Ricardo Melo Gouveia salienta mente de aço de Figueiredo
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Ricardo Melo Gouveia e Pedro Figueiredo são amigos desde infância e não admira que o único português que militou a tempo inteiro no European Tour em 2018 se tenha congratulado por, para o ano, ir ter a companhia de alguém que tão bem conhece, na primeira divisão do golfe europeu.
«Só jogadores mentalmente muito fortes conseguem fazer aquilo que ele fez hoje e ultrapassar todas as adversidades que ele superou», disse Ricardo Melo Gouveia à Tee Times Golf, em exclusivo para Record.
O atleta olímpico português referia-se a várias questões diferentes quando mencionou "adversidades".
Algumas são do foro familiar e privadas, mas mesmo em termos profissionais, Pedro Figueiredo foi dos poucos jogadores na história do golfe a passar em dois anos de alguém que estava na profundeza de fora dos mil primeiros do ranking mundial para a elite primeira divisão europeia.
No ano passado "Figgy" jogou a terceira divisão no Pro Golf Tour e concluiu a época no top-5. Isso deu-lhe o cartão para o Challenge Tour, a segunda divisão, na qual encerrou este Sábado a temporada no top-15 e, consequentemente, ascendeu ao European Tour, o escalão principal.
Nas redes sociais, o profissional da Quinta do Lago escreveu em inglês: «Um dos melhores dias da minha vida. O meu melhor amigo, "Figgy", conseguiu finalmente entrar no European Tour, onde ele pertence por direito próprio. Teremos momentos entusiasmantes à nossa frente meu amigo».
«Estou mesmo muito contente por ele ter conseguido e da maneira como foi», acrescentou Ricardo Melo Gouveia à Tee Times Golf, aludindo ao facto de ter sido preciso um birdie no último buraco para que "Figgy" carimbasse a subida ao European Tour.
Pedro Figueiredo qualificou-se no 13.º posto da classificação final da Grande Final do Challenge Tour em Ras Al Khaimah, feito que valeu-lhe o 15.º e último lugar de apuramento na Corrida para Ras Al Khaimah, o ranking do Challenge Tour.
O atleta do Sport Lisboa e Benfica foi, assim, o último jogador em 2018 a qualificar-se para o European Tour de 2019 via Challenge Tour. Ora Ricardo Melo Gouveia sabe bem o que é esse sufoco. Este ano, o adepto do Sporting Clube de Portugal foi o 101.º na Corrida para o Dubai de 2018, o ranking que ditava que só os 110 primeiros iriam manter-se no European Tour em 2019. Também no seu caso foi mesmo "à queima".
E como viveu Ricardo Melo Gouveia este Sábado e este torneio em que Pedro Figueiredo andou várias vezes dentro e fora do top-15 do Challenge Tour, à medida que ia fazendo birdies ou bogeys no Al Hamra Golf Club, até ao birdie no último buraco que deu-lhe o apuramento?
«Foi uma semana um pouco semelhante àquela em que ele venceu o torneio na Bélgica (KPMG Trophy, em junho), com muitos "refresh’s" no "live Scoring" da aplicação do European Tour, especialmente no dia de hoje».
Ricardo Melo Gouveia e Pedro Figueiredo foram expoentes máximos do golfe amador português, emparceiraram em seleções nacionais amadoras da Federação Portuguesa de Golfe em Campeonatos do Mundo e da Europa, foram ambos quase em simultâneo estudar e competir em universidades rivais nos Estados Unidos e estiveram juntos em equipas nacionais da PGA de Portugal na Taça Manuel Agrellos. Como amador, Pedro foi claramente superior, mas como profissional foi sempre Ricardo o mais destacado.
Este ano, quando atravessou uma série negra de resultados, mesmo antes da recuperação da boa forma iniciada no Portugal Masters, "Melinho" disse à Tee Times Golf que estava a inspirar-se em "Figgy" como um exemplo de alguém que soube mostrar que é possível inverter momentos extremamente negativos. Para o ano os dois amigos irão competir no European Tour.