Play-off elimina Daniel Da Costa Rodrigues no US Amateur  

Campeão nacional amador vai agora para uma universidade no Texas com ambições renovadas

• Foto: Steve Gibbons/USGA

Daniel Da Costa Rodrigues foi hoje eliminado da segunda fase do U.S. Amateur Championship, o mais importante torneio amador do mundo, mas voltou a provar que tem lugar entre os melhores golfistas internacionais desta categoria, não sendo por acaso que ocupa um bom 52.º lugar no ranking mundial amador.
 
No Bandon Dunes Golf Resort, no estado norte-americano do Oregon, o português de 17 anos chegou a brilhar na primeira volta, ao assinar 70 pancadas, 2 abaixo do Par do percurso de Bandon Dunes, que deixaram-no no grupo dos 18.º classificados, entre 264 participantes.
 
Uma volta inaugural em que arrancou 1 eagle, 3 birdies e 3 bogeys, revelando enorme personalidade para quem estava a estrear-se em torneios do Grand Slam amador.
 
Como assinalou então o site especializado "Golftattoo", Daniel da Costa Rodrigues foi um dos dois melhores europeus, «a par do inglês John Gough, que também fez 70 no mesmo percurso».
 
Parecia muito bem encaminhada a sua presença entre os 64 eleitos que iniciam nesta quinta-feira (hora de Portugal) a segunda fase do torneio, já disputada no sistema de "match-play" (eliminação direta).
 
Na história do golfe nacional, só Ricardo Melo Gouveia logrou qualificar-se para a segunda fase do U.S. Amateur, tendo sido mesmo quartofinalista em 2012, no Cherry Hills Country Club, no Colorado, numa edição em que Pedro Figueiredo ficou pelo caminho. Em 2013, no The Country Club de Brookline, no Massachusetts, Melo Gouveia passou de novo o cut, mas tombou na primeira ronda.
 
Eram esses feitos de "Melinho" que "Dani" procurava igualar e na segunda volta, disputada no percurso Bandon Trail. Tal como no dia anterior, carimbou 3 birdies e outros tantos bogeys, mas a grande diferença foram os 2 duplos-bogey sofridos nos buracos 10 e 17.
 
Com uma segunda volta em 75 pancadas, 4 acima do Par, o campeão nacional amador viu-se com um agregado de 145 (+2), tombando de 18.º para o grupo dos 64.º classificados.
 
Num torneio de "stroke-play" em que o cut fosse para o top-64, Daniel da Costa Rodrigues ter-se-ia apurado para os dias seguintes. Mas a segunda fase deste U.S. Amateur joga-se em eliminação direta e têm de ser exatamente 64 jogadores a seguirem em frente.
 
Ora o grupo dos 64.º classificados era composto por 18 jogadores! Foi, por isso, imperativo realizar-se um "play-off" entre esses 18 jogadores para apurar unicamente três participantes para a segunda fase.
 
A morte súbita começou no buraco 10 do percurso de Bandon Dunes, um Par-4 de 343 metros, onde o jogador do Club de Golf de Miramar fez 4 pancadas, repetindo o resultado do dia anterior.
 
Nesse buraco 10, dos 18 jogadores, dois conseguiram birdies e, consequentemente, foram logo qualificados para a segunda fase do U.S. Amateur – os norte-americanos Evan Katz e Cameron Sisk. Três jogadores fizeram bogey no buraco 10 e por isso foram de imediato eliminados.
 
O "play-off" prosseguiu para o buraco 11, um Par-4 de 398 metros, com 13 jogadores a lutarem por uma única vaga. Dani tinha feito 1 bogey na primeira volta naquele mesmo buraco 11 e repetiu esse resultado de 5 pancadas, sendo afastado. Apurou-se o chinês Aaron Du com 1 birdie.
 
Neste contexto em que "Dani" passou da euforia de ir jogar pela primeira vez um "Major" amador até à eliminação "in extremis" numa morte súbita, passando pela satisfação de uma grande primeira volta, é natural que saia do Oregon com um sabor amargo na boca – soube-lhe a pouco!
 
«Acabou hoje a minha prestação no U.S. Amateur, depois de um "play-off" estranho para mim e para muitos dos que estavam nele. Acabou de maneira ingrata para aquilo que foi o meu jogo durante todo o torneio, pois senti-me bem desde o início até ao fim», lamentou-se o jogador da seleção nacional da Federação Portuguesa de Golfe (FPG), em declarações à Tee Times Golf, em exclusivo para Record.
 
«Não me sinto satisfeito com o resultado, porque queria mais, mas sei que sou capaz de chegar muito mais longe do que este "play-off". O golfe é assim, é um desporto que leva-nos para cima e para baixo muito facilmente, mas temos de manter a cabeça limpa», acrescentou Daniel da Costa Rodrigues que, com 17 anos, pode perfeitamente almejar objetivos mais elevados em anos vindouros.
 
Não ter passado à segunda fase numa primeira participação na prova não pode ser considerado um fracasso total. Note-se como o melhor jogador da primeira fase, o norte-americano Wilson Furr (11 abaixo do Par), falhou o cut três anos seguidos antes de, finalmente, este ano, lograr o apuramento.
 
Basta dizer que entre os jogadores que foram eliminados este ano na primeira fase constam os norte-americanos Andy Ogletree, o campeão do ano passado, e Preston Summerhays, o vencedor do U.S. Junior.
 
«Quero agradecer, do coração, todo o apoio que veio desde toda a gente e que fez parecer esta viagem menos difícil. Só posso prometer trabalho e foco para conseguir gravar o meu nome neste troféu e noutros nos próximos tempos», sublinhou, com ambição, um jogador que agora não irá regressar a Portugal, pois iniciará uma nova aventura.
 
Agora vai integrar a equipa masculina de golfe da Texas A&M University, em College Station, e não regressará a Portugal em setembro quando houver uma série fantástica de torneios, constituída pelo Portugal Masters e o Open de Portugal at Royal Óbidos, ambos do European Tour, e depois, o Campeonato Nacional Absoluto Audi, onde não irá defender o título de campeão nacional amador.
 
Na hora das despedidas a Portugal, Daniel da Costa Rodrigues não se esqueceu de agradecer a todos os que trabalharam – e muito – para que fosse possível disputar este 120.º U.S. Amateur.
 
Na atual situação de pandemia, só os atletas profissionais estavam autorizados a viajar de Portugal aos Estados Unidos. Sendo um amador, as suas tentativas iniciais foram goradas. A FPG está de parabéns pelo enorme trabalho administrativo e diplomático que levou a cabo, um trabalho muitas vezes anónimo de bastidores, que implicou vários contactos junto das embaixadas dos Estados Unidos em Portugal e de Portugal nos Estados Unidos.
 
A qualificação de "Dani" para o U.S. Amateur serviu como prémio de consolação pelo cancelamento em 2020 do Campeonato do Mundo Amador (Eisenhower Trophy), para o qual estaria convocado, integrado na seleção nacional de FPG.
 
Daniel da Costa Rodrigues, Pedro Lencart e Pedro Silva são os portugueses que detêm o estatuto de Esperanças Olímpicas para Paris-2024 e incorporam o regime de Alto Rendimento do IPDJ.
 
A aventura nos Estados Unidos de "Dani" segue-se a um período de ouro em que cotou-se como um dos melhores amadores portugueses de sempre, conseguindo alguns registos dignos de Nuno Brito e Cunha, José Sousa e Melo, Daniel Silva, Pedro Figueiredo, Ricardo Melo Gouveia e Pedro Lencart.
 
No ano passado conquistou o Campeonato Internacional Amador de Portugal, venceu o Campeonato Nacional Amador Audi e foi o melhor jogador da seleção amadora da Europa Continental que venceu o 52.º Troféu Jacques Léglise, em Inglaterra, ganhando todos os seus quatro encontros. Foi ainda 3.º no Orlando International Junior Amateur, 3.º no Campeonato Abierto de Madrid, 6.º no German Boys, 9.º no Boys Amateur, e já este ano 5.º no Spanish Amateur Copa S.M. El Rey.
 
"Dani" tem jogado também torneios profissionais, com destaque para a passagem do cut no Open de Portugal @ Morgado Golf Resort do Challenge Tour, em 2019; o 6.º lugar no ano passado num torneio do Portugal Pro Golf Tour em Pinheiros Altos; e, já este ano, o 5.º posto no Solverde Campeonato Nacional PGA, depois de ter liderado a prova no final do primeiro dia.
 
O golfe mundial amador tem apenas dois torneios entre os quatro "Majors" do golfe profissional: o British Amateur (ou Amateur Championship) e o US Amateur Championship.
 
Nos últimos tempos, os melhores resultados de portugueses nestes "Majors" amadores foram os quartos de final de Ricardo Melo Gouveia no US Amateur de 2012 em Cherry Hill no Illinois, os quartos de final de Pedro Figueiredo no British Amateur de 2008 em Turnberry na Escócia, os oitavos de final de Pedro Figueiredo e Ricardo Melo Gouveia no British Amateur de 2012 em Royal Troon na Escócia, e os 1/16 final de João Carlota no British Amateur em 2014 em Royal Portsush na Irlanda do Norte.
 
Autor: Hugo Ribeiro / Tee Times Golf (teetimes.pt) para Record

Por Hugo Ribeiro
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