Pedro Figueiredo e Ricardo Santos testam negativo no 'UK Swing'  

'Figgy' de 'putt quente' alcança segunda melhor performance da temporada  

O European Tour conseguiu junto do Governo britânico que não seja aplicada aos golfistas profissionais a quarentena obrigatória na entrada para o Reino Unido para viajantes oriundos de determinados países, entre os quais Portugal.

Há duas semanas, durante o Solverde Campeonato Nacional PGA, em Vidago, Ricardo Santos tinha-nos dito que provavelmente seria suficiente os jogadores irem munidos de um teste negativo à COVID19, como sucedera nos torneios da Áustria, mas, afinal, o programa de saúde e segurança do European Tour providenciou esse próprio teste.

Pedro Figueiredo, o outro português que iniciou na semana passada o "UK Swing", explicou à Tee Times Golf, em exclusivo para Record, qual o procedimento acordado entre o European Tour e as autoridades sanitárias britânicas.

«A medida de segurança que exigiram-nos à chegada ao Reino Unido foi a de virmos diretamente para o local do evento, neste caso, para o campo de golfe em Newcastle. Aí, fizemos logo um teste à COVID19. Tivemos de esperar pelo resultado durante cerca de três a quatro horas. A partir do momento em que o resultado foi negativo, passámos a poder fazer a vida normalmente, mas apenas entre o campo de golfe e o hotel. Não pudemos deslocar-nos para mais sítio nenhum e só podíamos estar com o nosso caddie em situações como tomar as refeições, partilhar o carro etc.», disse "Figgy", que levou para esta série de seis torneios o seu caddie Francisco Ataíde.

O European Tour chama de "Bolha" a este procedimento de praticamente criar um sistema impenetrável ao SARS COVID-2. A partir do momento em que os membros da organização, jogadores, treinadores, caddies e jornalistas entram nessa "bolha", têm enormes restrições e qualquer falta a essas normas pode ter uma dura penalização. É, por exemplo, completamente proibida a utilização de transportes públicos. Cada pessoa tem de deslocar-se numa viatura de aluguer e não pode dar "boleias". A exceção são as pessoas da sua família ou equipa técnica com as quais coabita durante os torneios.

Este rigoroso programa de saúde e segurança – que irá estar parcialmente em vigor no nosso Portugal Masters – provoca um ambiente completamente distinto do que era habitual no circuito profissional europeu, mas é fundamental por estas seis semanas seguidas de competição decorrerem na nação europeia com mais óbitos durante esta pandemia.

Os níveis de stresse dos jogadores são superiores e estas seis semanas serão um duro teste mental para todos. Os jogadores com uma estrutura psicológica mais forte poderão tirar algum partido disso em termos desportivos.

Ora Pedro Figueiredo é um desses jogadores. Superada a longa crise de confiança de há alguns anos, recuperou aquela serenidade e capacidade analítica que sempre o caracterizaram e não admirou que tenha sido logo dos primeiros a revelarem melhor adaptação às novas circunstâncias.

O primeiro torneio deste "UK Swing" do European Tour foi o Betfred British Masters, de 1,250 milhões de euros em prémios, no Close House Golf Club, em Newcastle, que já tinha acolhido esta prova em 2017.

No final do primeiro dia Pedro Figueiredo integrava o grupo dos 5.º classificados, com 66 pancadas, 5 abaixo do Par e bem na luta pelo título, a apenas 2 pancadas do líder, o escocês David Law.

Dia após dia foi caindo na classificação, mas sempre entre os da frente. Era 10.º empatado após o segundo dia, com uma segunda volta de 69 (-2), a apenas 4 pancadas do comandante, o italiano Renato Paratore; e no final da terceira jornada surgia entre os 14.º classificados, após uma terceira ronda de 70 (-1), agora sim, já a 8 pancadas de Paratore, que se mantinha na liderança, mas, apesar de tudo, a apenas 2 dos jogadores no top-10.

Ora neste "UK Swing" o top-10 é fundamental, porque quando terminar o quinto e penúltimo evento desta série de eventos britânicos, os dez primeiros classificados da mini Ordem de Mérito irão receber convites da USGA (a federação norte-americana) para jogarem o Open dos Estados Unidos, um dos Majors deste ano.

«O facto de o top-10 deste "UK Swing" dar acesso ao US Open é um objetivo de todos nós que estamos aqui, mas, ao mesmo tempo, não pensamos diretamente no assunto. Preocupamo-nos é em fazer o melhor resultado possível e uma boa prestação terá como consequência o apuramento para o US Open. Sabemos que isso está em jogo, mas não é algo em que se pense constantemente», disse-nos Pedro Figueiredo.

Ao longo desses três primeiros dias, o atleta do Sport Lisboa e Benfica jogou um tipo de golfe que não lhe é muito habitual. Desde menino que a sua principal característica é ser muito regular, com um jogo cerebral em que não há grandes montanhas russas exibicionais. Mas nestes três dias iniciais, parecia que estava a jogar ao ataque, carimbando 18 birdies, mas sofrendo também 10 bogeys. O grande destaque foi para o domínio dos buracos de par-5, ganhando 7 pancadas ao campo em 9 oportunidades de birdie!

No entanto, segundo o próprio jogador, não foi bem uma questão de estar a apostar numa estratégia diferente, mas antes uma conjugação de fatores, designadamente um campo que se adequa às suas características de jogador e os bons putts que estava a meter… mas também a alguns putts falhados.

"Figgy" nunca tinha jogado no Close House Golf Club e percebeu logo que o traçado do arquiteto Fred Hawtree permitia explorar um dos seus pontos fortes, a precisão dos approaches: «Não conhecia este campo, um campo de terreno acidentado com muitas subidas e descidas, cansativo, não muito exigente do tee, mais exigente no shot ao green, com greens relativamente pequenos, posições de bandeira que poderiam ser complicadas e com linhas de difícil leitura».

Com os approaches apurados, era tudo uma questão de estar com o "putt quente" como se diz na gíria do golfe e foi exatamente aí que se exibiu bem, mas no tal estilo de altos e baixos, a fugir um pouco ao seu habitual: «Normalmente sou um jogador mais regular que faz muitos pares. Não faço muitos birdies nem muitos bogeys. Esta semana foi diferente, sobretudo porque estive bastante bem nos putts mais compridos. Concretizei bastantes putts para birdie acima dos 4 ou 5 metros. Em contrapartida, não estive tão bem nos putts de 2 metros para dentro para salvar o Par, daí ter feito mais bogeys».

Aqueles primeiros três dias deram-lhe boas indicações e boas sensações, apesar de nem sempre as condições meteorológicas estarem perfeitas. «Não esteve calor, mas também aqui estamos no norte de Inglaterra. A temperatura andou entre os 15 e os 20 graus Celsius, portanto, também não esteve muito frio. Mas apanhámos alguma chuva, sobretudo nos primeiros dois dias. No terceiro dia é que esteve bastante bom tempo».

Foi então que o vento levantou-se para a última volta e as coisas não começaram bem para o campeão nacional de 2013 que quando foi para o buraco 8 já tinha cedido 5 pancadas!

«Foi um torneio em que comecei bastante bem e fui-me aguentando até ao último dia. Depois as coisas não me correram bem. Comecei bastante mal. Considero que nem bati mal na bola último dia, mas fiz alguns erros que custaram-me caro, como falhar shots para os sítios errados, sobretudo nos primeiros buracos», lamentou-se o profissional da Srixon.

A partir daí, com o top-10 fora de questão, havia que correr atrás do prejuízo e "Figgy" reagiu bem com 2 birdies seguidos nos buracos 9 e 10, mas acabaram por ser os únicos do dia e sofreu ainda mais 3 bogeys para uma volta de 77 (+6), igualando os seus piores cartões da temporada, pois também assinara 77 nas terceiras voltas dos torneios da África do Sul e da Austrália ainda em dezembro.

«Nos segundos nove buracos da última volta não meti os putts. Foi a isso que resumiu-se o meu pior resultado, sabendo, também, que as condições estavam mais difíceis por causa do vento», analisou o jogador do Quinta do Peru Golf & Country Club.

Um resultado de +6 que atirou-o para o 47.º posto final (empatado), com um agregado de 282 pancadas, 2 abaixo do Par, que valeram-lhe um prémio de 5.090,80 euros.

Mesmo assim, apesar daquele 77 final, Pedro Figueiredo conseguiu a sua segunda melhor classificação da época, só superada pelo 42.º lugar no Alfred Dunhill Championship, na África do Sul, ainda em dezembro; e 2 abaixo do Par foi também o seu segundo melhor resultado da temporada, logo atrás das 3 pancadas abaixo do Par com que terminou o South African Open hosted by the City of Johannesburg em janeiro, embora aí não tenha passado o cut.

Em sete torneios disputados esta época, Pedro Figueiredo passou o cut em cinco ocasiões – um bom registo, sem dúvida, mas está a faltar-lhe jogar o seu melhor nos dois últimos dias. Com efeito, nesses cinco torneios em que jogou os derradeiros 36 buracos, num total de 10 voltas, só jogou três rondas abaixo do Par.

«Senti-me bem ao longo do torneio. Foi pena não ter aproveitado a boa classificação com que vinha para o último dia, mas, por outro lado, sinto que o (bom) jogo está perto», analisou.

Em 2020 a Corrida para o Dubai tem menor relevância, na medida em que não haverá subidas e descidas de divisão. No entanto, é importante salientar que quando o European Tour regressou há três semanas, na Áustria, "Figgy" era o 174.º classificado, mas tombara para o 189.º lugar após os dois eventos austríacos. Esta prestação em Newcastle valeu-lhe o regresso à 173.ª posição desta semana.

Em contrapartida, Ricardo Santos continua a cair na "Race to Dubai". Quando a pandemia interrompeu a competição era o 228.º e agora aparece em 287.º, uma consequência de ter falhado o cut por 2 pancadas neste British Masters.

O recém-coroado vice-campeão nacional em Vidago assinou cartões de 75 (+4) e 68 (-3), mas, atenção, o segundo dia foi glorioso e deveria ter-lhe permitido qualificar-se para o fim de semana, pois somou 1 eagle e 5 birdies, mas as 4 pancadas perdidas no buraco 6 (Par-4) foram-lhe fatais.

Pedro Figueiredo e Ricardo Santos regressam à competição já nesta quinta-feira para o Hero Open, em Birmingham, no Forest of Arden Marriott Hotel & Country Club, de um milhão de euros em prémios monetários.


Autor: Hugo Ribeiro/Tee Times Golf (teetimes.pt) para Record

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