Lima e Santos empatados em 33.º rezam pela recuperação

25.ª Grande Final do Challenge Tour

Filipe Lima e Ricardo Santos tiveram um arranque modesto nesta quinta-feira, na 25.ª Grande Final do Challenge Tour, uma prova com ligações históricas a Portugal.
 
Graças à visão do empresário João Lagos e de apoios público-privados, foi no nosso país que realizaram-se as suas primeiras quatro edições, na Quinta do Peru em 1995 e 1996, no Montado em 1997 e em Belas em 1998.
 
Nessa altura os portugueses não participavam, mas muito mudou e na última década só houve quatro edições sem portugueses, sendo que, Ricardo Melo Gouveia até fez história em 2015, ao vencer a Grande Final em Omã, terminando a época como o n.º1 do ranking do Challenge Tour. Uma dobradinha inolvidável.
 
Este ano há dois portugueses, o que sucede pela terceira vez nos últimos quatro anos, uma prova da subida do nível médio dos nossos profissionais.
 
Ricardo Santos e Filipe Lima vinham com grandes esperanças para o torneio de 420 mil euros em prémios monetários, que visita Espanha pela primeira vez, depois de ter passado por Portugal, Cuba, França, Itália, Dubai, Omã e Ras Al Khaimah.
 
O Club de Golf de Alcanada é um dos 21 campos existentes na principal ilha balear está a revelar-se um teste bem mais duro do que muita gente pensou.
 
«O número que tenho de visar para ganhar é de 5 pancadas abaixo do Par por dia», tinha dito na quarta-feira o espanhol Carlos Pigem, de 29 anos, que, afinal, acabou por cumprir a primeira volta em 75 pancadas, 4 acima do Par, empatado, entre outros, com os portugueses Fiipe Lima e Ricardo Santos, numa modesta 33.ª posição, entre 45 participantes.
 
Também no dia do Pro-Am, dois dirigentes do Challenge Tour confessavam-nos que era preciso que o vento soprasse durante o torneio para evitar que houvesse um campeão com resultados muito baixos, porque o campo precisava de vento para defender-se. Um deles disse-me mesmo que «temos de evitar ter um campeão com 20 abaixo do Par».
 
Talvez por isso a antiga estrela finlandesa do European Tour, Mikko Ilonen, explicava num vídeo para as redes sociais, antes de o torneio começar, que tinham-se estudado vários tees por buraco, de acordo com a posição das bandeiras, para que o campo não fosse nem demasiado fácil nem difícil.
 
Afinal, como admitiu já no final desta quinta-feira Rhys Enoch, «acho que não percebemos como o campo iria ser tão traiçoeiro. Como o vento estava calmo, pensei que iríamos ter resultados baixos».
 
E o galês de 31 anos nem pode queixar-se muito. As suas 69 pancadas, 2 abaixo do Par, colocam-no no 2.º lugar, empatado com o espanhol Sebastian Garcia Rodríguez, só 1 ‘shot’ atrás do líder, o italiano Francesco Laporta, o recente campeão em Hainan, na China.
 
Laporta conseguiu a proeza de converter 5 birdies, algo raro numa primeira volta em que só sete jogadores bateram o Par-71 do campo desenhado por Robert Trent Jones Jnr. E temos aqui a elite do top-45 do Challenge Tour.
 
«As condições são provavelmente as melhores que tivemos no ano inteiro em termos de dificuldade. Está tão duro que sinto ser semelhante à exigência do European Tour», declarou o espanhol Garcia Rodríguez, de 30 anos.
 
De manhã, quando a prova começou, não havia praticamente vento, mas ele já soprava bem forte quando os últimos grupos chegaram. A chuvada que caiu ao final da tarde já não apanhou ninguém em campo, mas para a segunda volta de sexta-feira prevê-se uma trovoada matinal.
 
«Até sem vento poderia ser feio», contraria Filipe Lima, em declarações à Tee Times Golf (teetimes.pt), em exclusivo para Record.
 
«Os resultados baixos conseguem-se em campos em que os Par-5 são curtos e aí fazem-se muitos birdies. Aqui não se chega ao green com duas pancadas nos Par-5; mesmo alguns Par-4 necessitam de um ferro-5 na segunda pancada e os Par-3 são todos compridos. Onde vamos fazer os birdies?», perguntava-se o português residente em França que, realmente, só meteu 2 birdies, tendo sofrido 6 bogeys.
 
«Gostaria de saber quem foi que disse isso», comentou algo incrédulo Filipe Lima. «Desde o primeiro dia que cheguei aqui que já sabia que isto iria ser assim, porque os greens estão difíceis de se ler, estão rápidos, o campo não é fácil. Quem disse isso estava com muita confiança».
 
Ricardo Santos concorda totalmente com o seu compatriota: «Visto de fora talvez pareça fácil, mas, na realidade, o campo não é nada fácil, já o tinha dito ontem. E isso vê-se pelos resultados. Se fosse fácil o líder não ia com 3 abaixo do Par, tendo em conta que estão aqui os 45 melhores do Challenge Tour».
 
O algarvio também só conseguiu 2 birdies, mas sofreu 2 duplos-bogey e 2 bogeys.
 
Ricardo Santos tem 37 anos e Filipe Lima quase 38, ambos competiram várias épocas no European Tour, ao mais alto nível, têm talvez mais experiência do que muitos dos seus rivais esta semana e por isso perceberam, assim que chegaram a Maiorca, que a tarefa seria de monta.
 
Os antigos internacionais portugueses na Taça do Mundo tiveram algumas semelhanças nas suas prestações de hoje, para além de cada um só ter fechado 2 birdies e de terem apresentado o mesmo resultado de 4 acima do Par, para o tal 33.º posto.
 
Ambos terminaram as suas voltas com 1 birdie no buraco 18 para recuperarem a esperança de melhores exibições nos próximos três dias, e ambos perderam pancadas nos buracos 2 e 16. Também nenhum deles conseguiu birdies nos três buracos de Par-5 do campo sinuoso, de vistas deslumbrantes sobre o Mediterrâneo.
 
Note-se que o buraco 2 – onde Santos fez 1 duplo com um putt falhado de 60 centímetros, com a bola a desviar-se pela granulação do green, e Lima fez 1 bogey – foi o terceiro buraco mais difícil do dia. Só permitiu 2 birdies e penalizou com 14 bogeys e 2 duplos. E o 16, onde os portugueses voltaram a perder 1 pancada cada um, foi o segundo buraco mais difícil, com 2 birdies, 18 bogeys e 1 duplo-bogey.
 
Essas foram as semelhanças. De resto, Lima – 22.º na Corrida para Maiorca, a necessitar de terminar no top-15 desse ranking para subir ao European Tour – jogou inicialmente com pouco vento, esteve praticamente perfeito do tee ao green, mas desinspirado no putt, como o próprio reconheceu.
 
«Não fiz erros nenhuns, mas falhei muitos putts curtos e fiz muitos 3-putts, daí os bogeys. É todas as semanas a mesma coisa. Acho que hoje não vou treinar o putt. Se quanto mais treino pior é, vamos ver ao contrário», disse o campeão nacional de 2017 que perdeu pancadas no 2, 4, 8, 9, 13 e 16 e ganhou pancadas no 5 e no 18. Lima tinha ficado a treinar putts até anoitecer na quarta-feira e decidiu mudar a rotina na quinta-feira, até porque sempre foi um jogador de sensações.
 
Já Santos – 8.º no ranking do Challenge Tour e com a subida de divisão assegurada – apanhou pela frente um vento considerável, mais frio, e apesar do tal putt de 60 centímetros falhado no buraco 2, não foi pelo putt que mais se penalizou. Até meteu alguns bons putts como o do 18, de 5 metros, para birdie. No seu caso, como também frisou, foi mais a aproximação à bandeira que o prejudicou, esse que muitas vezes é um dos seus pontos fortes.
 
«Com este vento torna-se bastante difícil o shot ao green. Não é que tenha jogado muito mal, falhei um drive no buraco 7 à esquerda e perdi a bola. Há certos shots com estes greens que não consigo perceber. Há bastante grain na relva, umas vezes a favor, outras contra. Se a bola bate contra para logo no green, se bate a favor não para e isso torna a nossa tarefa bastante difícil, porque as tiras de relva são estreitas e acertar na tira correta é complicado. (…) Aqui a dificuldade é mesmo o shot ao green, os chips e também os putts», detalhou o campeão nacional de 2011 e 2016, que fez os duplos-bogey  no 2 e 7, os bogeys no 10 e 16, não compensados pelos birdies no 12 e no 18.
 
Se a Grande Final acabasse agora, Lima terminaria a época no 26.º lugar do ranking do Challenge Tour, fora do top-15 de apuramento, enquanto Santos fecharia a temporada no 11.º posto, muito longe do n.º1 em que chegou a pensar. Mas há ainda três dias pela frente e a esperança é a última a morrer.
 
«Foi um bom-mau dia – brinca Santos com o aparente paradoxo – porque depois de ir com 4 acima do Par ao final de sete buracos, tendo em conta o campo e o vento, ser capaz de terminar com +4… por esse prisma foi positivo. E terminar com um bom Par no 17 e 1 birdie no 18 é motivador para não acabar com um resultado muito mau. Este +4 é recuperável, visto que o líder só vai com -3».
 
Já Lima apela à sua fé: «É rezar e ter a ajuda de Deus… é a única coisa que posso fazer agora».
 
Amanhã, na segunda volta, Santos e Lima saem muito cedo, logo às 8h52, o terceiro grupo da jornada, ao lado do francês Grégory Havret, um antigo vice-campeão do US Open.
 
Autor: Hugo Ribeiro / Tee times Golf, em exclusivo para Record

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