Miguel Gaspar vice-campeão do Alps de Andalucia

Português embolsou 4.728 euros em prémios

Uma semana depois de Pedro Figueiredo ter conquistado um torneio do Challenge Tour, um dos seus melhores amigos, Miguel Gaspar, alcançou neste sábado a melhor classificação da sua carreira profissional em torneios internacionais, ao sagrar-se vice-campeão do Alps de Andalucia, o torneio de 48 mil euros de prémios monetários, que decorreu durante três dias nos arredores de Huelva.

É um torneio do Alps Tour Golf, uma das terceiras divisões do golfe profissional europeu e o top-5 da Ordem de Mérito deste circuito no final da temporada ascende ao Challenge Tour 2018, a segunda divisão europeia.

O profissional de Belas, que agora treina na Quinta da Ria, liderou a prova após uma primeira volta em 66 pancadas, 6 abaixo do Par do La Monacilla Golf, e nos dias seguintes, com rondas de 72 e 70 manteve-se sempre na luta por um eventual primeiro título que se lhe escapou por escassas 2 pancadas.

"Estou um pouco triste porque senti que tinha uma boa oportunidade, mas o golfe é assim mesmo. Sinto-me muito bem com o meu jogo em geral. Joguei muito bem no primeiro dia, não cometi nenhum erro. Não joguei lá muito bem no segundo dia e hoje foi quase igual, não bati muito bem na bola", disse o português de 26 anos ao Gabinete de Imprensa do Challenge Tour.

"Jogámos num grande campo! Bom desenho, onde é importante estar bem do tee para ter oportunidades", acrescentou.

Ganhou o francês Alexandre Daydou (68+72+66), oriundo Da Ilha Reunião. Daydou já tinha perdido dois play-offs neste circuito e finalmente chegou ao título, arrecadando um prémio de 6.960 euros, para saltar de 19.º para 4.º na Ordem de Mérito, atrás do espanhol David Bordá (o campeão do Obidos International Open), do francês Louis Boyer e do n.º1, o inglês Marcus Mohr.

Miguel Gaspar, ao assegurar o 2.º lugar isolado, entre 131 participantes, embolsou 4.728 euros e deveria ter saltado para o 12.º do ranking, mas não é membro deste circuito, pelo que esta participação no torneio organizado por Javier Gervás permite-lhe, sobretudo, angariar mais experiência profissional, tendo em vista outros objetivos.

"Como só tive este convite esporádico (para o Alps Tour Golf), visto que estou a jogar no Challenge Tour, também por convite, não me fiz membro", explicou (em exclusivo para Record) à Tee Times Golf.

Profissional desde 2013, Miguel Gaspar foi daqueles jogadores que sentiram mais agudamente a difícil transição da carreira de amador para a de profissional.

Contemporâneo de Ricardo Melo Gouveia e Pedro Figueiredo, com quem disputou o Campeonato do Mundo Amador (Eisenhower Trophy) ao serviço da seleção nacional da FPG, foi sempre um dos melhores da sua geração, tendo mesmo ganho a Taça FPG, um dos Majors amadores nacionais.

Mas como profissional, mesmo parando os seus estudos para dedicar-se ao golfe, mesmo dedicando-se a fundo, ao ponto de acordar bastas vezes de madrugada para treinar, e apesar de possuir um dos swings mais bonitos do golfe nacional, o certo é que os resultados tardavam em aparecer.

Começou a sentir-se algo de diferente no seu jogo no final da época transata e esta temporada os resultados foram surgindo aos poucos. No Portugal Pro Golf Tour, o circuito satélite internacional que poderemos grosseiramente categorizar como uma das muitas quartas divisões europeias, entre novembro e abril, Miguel Gaspar terminou abaixo do Par em 12 torneios (1.º Royal Obidos Classic, 1.º Amendoeira Resort Classic, 1.º, 2.º, 3.º e 4.º Penina Classic, 1.º Morgado Classic, 1.º, 3.º, 4.º e 5.º Palmares Classic, 2.º Pinheiros Altos Classic).

No evento de abertura do PGA Portugal Tour de 2018, no Optilink PGA Open, fez 7 abaixo do Par e há poucos dias, no segundo torneio deste circuito profissional português, no Axis PGA Open, foi 3.º classificado a Par do campo de Ponte de Lima.

As indicações estavam todas lá e mais tarde ou mais cedo viria um grande resultado como este alcançado em Espanha. Quando já quase ninguém falava dele, Miguel Gaspar recordou-nos que continua a ter um jogo lindo e cada vez mais competitivo. Mas a que se deve esta metamorfose?

"A grande diferença é que desde março de 2017 comecei a ser treinado pelo Sebastião Gil e a treinar na Quinta da Ria", elucida.

"Em Belas tenho as melhores condições possíveis em Lisboa, mas aqui, na Quinta da Ria (entre Tavira e Vila Real de Santo António) tenho as melhores do Algarve e consigo estar diariamente mais focado no meu trabalho", acrescenta.

Curiosamente, uma opção tomada há um ano e meio por Pedro Figueiredo, quando, no pico de uma crise de confiança, residiu temporariamente no Algarve por considerar que se respirava ali um ambiente mais propício para a concentração total na sua carreira.

"O Sebastião Gil, com o seu feitio, faz-me melhorar como jogador e como pessoa", acrescentou Miguel Gaspar, que no último Open de Portugal @ Morgado Golf Resort, em declarações ao Gabinete de Imprensa da PGA de Portugal, já tinha aflorado o tema.

"Evoluí muito com o David Llewellyn (o treinador galês que tem orientado vários portugueses, incluindo os seus amigos 'Figgy' e 'Melinho'), mas senti que faltava-me alguma coisa. Com o Gil sinto sinceridade. Ele não deixa nada por dizer e sente muito os jogadores portugueses. Sabe os resultados de todos os portugueses e quer muito que o golfe português evolua. Claro que sabe muito de golfe, dispensa apresentações, esteve com o Butch Harmon (ex-treinador de Tiger Woods) e foi o selecionador com mais vitórias nas seleções nacionais da FPG", elogiou o jogador.

Finalmente, há outro aspeto não menos importante, que se relaciona com um certo conforto financeiro. Miguel Gaspar surgiu há poucos meses com pólos marcados pelo logo da 'Chili Boy': "É um novo patrocinador. Ajuda-me na inscrição nos torneios e a frequentar um ginásio na zona de Tavira. Tem sido muito importante para mim." 

No Challenge Tour, a segunda divisão europeia, onde o nível é mais elevado, as coisas ainda não lhe correram bem em 2018, mas já deu mostras de ter valia para mais.

Há poucas semanas, no Swiss Challenge presented by Association Suisse de Golf, estava às portas do top-10 no final de uma primeira volta em 68 pancadas. As 79 do segundo dia levaram-no a falhar o cut com um agregado de 5 acima do Par, mas o aviso ficou e a motivação cresceu.

"As ambições são sempre as mesmas, nunca deixo de acreditar, trabalho para estar onde quero, que é no European Tour", afirma sem pruridos nem falsas modéstias.

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