Leonor Bessa na Final da Escola de Qualificação após 5.º lugar em Marrocos

Objetivo é subir ao Ladies European Tour

• Foto: Direitos Reservados

O golfe nacional anda em êxtase com a presença garantida de dois jogadores no European Tour em 2019 – Ricardo Melo Gouveia e Pedro Figueiredo –, aos quais poderão juntar-se ainda Filipe Lima, Tiago Cruz e João Carlota, que vão jogar a Final da Escola de Qualificação. No entanto, tem passado algo despercebido ao público em geral o esforço de duas jogadoras portuguesas que tentam ascender ao Ladies European Tour (LET), igualmente a primeira divisão europeia, mas no setor feminino.
 
Se no ano passado foram Joana de Sá Pereira e Susana Ribeiro, em 2018 o assalto ao LET está a ser protagonizado por Leonor Bessa e a mesma Susana Ribeiro.
 
A tricampeã nacional de profissionais só irá jogar a Pré-Qualificação da Escola de Qualificação do LET no torneio B, de 7 e 10 de dezembro, no Amelkis Golf Club, em Marrocos.
 
Faz sentido Susana Ribeiro ter escolhido esta data porque antes disso irá ao Open de Espanha, de 22 a 25 de novembro, graças a um convite da Real Federação Espanhola de Golfe, que foi-lhe arranjado pelo ex-presidente da FPG, Manuel Agrellos.
 
Ora, se por acaso vencer esse torneio do LET de 300 mil euros em prémios monetários, subirá automaticamente ao LET e tornar-se-á desnecessário deslocar-se à Final da Escola de Qualificação, de 16 a 20 de dezembro, no Amelkis Golf Club e no PalmGolf Marrakesh Ourika.
 
Em contrapartida, Leonor Bessa competiu já no torneio A da Pré-Qualificação, também em Marraquéxe, que agora terminou e onde brilhou, pois chegou a andar no 2.º lugar e terminou num bom 5.º posto, apurando-se à vontade para a Final da Lalla Aicha Tour School, o nome oficial desta competição, em honra da princesa marroquina.
 
Leonor Bessa totalizou 289 pancadas, 1 acima do Par do PalmGolf Marrakesh Palmeraie, após voltas de 72, 69, 74 e 74. Foi a primeira vez que a bicampeã nacional amadora tentou a sua sorte na Escola de Qualificação e não se intimidou com a lista de 66 inscritas, 12 das quais amadoras, tendo sido a terceira melhor amadora em prova.
 
Apuraram-se para a Final 38 jogadoras e Leonor Bessa provou que está pronta para desafiar as profissionais europeias. No início deste ano anunciou que desejava passar a profissional mal lhe seja possível e deverá estar próxima essa mudança de estatuto.
 
Já houve ocasiões no passado em que deu mostras de não se amedrontar com as profissionais. Quando tinha apenas 16 anos foi 16.ª classificada no Açores Ladies Open, um torneio do LETAS, a segunda divisão europeia.
 
Na altura foi a melhor classificação de sempre de uma portuguesa na prova, marca depois disso superada por Susana Ribeiro e Joana de Sá Pereira.
 
E aos 18 anos obteve o melhor resultado do Campeonato Nacional PGA Solverde, não recebendo o título de campeã nacional por ser ainda amadora.
 
Agora, com 20 anos, sente-se pronta para uma mudança importante na sua carreira, tendo também suspendido os estudos universitários em jornalismo.
 
Talento para o golfe não lhe falta e a ambição é grande, como se vê pelo facto de ter ficado satisfeita pela passagem à Final da Escola mas, por outro lado, ter sentido que poderia ter feito ainda melhor.
 
«O balanço é claramente positivo, mas depois daqueles dois primeiros dias fiquei com as expectativas em alta. Acho que estes dois últimos dias poderiam ter corrido um bocadinho melhor e se calhar poderia ter lutado pelo primeiro lugar, mas estou consciente de que o objetivo está cumprido e o que interessa é que passei à Final e agora tenho um mês para preparar-me», disse à Tee Times Golf em exclusivo para Record.
 
«Decidi jogar esta Escola de Qualificação porque quero ir para o Ladies European Tour e esta parece-me ser a via mais acessível, aliás, a única. E escolhi esta fase (torneio A) por ser a primeira e por ser um pouquinho mais espaçada da Final», acrescentou.
 
Esta questão de ter tempo para recuperar fisicamente é importante. A Final da Escola provoca um enorme desgaste físico e emocional, sobretudo para quem irá lá competir pela primeira vez, e Leonor Bessa pensa jogar ainda antes da Final o Campeonato Nacional PGA Solverde: «Será uma boa competição para preparar a Final, mas é claro que a expectativa é sempre jogar para ganhar».
 
Quem vê Leonor Bessa repara imediatamente que perdeu vários quilos, mas isso não parece ter diminuído a eficácia do seu jogo. Mudanças drásticas de peso implicam por vezes alguma descoordenação inicial no swing, mas não foi o caso e em Marrocos manteve o seu estilo agressivo, convertendo 15 birdies em quatro dias.
 
«Tenho apostado muito no trabalho na parte física e ainda posso melhorar», assegurou a jogadora do Club de Golf de Miramar, que teve um apoio familiar imprescindível para poder jogar a Escola de Qualificação, que implica despesas elevadas de inscrição, viagens, alojamento e alimentação.
 
«É mesmo um investimento familiar, porque o financiamento foi "paitrocínio" e "mãetrocínio". Neste momento não tenho qualquer patrocínio ou ajuda», esclarece Leonor Bessa, que contou com a ajuda essencial do seu irmão, Tomás, no papel temporário de caddie, dado ser ele próprio um profissional da PGA de Portugal, competindo em Portugal e no estrangeiro.
 
«Escolher o meu irmão como caddie foi a melhor opção que poderia ter. Damo-nos muito bem e ele foi excelente comigo a todos os níveis, no campo, fora dele, em tudo. Já lhe disse que está contratado», considerou a jovem jogadora, sabendo que não poderá contar com o Tomás para a Final: «Ele ajudou-me imenso em muitas fases do jogo. Infelizmente não poderá estar comigo na Final porque tem outra competição e espero arranjar alguém que, mesmo que não tenha as competências dele, encaixe bem comigo, que me ajude, que faça sentir-me bem e que me acompanhe nessa semana, que a nível emocional é dura».

Mais agradecimentos
 
Nas redes sociais, Leonor Bessa fez ainda mais alguns agradecimentos: «Obrigada ao meu treinador Nelson Ribeiro (o selecionador nacional) por nunca desistir de mim. Obrigada ao CMEP por possibilitar-me treinar a condição física nas melhores instalações e ao André Silva Guimarães por fazer-me acreditar que é possível superarmo-nos todos os dias. Obrigada à Norgolfe e ao Rui Coelho por apoiar-me com estas roupas espetaculares da Nike. Obrigada ao Club de Golf de Miramar por todo o apoio. E por fim a todas as outras pessoas que, com as suas mensagens, confortam-me e motivam-me. Saio daqui com mais valor, com mais vontade de treinar e com mais certeza de que é este o caminho».
 
A bicampeã nacional amadora ficou a apenas 5 pancadas da vencedora no no PalmGolf Marrakesh Palmeraie, a sul-africana Nobuhle Dlamini, que agregou 284 (70+69+74+71), -4.
 
Dlamini é uma jogadora da Suazilândia que bate bem longe e que somou a sua segunda vitória como profissional. «Sinto-me mesmo bem porque já há algum tempo não ganhava nada», disse. O seu primeiro título fora em março, no SuperSport Ladies Challenge do Sunshine Ladies Tour.
 
Antes disso, como amadora, vencera o Sanlam SA Women’s Amateur Championship em 2009 e o Sanlam SA Stroke Play em 2012.
 
Dlamini ofereceu a si própria um presente antecipado de aniversário e celebrou já no avião, de regresso a casa, com o troféu nas mãos, os seus 27 anos.
 
A sul-africana irá, assim, rivalizar com Leonor Bessa na Final da Escola onde o top-5 recebe a Categoria 5c para o Ladies European Tour em 2019. As jogadoras que terminarem entre as posições 6.ª e 25.ª também acedem à primeira divisão europeia com a Categoria 8ª. As restantes, fora do top-25, ficam aptas para o LETAS, a segunda divisão em 2019.
 
Autor: Hugo Ribeiro/Tee Times Golf

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