Quinto lugar de Ricardo Santos em França abre sonho olímpico

Português entrou pela primeira vez no top 60 do ranking olímpico e será apoiado pelo COP

• Foto: DR Record

O 5.º lugar de Ricardo Santos na 18.ª edição do Hauts de France - Pas de Calais Golf Open, no passado domingo, deverá valer-lhe o apoio do Comité Olímpico de Portugal (COP) para a segunda metade da época.

O português de 36 anos continua a cotar-se como uma das estrelas do Challenge Tour de 2019 e pela terceira prova consecutiva esteve na luta pelo título.

Depois do 2.º lugar no D+D REAL Czech Challenge (-14) e da vitória no Swiss Challenge (-15), Ricardo Santos foi 5.º classificado no torneio de 190 mil euros em prémios monetários que se realizou no Aa Saint-Omer Golf Club, em Lumbres.

O profissional do Bom Sucesso Resort começou no 11.º lugar após a primeira volta de 70 pancadas, 1 abaixo do Par, a apenas 3 do comando; subiu ao 5.º posto no final da segunda volta com mais 69 (-2), a 5 do topo da classificação; desceu para 9.º com uma terceira ronda de 72 (+1), a 7 do líder; e terminou no 5.º lugar com um derradeiro cartão de 68 (-3), empatado com o inglês Ben Stow (68+71+71+69).

O prémio de 8.550 euros que embolsou, convertido em pontos, permitiram-lhe manter o 2.º lugar no ranking do Challenge Tour e aproximar-se do n.º1 da segunda divisão europeia, o francês Antoine Rozner, que nem passou o cut e não somou qualquer ponto. Em contrapartida, o inglês Richard Bland aproximou-se do português e subiu ao 3.º lugar.

Bland, de 46 anos, que tinha sido vice-campeão na semana anterior na Suíça, perdendo no duelo direto com Santos, voltou a ser 2.º classificado, agora em França, com 273 (72+70+64+67), 11 abaixo do Par, para um prémio de 20.900 euros. Só foi superado pelo francês Robin Roussel com 271 (70+68+67+66), -13, que ganhou 34.400 euros.

O objetivo primordial de Ricardo Santos em 2019 continua a ser o ranking do Challenge Tour. Um top-15 no final da temporada dar-lhe-á a subida ao European Tour, a primeira divisão europeia. Em 2011 foi o 4.º do Challenge Tour e acredita que poderá fazer o mesmo oito anos depois. Estas três provas seguidas ao mais alto nível são um excelente sinal.

No entanto, há outros alvos em mira e um deles é o ranking mundial. O algarvio começou a época no 717.º posto, chegou a sair dos 900 primeiros e agora, graças a estes três resultados seguidos de 2.º, 1.º e 5.º ascendeu ao 263.º posto mundial.

Desde janeiro de 2014 que não estava tão bem classificado e como é o ranking mundial que é usado como base para o ranking olímpico, Ricardo Santos poderá agora cumprir um sonho que alimentou para o Rio de Janeiro 2016, mas que talvez só venha a concretizar-se em Tóquio 2020.

Apuram-se automaticamente para os Jogos Olímpicos os 60 primeiros classificados do ranking olímpico e embora ainda estejamos a um ano desse mega evento desportivo, a verdade é que nesta terça-feira viveu-se um marco histórico na carreira de Ricardo Santos, pois foi a primeira vez que o seu nome surgiu no tal top-60, mais concretamente, no 57.º lugar.

"Agora é mais um objetivo que tenho, o de jogar os Jogos Olímpicos em 2020", disse Ricardo Santos à Tee Times Golf, em exclusivo para Record.

Em 2016 Ricardo Melo Gouveia e Filipe Lima representaram Portugal e nos primeiros seis meses de 2019 esses dois jogadores e também Pedro Figueiredo fizeram parte do programa qualificação para os Jogos Olímpicos de 2020 do COP. A dada altura deste ano chegámos a ter estes três portugueses entre os 64 primeiros do ranking olímpico. Neste momento, Ricardo Santos é o único no top-60.

Isso significa que na próxima semana, quando for avaliado o primeiro semestre de 2019, o COP deverá sancionar a integração de Ricardo Santos no mesmo programa de qualificação olímpica, o que significa um apoio de 10 mil euros durante seis meses, referentes a verbas para despesas em competição e a uma bolsa mensal. Será uma bolsa de oxigénio numa época em que as suas despesas correm o risco de serem superiores às receitas.

"Sobre o apoio do COP ainda não sei como funciona, mas vou perguntar ao João Coutinho", disse-nos o antigo duplo campeão nacional (2011 e 2016).

O diretor-técnico nacional da Federação Portuguesa de Golfe tem gerido o programa olímpico federativo e explicou-nos quais os procedimentos corretos: "As avaliações dos atletas a serem apoiados são feitas nas últimas semanas de junho e de dezembro. À partida, por ter entrado no top-60 do ranking olímpico, o Ricardo Santos já terá direito ao apoio do COP. Mas, antes disso, a FPG terá de consultar o jogador e o seu treinador, elaborar um Plano de Preparação Olímpica e enviá-lo ao COP para aprovação. Uma vez aprovado, o atleta receberá esse apoio durante os seis meses seguintes. Só para a semana saberemos se é aprovado o plano do Ricardo Santos e será também avaliada a situação dos outros três jogadores que receberam apoio neste primeiro semestre: Ricardo Melo Gouveia, Pedro Figueiredo e Filipe Lima".

Mais um fator motivacional para Ricardo Santos, que a partir de quinta-feira começa a jogar o Andalucia - Costa del Sol Match Play 9, um torneio de 200 mil euros em prémios monetários, em Málaga, onde também estarão Filipe Lima, Tiago Cruz e Vítor Lopes.

O antigo campeão do Madeira Islands Open BPI está numa das fases mentalmente mais fortes da sua carreira, como provou em St. Omer, onde nunca seria fácil voltar a concentrar-se depois da vitória alcançada dias antes na Suíça. Afinal, há sete anos que não ganhava um torneio tão importante.

"Nunca é fácil (recomeçar do zero um torneio novo depois de uma vitória). Ainda mais neste campo, que exige bastante da nossa concentração e paciência. Mas consegui fazê-lo, o que deixou-me muito feliz", disse-nos.

"Correu muito bem, joguei muito sólido durante os quatro dias. Senti-me bem e confiante e sabia que tinha uma boa oportunidade de lutar pelo título", acrescentou.

Claro que ajudou ter boas memórias do campo de anos anteriores: "Esta foi a minha pior classificação dos últimos três anos (3.º em 2018 com -5 e 2.º em 2017 com -6). Este ano fiz as mesmas pancadas do ano passado mas estavam condições piores. A razão de jogar bem aqui é o campo adaptar-se ao meu jogo, porque o shot ao green e o jogo curto são muito importantes".

O Aa St. Omer Golf Club é considerado um dos mais exigentes e difíceis campos do Challenge Tour e essa característica de solicitar um jogo curto apurado já beneficiou no passado Filipe Lima, que venceu a prova em 2004 e em 2016.

Este ano, porém, o bom conhecimento do campo não favoreceu o campeão nacional de 2017, pois falhou o cut no 113.º lugar com 150 (+8), após voltas de 77 e 73.

"Estou a precisar de confiança", disse Filipe Lima numa entrevista ao Challenge Tour. Realmente, o atleta olímpico de 36 anos jogou cinco torneios do Challenge Tour em 2019 e ainda não passou nenhum cut. Daí que nem apareça no ranking desta segunda divisão europeia. Também jogou quatro etapas do European Tour, com uma participação positiva (25.º com -5) no Open do Quénia em março.

Confiança é algo que não falta ao francês Robin Roussel, pois não perdeu qualquer pancada nas duas últimas voltas que lhe deram o seu primeiro título do Challenge Tour, tendo aproveitado bem o facto de ter sentido um enorme apoio do público local.

"É uma sensação muito especial e nem tenho palavras para descrevê-la. Não ter feito qualquer bogey nos dois últimos dias… nem pensei nisso, mas senti que estava a jogar perfeito", disse o jogador de 25 anos que saltou para o 4.º lugar do ranking do Challenge Tour e passa a ser um sério rival de Ricardo Santos até ao final da temporada.

Autor: Hugo Ribeiro/Tee Times Golf

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