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Nova estrela do Challenge tem técnicos portugueses

Kim Koivu em destaque

Kim Koivu é a nova estrela do Challenge Tour, a segunda divisão europeia e acabou de, no Sábado passado, seguir os passos de Brooks Koepka, que, entretanto, já é o n.º2 do ranking mundial e vencedor de três títulos do Grand Slam.

Por detrás deste finlandês de 27 anos, que só se tornou profissional em novembro do ano passado, está uma equipa técnica portuguesa: o treinador David Silva e o seu filho Daniel Moss Silva.

No Rolex Trophy, um dos Majors do Challenge Tour, que terminou no Sábado e no qual o português Pedro Figueiredo chegou a brilhar no 3.º lugar antes de concluir a prova em 15.º, Kim Koivu conquistou o seu terceiro título em 2018.

Quando no passado mês de maio chegou ao 56.º Open de Portugal @ Morgado Golf Resort já era o 3.º classificado da Corrida para Ras Al Khaimah (o ranking da segunda divisão europeia), por surgir como recente campeão do Belt & Road Colorful Yunnan Open, na China.

Entretanto, neste mês de agosto, somou um segundo troféu, em casa, no Vierumäki Finnish Challenge, um sucesso especial para ele por este torneio ser o Open nacional da Finlândia.

Como o regulamento do Challenge Tour dita que três vitórias no mesmo ano significam automaticamente a subida ao European Tour, Kim Koivu poderá, se quiser, deixar já este escalão onde compete com Pedro Figueiredo, Filipe Lima e Ricardo Santos, para passar a jogar até ao final do ano na primeira divisão europeia e juntar-se a Ricardo Melo Gouveia.

Em 2013 Brooks Koepka apoderou-se de rajada dos troféus do Montecchia Golf Open, Fred Olsen Challenge de España e Scottish Hydro Challenge e nunca mais olhou para trás, foi sempre a subir até ao atual 2.º posto mundial que ocupa, com o estatuto de campeão do US Open em 2017 e 2018 e do PGA Championship em 2018.

Curiosamente, o norte-americano de 28 anos enviou um vídeo na semana passada aos jogadores do Challenge Tour, a recordar-lhes o seu percurso e a incentivá-los a fazerem o mesmo.

Será capaz Kim Koivu de tornar-se também numa grande estrela do golfe à escala global, ele que iniciou o Rolex Trophy apenas como 325.º no ranking mundial? Uma coisa é certa, os seus resultados são avassaladores.

É certo que este ano no Algarve passou algo despercebido, apesar de obter um bom 13.º lugar, com 2 pancadas abaixo do Par. Já as suas três vitórias deste ano foram carimbadas com 22 abaixo do Par na Suíça, 21 abaixo do Par na Finlândia e 16 abaixo do Par na China. Não é para qualquer um.

A fazer birdies desta maneira, poderemos vê-lo em grande no 12.º Portugal Masters, de 20 a 23 de setembro, uma vez que o Dom Pedro Victoria Golf Course proporciona cascadas de birdies. Para isso, ele terá de optar já pelo European Tour.

«Não sei se irei continuar a jogar no Challenge Tour ou se jogarei já torneios do European Tour. Irei decidir com a minha equipa», disse o finlandês de 27 anos ao press officer do Challenge Tour.

Pois bem, a sua equipa é portuguesa e David Silva, o diretor-técnico da Season Golf Academy e treinador do jogador, já tinha previsto essa hipótese quando conversou connosco em maio, no Open de Portugal: «Gostava imenso que o Kim se qualificasse para o Portugal Masters, porque venho sempre a esse torneio, as primeiras cinco vezes desde que estou na Finlândia vim como espectador mas agora quero vir como treinador de um jogador e para fazer uma boa figura».

David Silva está prestes a completar 56 anos no dia 1 de setembro e é uma das figuras do golfe nacional. Nasceu na África do Sul, filho de portugueses, e veio residir para Portugal quando era adolescente. Jogou pela seleção nacional em Mundiais amadores e de profissionais, ao lado do seu irmão mais novo, Daniel, um dos melhores golfistas portugueses de sempre.

David não foi tão famoso enquanto jogador como o seu irmão, mas desempenhou outro papel no desenvolvimento do golfe nacional. Foi cofundador e presidente da PGA de Portugal durante quase 20 anos e a PGA da Europa distinguiu-o com o estatuto de Cinco Estrelas, o galardão mais elevado de um treinador de golfe.

Embora seja uma figura que gerou controvérsia no meio do golfe nacional ao longo dos anos, tem família e muitos amigos em Portugal, incluindo o atual selecionador nacional da FPG, Nelson Ribeiro, mas decidiu emigrar à procura de novas oportunidades.

«Aqui há uns anos senti que os projetos que eu queria fundar em Portugal, especialmente ao nível de elite, não tinham ainda as estruturas preparadas para isso. Tentei fundar umas academias mais viradas para os jogadores de topo, mas ao fim de alguns anos vi que não tinha mais espaço de manobra e decidi emigrar para um país que tem sido uma excelente experiência, embora tenha chegado com uma mão à frente e outra atrás. Mostrei competência e agora estou envolvido num projeto há três anos, já com bons resultados. Felizmente conheci o proprietário da academia que investe bastante no projeto. Temos 27 jogadores, alguns deles muito jovens e 16 deles estão no ranking mundial amador. Não temos só finlandeses, há também jogadores da Estónia, da Letónia e já colocámos seis jogadores em universidades norte-americanas», disse-nos na entrevista concedida em maio.

«Comecei a treinar o Kim Koivu há quatro anos, era um jogador mediano, mas um grande trabalhador e o Kim é simplesmente um dos primeiros jogadores que irá sair do nosso projeto, pois temos objetivos muito elevados», acrescentou.

Já no Sábado passado, em declarações à Tee Times Golf, David Silva mostrou-se entusiasmado com a vitória do seu pupilo no Rolex Trophy, com voltas de 62, 65, 72 e 67, ao Golf Club de Genève: «É incrível após oito meses como profissional! É o resultado de muito trabalho. Estive a trabalhar com ele no torneio do Challenge Tour da Finlândia (no qual se sagrou campeão) e depois Nordea Masters do European Tour. Esta semana não pude ir com ele à Suíça porque estive aqui no Campeonato Internacional Amador da Finlândia com 16 jovens a jogar, portanto tinha de acompanhá-los também».

Em contrapartida, o seu filho, Daniel Moss Silva, também profissional de golfe – um talento enorme como jogador, mas que optou por abandonar essa vertente da profissão –, aceitou ajudar a nova estrela do Challenge Tour.

«Estou como caddie do Kim a tempo inteiro desde o passado dia 3 de junho. Sou praticamente os olhos do meu pai quando ele não pode viajar. Transmito-lhe tudo que vejo e em que áreas ele pode melhorar».

A subida automática do finlandês ao European Tour tem ainda outra vantagem para o golfe português. Como Kim Koivu é o n.º2 da Corrida para Ras Al Khaimah, no final do ano haverá mais um lugar disponível para subir de divisão. Não será o top-15 mas o top-16 a ascender ao European Tour. E neste momento há dois portugueses muito bem classificados: Pedro Figueiredo em 9.º e Filipe Lima em 24.º

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