Lima e Santos no Campeonato Europeu em Glasgow

Gouveia declina, 'Figgy' desiste, Susana impedida

• Foto: Filipe Guerra

Filipe Lima e Ricardo Santos vão reeditar a partir desta quarta-feira, na Escócia, nos novos Campeonatos da Europa de Golfe por Equipas, a dupla que em 2013 ficou classificada em 17.ª na Taça do Mundo de profissionais, em Melbourne.

A primeira edição do European Golf Team Championships integra o programa mais alargado do novo conceito de Campeonatos da Europa que, em cada quatro anos, passarão a agregar as modalidades de atletismo, ciclismo, desportos aquáticos, ginástica, remo, triatlo e golfe, este ano distribuídas por Glasgow e Berlim.

Se a presença de Filipe Lima não é uma surpresa, dado ser atualmente o segundo melhor português no ranking mundial (341.º, tendo melhorado 16 posições pelo 7.º lugar na Suécia, no Domingo), já a convocação de Ricardo Santos é algo inesperada, na medida em que o antigo top-10 europeu é hoje em dia o n.4 português (738.º do mundo).

À frente de Ricardo Santos estavam ainda Pedro Figueiredo (276.º golfista mundial, tendo subido 13 lugares pelo 10.º lugar na Suécia) e Ricardo Melo Gouveia (antigo top-100 e atual 497.º).

Simplesmente, ao contrário do que sucede com os Europeus para amadores, nem as federações de golfe, nem as PGA’s dos vários países foram contactadas para fazerem as convocatórias das suas seleções. Nestes Europeus para profissionais, o European Tour (circuito masculino) e o Ladies European Tour (circuito feminino) contactaram diretamente os jogadores e o critério foi unicamente o ranking mundial.

Ora Ricardo Melo Gouveia, o único português que em 2018 é membro do European Tour, explicou à Tee Times Golf porque nem se inscreveu: «Decidi não ir porque vou ter uma série grande de torneios. Serão cinco em seis semanas e se jogar o KLM Open serão seis seguidas».

Como o português residente em Inglaterra está apenas no 126.º posto da Corrida para o Dubai, necessita de estar no máximo da sua forma nessas seis semanas para conseguir entrar no top-100, terminar a época nessa elite e manter-se no European Tour em 2019. Há muito em jogo nessas seis semanas para ele.

O caso de Pedro Figueiredo foi diferente. O n.º1 português foi contactado pelo European Tour e inicialmente disse que iria jogar ao lado de Lima, mas depois mudou de opinião: «Tinha ideia de jogar com o Lima e estava inscrito, mas decidi poupar-me esta semana e focar-me a cem por cento no Challenge Tour. O descanso e o treino também fazem parte da época e achei ser mais sensato, apesar de ter muita pena, porque jogar por Portugal é sempre um prazer e um orgulho».

As decisões de "Figgy" e Melo Gouveia beneficiaram Ricardo Santos que aceitou imediatamente jogar pela seleção nacional, até porque, não podemos esquecer, este Europeu na Escócia oferece 550 mil euros em prémios, mais do que qualquer torneio do Challenge Tour em 2018.

«Sim, é verdade que todos os participantes garantem prémios à partida, tal como na Taça do Mundo e os vencedores ganham 200 mil euros, mas, para mim, é sempre bom representar Portugal, ainda mais na primeira edição de um Europeu. Já tinha jogado Europeus por Portugal como amador, mas não enquanto profissional. Foi uma boa surpresa ser chamado e claro que quero sempre jogar os bons torneios», esclareceu Ricardo Santos à Tee Times Golf.

O algarvio não está a viver uma boa época no Challenge Tour, com apenas seis cuts passados em 13 torneios disputados. Obteve um bom resultado em junho, quando foi 3.º no Hauts de France Golf Open, mas é o seu único top-20 em 2018 e é o 73.º classificado na Corrida para Ras Al Khaimah.

Vai precisar de um grande final de temporada para poder chegar ao top-15 do Challenge Tour e subir ao European Tour. Filipe Lima acredita que estes novos Campeonatos da Europa de Golfe por Equipas poderão ser bastante importantes para o seu parceiro e funcionar como uma rampa de lançamento.

«O Ricardo precisa de jogar e de recuperar a confiança. Ora este formato de match-play e em betterball pode ser-lhe favorável porque ele bate muito bem na bola. Quem sabe se ele até não assume às tantas o papel de patrão da equipa e ganha motivação? Eu acho que se isso acontecer temos equipa para ganhar isto», declarou Filipe Lima, que também tem um estilo talhado para o match-play.

Com esta presença em Glasgow, no PGA Centenary Course de Gleneagles, onde a Europa venceu uma Ryder Cup, Filipe Lima torna-se no único profissional de golfe português a ter estado presente em Mundiais (várias presenças na Taça do Mundo desde 2005), Jogos Olímpicos (Rio de Janeiro 2016) e Europeus (Glasgow 2018).

«Já tinha previsto esta participação. Para mim, representar Portugal é uma prioridade e é uma honra estar em Mundiais, Europeus e Olímpicos», assegurou. Este ano já tinha dado provas disso, quando optou por jogar o Open de Portugal do Challenge Tour, em vez de um torneio do European Tour em que tinha entrada por considerar fundamental «apoiar o Open nacional», onde se sagrou vice-campeão, um novo recorde nacional.

Se em Melbourne 2013, a Taça do Mundo fez uma experiência não muito bem-sucedida de colocar os dois jogadores de cada país separados, nestes Europeus de Glasgow, pelo contrário, vai jogar-se a pares. «Desta vez jogaremos juntos», frisou, agradado, Ricardo Santos.

Com efeito, como explicou um press release da Federação Portuguesa de Golfe, no torneio masculino destes Europeus há «16 pares de 11 nações, sendo que a Grã-Bretanha entra com três duplas e Itália, Espanha e Suécia com duas. As 16 equipas começam por ficar divididas em grupos de quatro, defrontando-se entre si em round robin (todas contra todas), em partidas de match-play fourball (betterball), com dois pontos a serem atribuídos à vencedora de cada uma e meio ponto em caso de empate.

«Portugal integra o Grupo C, com Espanha 1 (Scott Oriol e Pedro Fernandez), Dinamarca (Martin Ovesen e Niklas Norgaard Møller) e Polónia (Adrian Meronk e Mateusz Gradecki). Esta quarta-feira, na jornada inaugural, o conjunto nacional defronta Espanha 1 a partir das 10h30.

«O Grupo A conta com Grã-Bretanha 1, Espanha 2 e Suécia 1 e 2. O Grupo B está com Grã-Bretanha 1 e 2, Itália 2 e Irlanda. E o Grupo D tem Itália 1, Noruega, Islândia e Bélgica.

«No final das jornadas de sexta-feira, as primeiras classificadas de cada grupo seguem em frente para as meias-finais de domingo, em foursomes, a que se seguem, no mesmo dia, a final e o encontro para a medalha de bronze».

Estes Europeus pretendem atingir vários objetivos, entre eles, o reforço da identidade europeia e a luta pela igualdade de género. É por isso que o enfoque no desporto feminino é tão acentuado como no masculino e a competição de golfe conta também com uma prova feminina e até com um torneio misto.

Se o torneio tivesse nascido em 2017, Portugal teria podido participar também com jogadoras, dado Joana de Sá Pereira e Susana Ribeiro terem estado razoavelmente bem classificadas nos rankings mundiais e europeus. Mas neste momento só Susana Ribeiro tem categoria no Ladies European Tour (LET) para ser convocada pelo circuito europeu feminino.

«Tentei jogar e inscrevi-me, mas da parte do LET informaram-me que não poderia jogar porque teria que haver outra jogadora portuguesa para eu poder participar. Infelizmente sou a única portuguesa com categoria no LET. E, para piorar, não participando na categoria de pares femininos não posso também participar nos pares mistos», elucidou Susana Ribeiro, a tricampeã nacional, à Tee Times Golf.

A carreira de Joana de Sá Pereira – que ainda é a melhor portuguesa no ranking mundial (995.ª) – é uma incógnita. Nos últimos meses, que se saiba, só jogou em Inglaterra a pré-qualificação do British Open.

No entanto, daqui a quatro anos, pode ser que Susana Ribeiro tenha parceira para jogar os Europeus, uma vez que Leonor Bessa, a campeã nacional amadora, pretende tornar-se profissional brevemente.

Por Hugo Ribeiro
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