Ricardo Melo Gouveia no top-60 da corrida para o Dubai

7º classificado no Masters do Qatar

Ricardo Melo Gouveia (RMG) regressou ao top-60 da Corrida para o Dubai depois do 7º lugar empatado que conseguiu no Commercial Bank Qatar Masters, a sua melhor classificação de sempre no European Tour.

O profissional do Guardian Bom Sucesso Golf ascendeu ao 45º lugar e o top-60 da Corrida para o Dubai é importante porque no final da época só essa elite tem direito a competir no DP World Tour Championship, uma milionária prova para a qual nunca nenhum português se qualificou, embora Ricardo Santos e Filipe Lima tenham ficado perto em anos anteriores.

Mas RMG visa mais longe. Nunca escondeu os seus sonhos de menino de chegar a nº1 mundial e esta semana voltou a frisar numa entrevista ao jornalista Nick Dye, da European Tour Radio, que tem «objetivos para cada torneio, para a época e a longo prazo». «Quero terminar o ano no top-50 do ranking mundial e esse será o objetivo principal em 2016», sublinhou.

Depois de ter sido o nº1 do Ranking do Challenge Tour em 2015, não demorou muito tempo a obter o primeiro top-10 da sua carreira no European Tour e no Doha Golf Club foi 7º classificado, com 280 pancadas, 8 abaixo do Par, após voltas de 67, 71, 70 e 72.

Foi o primeiro top-10 de um português no European Tour desde o 10º lugar (empatado) de Tiago Cruz no Madeira Islands Open BPI, em julho.

RMG empatou no Qatar com jogadores como Sergio Garcia, Louis Oosthuizen, George Coetzee, Tommy Fleetwood e Richard Bland, sendo de destacar que Garcia já foi nº2 mundial e é um dos melhores jogadores europeus dos últimos 15 anos, enquanto Oosthuizen é um ex-campeão do British Open.

O nº1 português, que há duas semanas atingiu a melhor classificação de sempre de um golfista nacional no ranking mundial (82º), não se deixa impressionar com facilidade.

Terminar em 7º num torneio de 2,3 milhões de euros em prémios monetários, empatado com dois craques como o espanhol e o sul-africano é encarado com satisfação mas sem euforias: «Estou muito contente com esta semana, acho que joguei muito bem com as condições que estiveram e deu para ganhar mais experiência».

Na terceira volta jogou ao lado de Ernie Els, uma lenda da modalidade, e na sua conta profissional no Facebook escreveu: «Adorei jogar com o Ernie Els pela sua simpatia e postura em campo, sem dúvida um "grande" do golfe».

Deslumbrou-se? Não e foi exatamente nessa volta que dominou os fortes ventos e regressou ao top-10, declarando depois que iria «tentar ganhar este torneio».

Não o conseguiu… ainda, mas pressente-se que tem estofo para um dia destes juntar-se a Daniel Silva, Ricardo Santos e Filipe Lima, os únicos portugueses que já têm um título no European Tour nos seus palmarés.

Aos poucos, RMG vai-se habituando à elite mundial. Na semana anterior, no Abu Dhabi HSBC Golf Championship, competiu no mesmo torneio das duas mega-estrelas da atualidade, Jordan Spieth e Rory McIlroy, tirou uma fotografia com o norte-irlandês e na terceira volta atuou no mesmo grupo do capitão europeu da Ryder Cup, Darren Clarke.

Poderia, uma vez mais, sentir-se nas nuvens, mas quando Nick Dye lhe perguntou sobre as diferenças de jogar no Challenge Tour ou no European Tour, não foi dos grandes nomes, dos campeões de que falou: «Provavelmente, o set up dos campos, o rough é um bocadinho mais alto, os greens são um bocadinho mais duros, por isso, torna-se um pouco mais complicado».

É claro que não é imune à emoção e não esconde os seus sentimentos: «Estou a adorar, é uma experiência ótima, foi para isto que trabalhei vários anos e espero poder continuar a evoluir», mas tem mantido os pés assentes no chão e não se tem apressado só por ver que alguns dos rivais com que competiu (e dominou) na segunda divisão em 2015 já conquistaram títulos em 2016, como Brandon Stone no Open da África do Sul e Haydn Porteous no Joburg Open.

«Não mudei nada, estou a manter os mesmos processos do ano passado, se funcionou bem no ano passado não vou mudar nada, embora queira continuar a progredir, polindo o meu golfe e é esse o caminho», assevera com convicção.

Apesar de se ter estreado como membro efetivo do European Tour logo com um bom 18º lugar no Alfred Dunhill Championship, RMG não tem vivido um passeio de facilidades no European Tour.

No Abu Dhabi HSBC Golf Championship precisou de 1 birdie no 18 para passar o cut e no Masters do Qatar também necessitou de 1 birdie no último buraco para carimbar o seu primeiro top-10 na primeira divisão europeia. Mas a forma como tem encarado os desafios e dado a volta aos momentos mais negativos mostra como está mentalmente forte.

«Gosto de jogar com um bocadinho de vento, mas não tanto como isto. Tenho vários shots que são um pouco mais baixos para controlar o voo de bola. Em dias como estes é preciso ter-se paciência, tem de se manter a disciplina, é importante não perder o foco. Não comecei bem a última volta, passei os primeiros nove buracos com 1 pancada acima do Par e depois no início dos segundos nove fiz 2 bogeys nos buracos 11 e 12, mas acabei com birdies no 13, 16 e 18, com um bom putt no 18 para acabar».

Este não é o género de declarações a que estamos habituados de ler ou ouvir de jovens de 24 anos, que sejam profissionais há menos de duas épocas! A sua maturidade competitiva está a tornar-se um traço de personalidade.

E é assim que tem vindo a forjar uma fama de consistência. Em Omã, depois de ganhar a Grande Final, um dos dirigentes mais conceituados do European Tour, Alain de Soultrait (diretor do Challenge Tour) espantava-se por «o Ricardo só ter falhado um cut durante toda a época».

No final do ano passado, em declarações ao site especializado "Golftattoo", Ricardo Santos salientava a mesma característica: «praticamente ele só faz voltas abaixo do Par».

Os resultados comprovam-no. Em quatro torneios do European Tour de 2016, passou o cut em todos e só fez uma volta acima do Par!

Será uma consequência da grande época de 2015? Nem por isso, se formos analisar todos os resultados do jogador do Team Portugal em torneios do European Tour, mesmo nos tempos em que ainda era amador, verificamos que passou sempre o cut, exceto uma vez como amador, e desde que se tornou profissional só fez duas voltas acima do Par em 22 disputadas.

O 7º lugar em Doha rendeu-lhe um prémio monetário de 50.734 euros – o seu segundo mais elevado de sempre, só superado pelos 64 mil de Omã – e, ainda mais importante, deu-lhe entrada direta no Dubai Desert Classic que começa já na quinta-feira, onde estava em lista de espera.

Trata-se de uma prova de 2,44 milhões de euros, que conta com "figurões" como Rory McIlroy, Henrik Stenson e Martin Kaymer, entre muitos outros.

«É sempre bom começar bem o ano, retira um pouco de pressão para os torneios futuros, também é bom para manter a confiança e continuar com os bons resultados», considerou ontem o português residente em Londres.

Os ventos do deserto têm-lhe sido favoráveis e deseja-se que continuem a soprar de feição nesta semana que se avizinha.

Resultados de Ricardo Melo Gouveia no European Tour:

Como amador:

Portugal Masters/2012 60º, 284 (70+72+67+75), Par
Portugal Masters/2013 97º, 144 (72+72), +2

Como profissional do Challenge Tour:

Portugal Masters/2014 58º, 139 (70+69), -3, €3,825
Madeira Islands Open BPI/2015 25º, 279 (68+72+71+71), -9, €5,880
Portugal Masters/2015 31º, 279 (71+68+72+68), -5, €15,800

Como profissional do European Tour:

Alfred Dunhill Championship/2016 18º, 283 (72+72+71+68), -5, €16,766
Joburg Open/2016 51º, 283 (67+71+75+70), -4, €4,269
Abu Dhabi HSBC Golf Championship/2016 61º, 287 (72+71+72+72), -1, €6,391
Commercial Bank Qatar Masters/2016 7º, 280 (67+71+70+72), -8, €50,734


Por Hugo Ribeiro/FPG
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