Figgy no top-3 do Joburg Open em precisão de drive

Mesmo assim, o ex-campeão nacional sentiu falta de distância nas suas pancadas

• Foto: Shaun Roy / Sunshine Tour

Pedro Figueiredo cometeu a proeza de ser o terceiro melhor jogador, entre os 156 participantes do Joburg Open, na categoria estatística de precisão de drive.

O campeão nacional de 2013 atingiu o índice de 78,6% de fairways atingidos, superando em muito a média do torneio de 50,9% e igualmente melhor do que a sua própria média na temporada de 2020 de 55,7%.

"Figgy" foi ainda o 22.º jogador do "field" na categoria estatística de putts por greens em regulação com 1,8 putts, e o 24.º em greens em regulação, com 66,7%.

À partida, com números destes, seria de esperar uma classificação no top-30 deste torneio de um milhão de euros em prémios monetários, que contou simultaneamente para o European Tour e o Sunshine Tour, as primeiras divisões do golfe profissional na Europa e na África do Sul.

Como se explica, então, que o atleta do Sport Lisboa e Benfica tenha terminado no grupo dos 70.º classificados, com um total de 286 pancadas, 2 acima do Par do campo de Joanesburgo, após voltas de 72, 69, 73 e 72?

Pedro Figueiredo – o único português a passar o cut, com Ricardo Santos e Stephen Ferreira a serem eliminados após a segunda volta – não teve dificuldades em explicar a situação à Tee Times Golf em exclusivo para Record.

"Esta semana acertei bastantes fairways. Não sabia que tinha sido o 3.º nessa categoria, o que, para mim, é bastante positivo. Só que acho que, apesar disso, estava sempre bastante curto em relação aos outros jogadores", disse o profissional do Quinta do Peru Golf & Country Club.

"Os sul-africanos batem bastante longe. Aqui em Joanesburgo a bola voa bastante mais, pelo que essa diferença torna-se exponencial, e sentia que mesmo acertando fairways, havia buracos de Par-5 em que não chegava com 2 pancadas ao green e os outros jogadores sim. Também havia buracos de Par-4 em que tinha de jogar uma madeira-5 para o green e outros jogadores jogavam ferros 7 ou 8…. Foi um bocadinho por aí que não consegui tirar vantagem dos fairways que acertei", acrescentou o jogador de 29 anos.

"Confesso que os meus shots ao green também não estiveram tão consistentes como é habitual e não deixei a bola tão perto da bandeira como é costume. Daí não ter feito um resultado mais positivo", concluiu o profissional da Srixon.

Embora tenha sido a primeira vez que jogou o Joburg Open, porque em 2017, na última edição do evento, Pedro Figueiredo ainda militava no Challenge Tour e no Pro Golf Tour, a verdade é que já conhecia bem o Randpark Golf Club.

Em dezembro de 2018, num torneio a contar para a época de 2019, "Figgy" jogou neste percurso o Open da África do Sul e foi 48.º com um agregado de 1 pancada abaixo do Par. Já em janeiro deste ano, no mesmo Open nacional da África do Sul, no mesmo campo, falhou o cut e terminou no 77.º posto, com 3 abaixo do Par.

"É um grande campo, com muitos buracos bons. Os fairways são relativamente estreitos, tem alguns Par-4 compridos e há bons Par-3. No entanto, apesar de gostar bastante do campo, ele não se adequa completamente às minhas características porque beneficia mais os jogadores compridos, que chegam aos buracos de Par-5 com 2 pancadas e nos Par-4 mais curtos chegam ao green com 1 pancada", analisou.

Ora essa desvantagem de não ser dos jogadores que batem mais longe, foi ainda mais acentuada pelas condições meteorológicas com que se deparou no torneio: "No fim de semana o tempo esteve mais frio e chuvoso e o campo tornou-se mais molhado e (ainda) mais comprido. Nos dois primeiros dias esteve algum vento e calor".

O Randpark Golf Club é um percurso habitualmente complicado para Pedro Figueiredo. Jogou lá três torneios do European Tour e nunca conseguiu mais do que uma volta abaixo do Par em cada participação. Neste Joburg Open foi o cartão de 69 (-2) do segundo dia; em 2018 foi a primeira jornada de 67 (-4) e em janeiro último foi o 68 (-3) da ronda inaugural.

"Não foi uma semana fácil, nem achei o campo fácil. Não joguei mal em termos de consistência de jogo, mas nunca consegui fazer uma volta baixa, o melhor que fiz foram 2 abaixo e todas as outras voltas foram acima do Par", lamentou-se.

O Joburg Open só concluiu a sua segunda volta na terceira jornada e quando foi deitar-se, após o segundo dia, Pedro Figueiredo julgava que tinha sido eliminado, tal como Ricardo Santos e Stephen Ferreira. Afinal, no dia seguinte, soube que era preciso continuar a jogar mais dois dias.

"Quando acabei o jogo na sexta-feira à tarde e quando fui deitar-me achei que tinha falhado o cut, mas depois os jogadores que tinham de terminar a segunda volta no sábado de manhã fizeram alguns bogeys e tive a sorte de passar o cut. Confesso que não me causou muita ansiedade isto faz parte do golfe, não vale a pena sofrermos por antecipação", disse.

O prémio monetário de 1.648,79 euros, convertido em 3,7 pontos para a Corrida para o Dubai não lhe permitiu subir no ranking do European Tour e manteve-se no 196.º lugar.

Ricardo Santos integrou o grupo dos 91.º classificados no Joburg Open, com 143 pancadas, 1 acima do Par, após voltas de 72 e 71, e desceu na Corrida para o Dubai para o 201.º posto, perdendo 3 posições.

Stephen Ferreira continua a não aparecer na Ordem de Mérito do Sunshine Tour na época de 2020/2021, pois ainda não passou qualquer cut. Desta feita encerrou a prova em 149.º com 151 pancadas, 9 acima do Par, apresentando rondas de 74 e 77.

O Joburg Open foi ganho pelo dinamarquês Joachim B. Hansen, que conquistou o seu primeiro título do European Tour com 265 pancadas, 19 abaixo do Par, entregando cartões de 66, 68, 64 e 67.

O dinamarquês de 30 anos, que em 2015 foi o grande rival de Ricardo Melo Gouveia no Challenge Tour, embolsou 161.944,70 euros e qualificou-se para o torneio de encerramento da época de 2020, o DP World Tour Championship. É que o sucesso na África do Sul permitiu-lhe subir 59 posições para a 43.ª na Corrida para o Dubai.

Joachim B. Hansen bateu por 2 pancadas o sul-africano Wilco Nienaber (63+67+67+70).

O European Tour e o Sushine Tour prosseguem já na próxima quinta-feira com o Alfred Dunhill Championship, de 1,6 milhões de euros, no Leopard Creek Country Club, em Malelane, na África do Sul.

Voltarão a estar presentes Ricardo Santos, Pedro Figueiredo e Stephen Ferreira e a mudança do circuito europeu para o continente africano não implicou uma menor preocupação dos jogadores pelo contexto de pandemia em que continuar a competir.

"As normas de saúde são um bocadinho menos agressivas do que na Europa. Aqui também há normas para cumprir, mas sinto que não há tanta vigilância em relação a isso, só que os jogadores estão a cumpri-las ao máximo", garantiu Pedro Figueiredo.

Hugo Ribeiro / Tee Times Golf (teetimes.pt) para Record

Por Hugo Ribeiro
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