Ricardo Santos continua forte na Andaluzia

13.º lugar no torneio cimentou o estatuto de 2.º no Challenge Tour e de top-60 olímpico

Ricardo Santos subiu mais um lugar no ranking olímpico desta segunda-feira, para o 56.º posto, e deverá ver confirmada a sua pretensão a um apoio do Comité Olímpico de Portugal durante os próximos seis meses, após a avaliação que for efetuada no final desta semana, em conjugação com a Federação Portuguesa de Golfe.

No ranking mundial o algarvio de 36 anos também melhorou esta semana a sua cotação em 19 posições, para a 244.ª, consolidando o seu estatuto de n.º1 nacional.

No ranking do Challenge Tour, a segunda divisão europeia, Ricardo Santos segurou o 2.º lugar que já ocupava e até aproximou-se do líder, o francês Antoine Rozner que optou por não jogar na semana passada, distanciando-se também do n.º3, o inglês Richard Bland.

«Consegui recuperar terreno ao primeiro classificado do ranking, o que é sempre positivo», comentou o antigo duplo campeão nacional (2011 e 2016) à Tee Times Golf, em exclusivo para Record.

Tudo corre bem nos últimos tempos a Ricardo Santos que foi 13.º classificado no Andalucía Costa del Sol Match Play 9, o único torneio do Challenge Tour que combina uma fase qualificativa de 36 buracos em strokeplay (contam as pancadas), com uma fase final em matchplay (eliminação direta).

Trata-se de um torneio recente, de apenas três edições, com 200 mil euros em prémios monetários, onde Ricardo Santos nunca tinha sido muito bem-sucedido pois fora 51.º em 2017 no La Cala Resort e no ano passado nem superara o cut no Valle Romano Golf, em Estepona, onde voltou a jogar-se este ano, entre 156 jogadores.

É certo que vinha de três top-5 consecutivos no Challenge Tour (incluindo um título na Suíça) e desta feita não foi possível pelo menos um top-10, mas a boa forma manteve-se e a confiança saiu reforçada.

Pena é que não possa competir na próxima semana na Taça Manuel Agrellos. Seria um bom reforço para a seleção nacional de profissionais que irá defrontar a sua congénere de amadores nos dias 2 e 3 de julho, no Montado Hotel & Golf Resort, em Palmela.

«Foi um torneio positivo, estive bastante sólido na fase de strokeplay, apesar de ter começado o segundo dia com um duplo-bogey. Foram dois dias muito difíceis, estiveram ventos muito fortes nos dois primeiros dias. Nessas condições é fácil acontecer um buraco menos positivo como esse, mas consegui reagir bem ao mau começo do segundo dia», analisou o profissional do Bom Sucesso Resort, que foi 25.º classificado nessa primeira fase, com 141 pancadas, 1 abaixo do Par, após voltas de 69 e 72.

Curiosamente, Tiago Cruz, a jogar pela primeira vez esta época um torneio do Challenge Tour, graças a um convite cedido pelo Team Portugal da PGA de Portugal e FPG, também integrou o mesmo grupo dos 25.º classificados, mas com voltas de 71 e 70.

Eliminados aos 36 buracos foram Vítor Lopes (76+72) em 96.º (+6) e Filipe Lima (79+72) em 121.º (+9). São dois bons jogadores de matchplay que bem poderiam ter dado que falar na fase seguinte.

Quis o azar do sorteio que Ricardo Santos e Tiago Cruz, dois rivais e amigos de longa data, que até já decidiram títulos do Campeonato Nacional entre si, tenham calhado frente a frente na primeira ronda da segunda fase.

«Claro que não foi agradável jogar contra o Tiago. Gostaria de ter defrontado outro jogador, mas tive que encará-lo como outro jogador qualquer, apesar de ser amigo dele há mais 20 anos», disse Ricardo Santos, que venceu por 2-1

A segunda ronda foi diabólica e só derrotou o inglês Matt Ford (2.º na fase anterior com 4 abaixo do Par) no 10.º buraco. Ou seja, praticamente num primeiro buraco de play-off, sendo de salientar que cada confronto entre dois jogadores implicava nove buracos regulamentares.

Outra medida dos circuitos europeus de promoverem um golfe cada vez mais rápido e curto. Como vimos, por exemplo, há um mês em Cascais, no GolfSixes, onde que cada "match" só tinha seis buracos em vez os 18 tradicionais.

Nos oitavos de final Ricardo Santos foi eliminado "à queima" pelo espanhol Carlos Pigem que ganhou por 1 up, ou seja, no último buraco. Sem dúvida um duelo renhido, mas é preciso reconhecer que Pigem (34.º na primeira fase com +1) esteve sempre na liderança e chegou a dispor de uma vantagem de 3 buracos quando terminaram o n.º4!

«Foi pena ter perdido nos oitavos de final. Comecei mal esse confronto, depois ainda consegui recuperar mas já não fui a tempo. De qualquer forma foi um torneio bastante positivo», disse o antigo campeão do Open da Madeira, que jogou estes três "matches" no mesmo dia.

«É um torneio um pouco desgastante, porque, se for sempre ganhando, é preciso jogar 27 buracos por dia num campo bastante acidentado», acrescentou, depois de ganhar 3.540 euros pelo 13.º lugar no torneio, enquanto Tiago Cruz contentou-se com 920 euros pelo 44.º lugar.

Talvez por isso Ricardo Santos tenha aceitado que Vítor Lopes fosse o seu caddie no dia em que jogou esses três duelos. «Quero fazer novamente um agradecimento especial ao Vítor Lopes», escreveu nas redes sociais o único português a ter alguma vez integrado o top-10 da Corrida para o Dubai. Com um amigo a carregar o saco, o desgaste foi menor.

O norueguês Eirik Tage Johansen também jogou 27 buracos num dia e mais 27 no dia seguinte para conquistar o seu primeiro título no Challenge Tour, um circuito em que jogou pela primeira vez… há 18 anos.

«Tenho estado a viver uma época estranha porque tornei-me pai de gémeos há dois meses e desde dezembro que parei de jogar. Tive a sorte de poder jogar na semana passada e nesta semana, mas agora tenho de voltar a parar. Tenho de ir para casa arranjar toda a logística até a minha sogra poder ir morar para nossa casa e ajudar a minha mulher», disse o jogador de 37 anos.

Eirik Tage Johansen qualificou-se para o matchplay na mesma 25.ª posição (-1) dos portugueses Santos e Cruz, e depois derrotou na final o francês Ugo Coussaud por 2-1. Embolsou 32 mil euros mas o mais importante foi garantir o cartão para o próximo ano no Challenge Tour.

«Ganhar aqui facilita-me o resto do ano porque mesmo que não seja capaz de jogar mais do que sete ou oito torneios, já sei que terei de novo o meu lugar no próximo ano», declarou, mais aliviado.

O certo é que o título fê-lo subir ao 8.º lugar no ranking do Challenge Tour e o top-15 no final da época sobe ao European Tour, a primeira divisão europeia. Por isso, melhores notícias poderão ainda surgir este ano para o recém "papá".

O próximo torneio do Challenge Tour é o Italian Challenge Open Eneos Motor Oil, já esta semana, no Terre Dei Consoli Golf Club, em Monterosi. Trata-se de uma prova de 300 mil euros e é o torneio mais forte da segunda divisão europeia nos seis primeiros meses do ano.

Um bom resultado pode ter fortes implicações no ranking e por isso Ricardo Santos estará lá tal como Filipe Lima, Tiago Cruz e o atual campeão nacional, Tomás Silva.

Por Hugo Ribeiro
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