Primeiro top-10 do ano para Tomás Melo Gouveia

Open da Polónia confirma as melhorias verificadas no Campeonato Nacional

• Foto: Rui Frazão

Tomás Melo Gouveia deu um pontapé na crise nas últimas semanas e está pronto para novos feitos quando ainda faltam seis torneios para a conclusão da época no Pro Golf Tour, uma das terceiras divisões europeias.

No início de 2020, ainda antes de adivinhar-se a pandemia, o irmão mais novo de Ricardo Melo Gouveia tinha como principal objetivo fechar a temporada no top-5 deste circuito germânico e ascender ao Challenge Tour, a segunda divisão europeia.

Mas quando toda a competição foi travada em março devido à COVID19 já se percebia que seria difícil cumprir tal objetivo. O português prestes a completar 26 anos tinha passado apenas um cut em seis torneios disputados.

O confinamento obrigatório não foi, porém, totalmente negativo para Tomás Melo Gouveia – pelo menos a avaliar pelos seus resultados desde que regressou à competição.

O seu primeiro torneio foi o Solverde Campeonato Nacional PGA no Vidago Palace e as voltas de 69, 76 e 71, duas delas abaixo do Par, mostraram logo que havia algo de diferente no seu jogo.

O 9.º lugar empatado com Hugo Santos no Campeonato Nacional foi motivador e logo na primeira prova internacional que disputou obteve exatamente a mesma classificação, de 9.º empatado, mas num torneio de superior valia, o Open da Polónia, de 30 mil euros em prémios, ou seja, um ‘prize-money’ três vezes superior ao torneio da PGA de Portugal e com 123 participantes, isto é, mais 90 jogadores do que em Vidago.

Foi a sua melhor classificação do ano e também o melhor resultado, de 10 pancadas abaixo do Par, após voltas de 66, 64 e 70. Nunca jogou acima do Par do Gradi Golf Club, o que significa que desde que regressou à competição só fez uma das seis voltas acima do Par e quatro delas foram abaixo do Par.

Há realmente algo de novo no ar e foi isso mesmo que confirmou à Tee Times Golf em exclusivo para Record: "Estou numa fase boa porque durante a quarentena não parei, continuei sempre a treinar. Isso ajudou-me e permitiu-me melhorar alguns aspetos técnicos. Vidago também deu-me um bocadinho mais de competição e de preparação para este torneio".

O profissional da Srixon chegou a dar a ideia de poder lutar pelo título quando chegou aos 36 buracos no 5.º lugar a apenas 5 pancadas do líder, o alemão Dominik Pietzsch, mas na última volta não esteve tão afinado.

"Este campo é curto, mas muito estreito, com muitas áreas de penalidade. Aqui é muito importante estar-se bem do tee porque se falharmos os fairways estamos sempre a jogar para Par ou para bogey e foi isso que aconteceu-me na terceira volta, sobretudo nos primeiros nove buracos", referiu o algarvio da Quinta do Lago que, apesar de tudo, fez 5 birdies no terceiro dia, tantos quantos os da primeira jornada e apenas menos 1 do que os da segunda volta. A diferença é que nos dois primeiros dias fez sempre 1 eagle, enquanto no último dia também sofreu 5 bogeys.

Diga-se em abono da verdade que o menor acerto de Tomás Melo Gouveia nas saídas também poderá estar relacionado com o facto de ter sido o dia mais ventoso. De qualquer modo, o Gradi Golf Club passa a ser o único traçado do Pro Golf Tour em que o português conseguiu dois top-10, pois já tinha sido 9.º classificado quando estreou-se ali em 2018, entregando cartões de 63, 69 e 69, para um agregado de 9 abaixo do Par. Pelo contrário, no ano passado falhou o cut com rondas de 73 e 71.

"Sempre gostei deste campo. A primeira vez em que o joguei fiz 63 (-7) e estava em 2.º após a primeira volta. Nesse ano também fiquei em 9.º e é um campo que adapta-se bem ao meu jogo. Agora, o bom resultado deste ano em relação ao ano passado também tem a ver com estar a jogar melhor e sentir-me mais confortável a nível técnico e mental. Conhecer o campo também ajuda muito. Já é a terceira vez que venho cá e todos estes fatores ajudaram", acrescentou o antigo campeão nacional amador.

O Open da Polónia apresentou-se em excelentes condições: "A temperatura esteve perfeita, à volta dos 26 graus Celsius, esteve algum vento durante o torneio, especialmente no último dia, com muito vento. O campo esteve o melhor que já o vi. Os greens estavam bons, não muito rápidos, mas a rolar bem, e os fairways impecáveis. Gostei muito de ver o campo como estava".

Tudo contribuiu para o seu primeiro top-10 do ano no Pro Golf Tour e o seu 10.º top-10 da carreira em três épocas neste circuito. Mas há ainda outra situação que poderá ter tido influência: "Também mudei de equipa técnica. Deixei de trabalhar com o David Silva e comecei a trabalhar com o Gonçalo Pinto. Isso trouxe-me muitas coisas positivas, melhorei muito tecnicamente e era algo de que precisava. Deu-me muita confiança".

Tomás Melo Gouveia é agora o 56.º classificado na Ordem de Mérito do Pro Golf Tour. É difícil pensar neste momento no top-5 até porque, entretanto, devido à pandemia, o  circuito já avisou os jogadores que o Challenge Tour só irá oferecer o ‘cartão’ aos três primeiros classificados no final da época.

No entanto, há outros objetivos a alcançar. Por exemplo, porque não tentar um primeiro título? Afinal, em 2018 foi vice-campeão numa ocasião e 3.º noutra. Tem jogo para isso e a confiança parece estar em alta.

Tomás Melo Gouveia não foi o único português a brilhar no Open da Polónia. João Magalhães também disputou o seu primeiro torneio internacional desde outubro, depois de uma longa lesão, finalmente debelada. O profissional do Oporto Golf Club foi 27.º classificado (empatado) com 205 (68+69+68), -5, recebendo 369 euros. Tomás Melo Gouveia, por seu lado, arrecadou 820 euros.

Em contrapartida, houve três portugueses a falharem o cut. O amador João Pinto Basto (+2) e os profissionais João Zitzer (+9) e Alexandre Abreu (+11).

O Open da Polónia foi ganho pelo francês Julien Brun com 192 pancadas, 18 abaixo do Par, após rondas de 61, 66 e 65. O prémio de 5 mil euros convertido em pontos deu-lhe a liderança da Ordem de Mérito do Pro Golf Tour, pois o jogador de 28 anos somou o seu segundo título da época, depois do Open Casa Green Golf, em Marrocos, em fevereiro.

Os resultados do vencedor e dos portugueses no Open da Polónia foram os seguintes:

1.º Julien Brun (França), 192 (61+66+65), -18, € 5.000

9.º (empatado) Tomás Melo Gouveia, 200 (66+64+70), -10, € 820

27.º (empatado) João Magalhães, 205 (68+69+68), -5, € 369

Falhou o cut João Pinto Basto (amador), 142 (72+70), +2

Falhou o cut João Zitzer, 149 (77+72), +9     

Falhou o cut Alexandre Abreu 151 (74+77), +11

O próximo torneio do Pro Golf Tour, também de 30 mil euros em prémios monetários, será o Raiffeisen Pro Golf Tour St. Pölten, na Áustria, de 4 a 6 de agosto. Aos mesmos cinco portugueses irá juntar-se Francisco Oliveira.

Hugo Ribeiro / Tee Times Golf (teetimes.pt) para Record

Por Hugo Ribeiro
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