mesmo ser vital para o futuro da sua carreira: «Estou numa fase em que estou a ficar… não digo velho, mas cansado, pois ando há 17 anos a fazer isto. É verdade que épocas como esta em que tive uma vitória e em que fiz uma última volta na Grande Final do Challenge Tour de grande nível… dá-me sempre aquele desejo de continuar, mas isto está cada vez mais difícil. Vamos ver que decisões tomarei depois sobre o que irei fazer no futuro».   

A Escola de Qualificação nasceu em 1976 e só por uma vez um português conseguiu passar ao European Tour por esta via. Tratou-se de Daniel Silva e não o fez por menos, pois sagrou-se mesmo campeão da prova, em 1990. Ainda hoje é considerado um dos maiores títulos na história do golfe português. 

Depois disso, só por duas vezes um português esteve quase a passar a Escola: Tiago Cruz e Ricardo Melo Gouveia, em 2007 e 2014, respetivamente, ficaram a apenas 1 desoladora e irritante pancada da subida de divisão! 

Hugo Ribeiro/Tee Times Golf em exclusivo para Record

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