Miguel Gaspar fecha época internacional com top-10 em Itália  

Mantém-se no Alps Tour Golf de 2021, juntando-se a Tomás Bessa, Vítor Lopes e Tomás Silva

• Foto: Octávio Passos

Miguel Gaspar guardou o melhor para o fim e no seu último torneio internacional do ano alcançou a sua melhor classificação do ano, e logo quando mais importava pois em causa estava a manutenção no Alps Tour Golf, uma das terceiras divisões do golfe profissional europeu.
 
«Foi uma época muito má a nível internacional. Não joguei, nem de perto, aquilo que consigo fazer. Não sei explicar, mas há vários fatores que já estou a trabalhar há mês e meio, principalmente o físico», disse, com sinceridade, à Tee Times Golf, em exclusivo para Record, depois de ter sido 10.º classificado na Final da Escola de Qualificação do Alps Tour Golf, empatado com o espanho Eduard Rousaud.
 
No início da semana, Miguel Gaspar dissera-nos que o seu objetivo consistia em terminar a prova disputada nos arredores de Roma no top-35, de modo a obter a Categoria-6 do Alps Tour Golf e poder entrar em todos os torneios de 2021.
 
A melhor categoria que o profissional do Belas Club de Campo alguma vez ostentou foi a 9, mas, desta feita, atingiu mesmo o nível 6, graças a um resultado final de 215 pancadas, 1 abaixo do Par, após voltas de 74 no Terre dei Consoli Golf Club, e de 70 e 71 no Golf Nazionale.
 
Pelo contrário, o campeão nacional amador, Pedro Lencart, foi eliminado após a segunda volta e não logrou a desejada Categoria 6 (nem sequer a 9) para 2021.
 
Lencart, o também vice-campeão nacional absoluto, terminou a prova no 100.º lugar entre 144 jogadores, com 154 pancadas, 10 acima do Par, após voltas de 75 ao Terre dei Consoli Golf Club e de 79 ao Golf Nazionale.           
 
A última volta (71) de Miguel Gaspar foi o sexto melhor resultado do dia entre os 73 jogadores que passaram o cut, permitindo-lhe o segundo top-10 da carreira no Alps Tour Golf, depois do 2.º lugar do Open da Andaluzia de 2018.
 
Modesto, como é seu hábito, o português de 29 anos especificou que não considera bem esta a sua melhor prestação de sempre: «Este não foi bem um torneio, foi uma qualificação para um conjunto de torneios nos quais quero competir no próximo ano».
 
No entanto, saiu de Itália «Satisfeito por ter cumprido o objetivo que era o top-35 para ter categoria máxima».
 
«Joguei bem nos primeiros dois dias, apesar de no primeiro estar muito difícil. Não converti os putts que deveria para estar logo lá em cima (na classificação). Na última volta joguei muito seguro. Tinha o objetivo de fazer uma volta tranquila abaixo do Par para garantir o top-35 e consegui», analisou, referindo-se aos fortes ventos da primeira volta, ao contrário do bom tempo nos dois dias seguintes.
 
E poderia ter sido ainda melhor, não fossem os bogeys seguidos nos buracos 16 e 17, os únicos do dia, num torneio em que fez 9 birdies e 8 bogeys.
 
«Sim, no último dia ia a jogar muito sólido, com birdies nos buracos 10, 13 e 15. No 16 tinha um putt de 5 metros para birdie e fui muito agressivo, passei o buraco por 1 metro e depois voltei a falhar. No 17 falhei o shot ao green e não consegui salvar o Par. Felizmente tinha feito bons buracos antes, por isso, não houve estragos graves», admitiu.
 
Não admira que Miguel Gaspar tenha feito melhores resultados nas duas últimas voltas. Aliás, jogar duas voltas seguidas abaixo do Par em torneios do Alps Tour Golf foi apenas a segunda vez em 2020.
 
O vento forte do primeiro dia foi a principal razão, mas também é verdade que o profissional da Srixon já conhecia o Golf Nazionale, enquanto no Terre Dei Consoli fez a sua estreia.
 
«O Terre Dei Consoli é o campo mais acessível dos dois, muito largo, mas comprido. Só que esteve mesmo muito vento, daí os resultados no primeiro dia mal terem sido baixos. O Golf Nazionale é mais difícil, mas o tempo esteve perfeito, com sol e sem vento. O campo é muito exigente do tee, é penalizante se não estivermos bem. Eu, apesar de não ter estado bem do tee, também não estive mal e limitei-me a colocar a bola em jogo, para depois focar-me em dar bons shots ao green. Consegui fazer isso tudo a um bom nível nessas duas voltas», observou Miguel Gaspar.
 
Foi a terceira vez nas últimas duas épocas que um português fez um top-10 na Final da Escola de Qualificação do Alps Tour Golf, depois de, na temporada transata, terem sido Tiago Cruz e Tomás Bessa, com destaque para o 2.º lugar deste último, numa qualificação disputada em Málaga.
 
Em 2021 teremos, assim, Miguel Gaspar no Alps Tour Golf, onde Tomás Bessa, Vítor Lopes e Tomás Silva também marcarão presença, sem necessidade de disputarem esta Escola de Qualificação, uma vez que terminaram todos no top-20 da Ordem de Mérito do circuito em 2020.
 
Miguel Gaspar conta ainda jogar dois torneios este ano, mas a nível nacional: o torneio da PGA de Portugal, no final deste mês, no Amendoeira Golf Resort, e a Taça Manuel Agrellos.
 
A nível internacional, fechou agora uma época em que jogou no Portugal Pro Golf Tour, no European Tour e no Alps Tour Golf.
 
No Portugal Pro Golf Tour foi o 17.º do ranking, com apenas dois top-10. No European Tour falhou o cut, tanto no Portugal Masters como no Open de Portugal at Royal Óbidos. No Alps Tour Golf jogou seis torneios, incluindo esta Final da Escola de Qualificação, e só por duas vezes acabou abaixo do Par, passando o cut em três ocasiões.
 
«Este ano não estive bem nos torneios internacionais é verdade, mas não foi por um aspeto específico. Na próxima época vou estar muito melhor preparado, fisicamente, tecnicamente e com um planeamento adequado. É importante aprender com os erros e tenho a certeza de que, na próxima época, vai aparecer um Miguel Gaspar muito mais preparado para lutar por vitórias internacionais», assegurou.
 
Treinado no Algarve pelo ex-selecionador nacional Sebastião Gil e enquadrado na equipa de gestão de carreiras da GreatGolfe do "superagente" do golfe nacional, Pedro Lima Pinto, Miguel Gaspar dispõe ainda de atributos técnicos evoluídos. Sente-se que só precisa de acreditar mais, de ser mentalmente mais forte, para subir alguns patamares qualitativos.
 
Não é por acaso que a nível interno, onde sente-se mais confortável – apesar da forte concorrência dos jogadores nacionais do European Tour, Challenge Tour, ProGolf Tour e Alps Tour –, foi 2.º classificado em 2019 e 3.º em 2020 no Solverde Campeonato Nacional PGA, respetivamente no Oporto Golf Club em Espinho e no Vidago Palace Golf Course, dois campos completamente diferentes.
 
A Final da Escola de Qualificação do Alps Tour Golf foi ganha por três jogadores empatados com 209 pancadas, 7 abaixo do Par: o amador francês David Ravetto (74+69+66), e os profissionais Philip Bootsma (73+69+67) da Holanda e Blaire McKeithen (70+67+72) dos Estados Unidos da América.          
 
Hugo Ribeiro / Tee Times Golf (teetimes.pt) para Record

Por Hugo Ribeiro
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Golfe

Notícias

Notícias Mais Vistas

Copyright © 2020. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.