Ricardo Melo Gouveia sente frutos de carreira renovada

Terceira melhor classificação de sempre de um português no Troféu Hassan II

• Foto: DR Record

A paragem forçada de três semanas do European Tour, por não ter tido entrada em alguns dos melhores torneios do Mundo, entre os quais, o Masters, não foi prejudicial a Ricardo Melo Gouveia.

O atleta olímpico português regressou às boas exibições, obteve a sua segunda melhor classificação do ano, o seu segundo melhor resultado de sempre em Marrocos, o prémio monetário mais elevado da temporada e, sobretudo, recuperou boas sensações no seu jogo.

Ricardo Melo Gouveia foi 30.º classificado (empatado) na 46.ª edição do Trophée Hassan II, de 2,5 milhões de euros em prémios monetários, ao somar 294 pancadas, 2 acima do Par do Red Course do Royal Golf Dar Es Salam, em Rabat, depois de voltas de 75, 74, 73 e 72, que lhe valeram um prémio de 21.125 euros.

O português de 27 anos subiu ainda do 174.º posto para o 151.º na Corrida para o Dubai, tornando-se agora no melhor português no ranking da primeira divisão do golfe europeu, ao superar o seu amigo Pedro Figueiredo, que era 171.º e caiu para 175.º, depois de falhar o cut em Marrocos.

'Figgy' totalizou 157 pancadas, 11 acima do Par, assinando cartões de 77 e 80, para terminar no grupo dos 136.º classificados, entre 156 jogadores.

Resultados elevados são já habituais no desafiante campo de traçado antigo, um Par-73 de 6.980 metros, desenhado pelo prestigiado Robert Trent Jones.

Veja-se como o próprio campeão, o espanhol Jorge Campillo, só ganhou com 9 abaixo do Par e ainda sofreu 7 bogeys, 3 dos quais logo no primeiro dia.

Os jogadores portugueses têm sentido tradicionalmente sérias dificuldades, quer em Rabat, quer em Agadir, por onde o torneio também passou alguns anos. Aliás, Ricardo Santos chegou mesmo a faltar à edição de 2013 por não apreciar o campo de Agadir.

Embora este ano se tenha celebrado a 46.ª edição, a verdade é que até 2009 era uma prova restrita a convidados da família real marroquina. Só desde 2010 integrou o European Tour.

Quando era uma prova por convites, Filipe Lima chegou a ser vice-campeão, em 2004, só superado pelo norte-americano Erik Compton. O mesmo Lima, em 2016, obteve a melhor classificação lusa de sempre: 8.º e mesmo assim apenas com 1 pancada abaixo do Par. Ricardo Melo Gouveia também brilhou em 2017 com um 19.º posto (-2) e o 30.º lugar deste domingo é, por isso, a terceira melhor classificação de sempre de um português numa prova, realmente, difícil.

Isto, num total de 11 participações de jogadores portugueses na prova, desde que passou a integrar o European Tour em 2010.

Só houve mais dois cuts passados sem grande destaque, a 59.ª posição de Melo Gouveia no ano passado e o 67.º posto de Ricardo Santos em 2015.

Registaram-se ainda mais seis cuts falhados: Lima foi 76.º em 2010, 72.º em 2014 e 120.º em 2017; Santos 108.º em 2012 e 85.º em 2014; e Figueiredo 136.º este ano!

"Estes campos em Marrocos são bastante complicados. Eu nunca joguei nos noutros, mas este exige que estejamos muito bem do tee, nos shots ao green e os greens são muito ondulados, com muitas lombas, tem de 'patar-se' bem. Todas as áreas de jogo têm de estar a um bom nível para conseguir-se um bom resultado", disse Ricardo Melo Gouveia à Tee Times Golf, em exclusivo para Record.

O português residente em Londres mostrou força mental, capacidade de gerir os momentos menos bons – que os teve, como 2 duplos-bogeys e 15 bogeys – mas também arrancou 17 birdies. E o mais importante foi a boa repartição de birdies: 4 no primeiro dia, 4 no segundo, 4 no terceiro e 5 no quarto, ou seja, houve combatividade e vontade de recuperar de momentos menos bons.

"Senti que nos primeiros dois dias não joguei tão bem (como desejaria), mas agarrei-me ao jogo e "patei" muito bem. No terceiro dia joguei bem mas não 'patei' tão bem, portanto, o resultado poderia ter sido bastante melhor. Hoje no último dia, não joguei tão bem como no terceiro, mas já estive melhor do que nos dois primeiros dias. Em contrapartida, "patei" um bocadinho melhor e fiz o meu melhor resultado da semana", analisou o profissional da Quinta do Lago.

De todos os aspetos positivos com que Ricardo Melo Gouveia saiu da capital de Marrocos, talvez o mais importante tenha sido regressar com "vibrações fortes" e a noção de estar a progredir, depois de um início de 2019 periclitante: falhou o cut nos primeiros quatro torneios do novo ano civil.

"Estas três semanas de paragem forçada foram boas porque tive tempo para trabalhar em novas técnicas. Estive a treinar com o David Silva dois dias em Londres, depois estivemos numa semana de treinos no Algarve, na Quinta do Lago, com alguns jogadores finlandeses dele. Foi bastante positivo, estou a sentir-me bastante bem com as técnicas novas. Trabalhámos o swing, o chip e o pitching, estou a melhorar muito em todas estas áreas e sinto-me melhor a cada semana que passa."

Recorde-se que há um mês o jogador da Srixon decidiu mudar de equipa técnica e também começou a trabalhar com um caddie novo. O treinador David Silva, radicado na Finlândia foi a sua nova escolha.

"Este torneio foi bom porque já consegui implementar, pela primeira vez, as técnicas novas (em que tenho trabalhado). O meu swing está cada vez melhor e sinto que estou no bom caminho", sublinhou.

Um trabalho que necessita de ser consolidado e talvez por isso tenha sido uma boa opção não jogar o próximo torneio do European Tour, o Open da China, de 2 a 5 de maio, com 2,668 milhões de euros em prémios.

"Não vou jogar na China porque é uma viagem muito longa só para uma semana. Ia ser difícil a adaptação ao fuso horário e depois, na semana seguinte, tenho um torneio muito importante. Quando joguei cinco torneios seguidos, ente Omã e a Índia, foi já a pensar que não iria à China. Vou aproveitar esta próxima semana para treinar, consolidar as técnicas novas, porque, quando estou sob pressão, o swing antigo ainda quer, por vezes, aparecer, e assim vou preparar-me da melhor maneira para o British Masters", explicou.

O British Masters joga-se de 9 a 12 de maio e oferece 3,477 milhões de euros. Pedro Figueiredo, pelo contrário, irá viajar à China.

O Troféu Hassan II permitiu a Jorge Campillo conquistar o seu primeiro título no European Tour, após uma longa espera.  O espanhol de 32 anos aguardou pelo seu 229.º torneio na primeira divisão europeia para, finalmente, erguer um troféu, graças ao resultado de 283 (72+71+69+71), -9, batendo por 2 pancadas os americanos Julian Suri e Sean Crocker e ao sul-africano Erik van Rooyen.

"É difícil descrever o que sinto. Tem sido uma longa viagem. Estou agradecido, mas foi demasiado tempo (oito anos). Estou simplesmente orgulhoso de poder dizer que sou um campeão do European Tour", disse, mais aliviado do que feliz, Jorge Campillo, que já tinha sido 2.º classificado em seis ocasiões diferentes, duas das quais no mês passado.

Autor: Hugo Ribeiro/Tee Times Golf, em exclusivo para Record

Por Hugo Ribeiro
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