Ricardo Santos e Pedro Figueiredo garantidos no Open de Portugal

Ao não jogarem os três últimos torneios do "UK Swing", os portugueses já não podem ir ao US Open

• Foto: DR

A mensagem que poderia retirar-se da jornada golfística desta quinta-feira é que uma nova paternidade pode ser tão importante para o sucesso desportivo como treinar e competir.

O belga Thomas Pieters foi pai pela primeira vez durante a paragem competitiva provocada pela pandemia, não jogava qualquer torneio desde março, regressou à competição no Celtic Classic, um torneio do European Tour, de um milhão de euros em prémios monetários, e assumiu logo a liderança, com uma volta inaugural de 64 pancadas, 7 abaixo do Par do The Celtic Manor Resort, na City of Newport, no País de Gales.

Passemos agora da primeira divisão europeia para o escalão terciário e nesta mesma quinta-feira deu-se a retoma do Alps Tour na Áustria, no Gosser Open, um torneio de 40 mil euros em prémios monetários.

Apesar da trovoada que se abateu sobre a região de Graz e que impediu a conclusão da primeira volta, dificilmente outro jogador conseguirá terminar na sexta-feira a ronda inicial à frente do espanhol Jordi Garcia del Moral, que fixou-se no comando com uma extraordinária prestação em 60 pancadas, 12 abaixo do Par do Golfclub Erzherzog Johann. E teve putt no último buraco para igualar a mítica marca das 59 pancadas!

O que têm em comum Jordi Garcia del Moral e Thomas Pieters? Pois bem, o espanhol também foi pai, mas no seu caso pela pela segunda vez, no passado dia 3 de agosto e praticamente não treinou nem jogou nos últimos tempos.

O torneio galês e o austríaco – distintos em quase tudo – têm igualmente uma relação direta com o golfe português.

O Celtic Classic é o primeiro torneio do European Tour, desde o regresso deste circuito, a não contar com qualquer português, depois de cinco torneios seguidos (dois na Áustria e três em Inglaterra) em que houve sempre representantes nacionais.

Pelo contrário, o Gosser Open conta com quatro portugueses e todos jogaram bem, abaixo do Par, no primeiro dia, com grande destaque para Tomás Bessa, que não competia desde que sagrou-se pela primeira vez campeão nacional há um mês, em Vidago.

Tomás Bessa completou 24 anos no passado dia 6 de agosto e neste dia 13 celebrou da melhor maneira o 22.º aniversário da sua irmã Leonor (também campeã nacional), com uma boa primeira volta em 66 pancadas, 6 abaixo do Par, colocando-se no 8.º lugar entre 124 participantes.

Em declarações ao site especializado "Golftattoo", Tomás Bessa disse: «Foi uma volta consistente, só falhei um green e meti putts em alturas importantes do jogo. Fico feliz por ter começado de forma sólida».

Tomás Silva, o campeão nacional de 2018 e 2019, também regressou em alta aos torneios internacionais, com uma primeira volta em 67 pancadas, 5 abaixo do Par, surgindo no 12.º lugar.

Miguel Gaspar, vice-campeão nacional em 2019 e 3.º classificado este ano em Vidago, fecha o top-20 do Gosser Open com 69 (-3), enquanto Vítor Lopes está bem posicionado para passar o cut, na 46.ª posição, com 71 (-1).

O Gosser Open joga-se ao longo de três dias e termina no Sábado, com o cut a ser fixado após a segunda volta, que a organização irá tentar terminar na sexta-feira, depois de concluída a primeira ronda.

Já o Celtic Classic é um torneio de quatro dias do European Tour e não conta, de facto, com nenhum português, dadas as decisões de Ricardo Santos e de Pedro Figueiredo de não se inscreverem nas duas etapas galesas no prestigiado campo que acolheu a Ryder Cup em 2010.

O chamado "UK Swing" do European Tour, uma série de seis torneios, prossegue para a semana com o ISPS Handa Wales Open, igualmente no The Celtic Manor Resort, e conclui-se depois noutro antigo palco da Ryder Cup, em The Belfry, com o ISPS Handa UK Championship, em Inglaterra, sendo ambos os eventos cotados com um milhão de euros em prémios monetários. Santos e "Figgy" estarão igualmente ausentes dessas duas próximas semanas.

"Não vou jogar mais o 'UK Swing'. A razão é simples: com a falta de apoios, ainda que esteja a jogar razoavelmente, não acabei como gostaria (em termos de classificações), e ganhei sequer para cobrir os custos. Pagar 250 libras por dia de hotel mais jantar, no final da semana, contas feitas não se ganha nada, pelo contrário. (Ainda por cima) sendo português, temos nacionalidade (considerada) de "risco" e somos colocados no hotel oficial mais caro do torneio", lamentou-se Ricardo Santos à Tee Times Golf em exclusivo para Record.

O melhor português classificado no ranking mundial jogou os três primeiros torneios do "UK Swing" e foi sempre melhorando: falhou o cut no Betfred British Masters com 1 pancada acima do Par, foi 57.º no Hero Open com 3 abaixo do Par, e 44.º no English Championship com 10 abaixo do Par.

As suas prestações foram cada vez mais encorajadoras, mas a verdade é que em termos meramente financeiros embolsou apenas sete mil euros nessas três semanas. É preciso contar com uma retenção na fonte que anda entre os 25 e os 30 por cento e só em alojamento gastou mais de cinco mil euros. Se a isto acrescentarmos os gastos em transportes e ainda os honorários do caddie, fácil é de perceber que o algarvio de 37 anos tem razão ao afirmar que saiu do Reino Unido com prejuízo.

A situação de Pedro Figueiredo é algo semelhante. Jogou os mesmos três torneios, teve despesas idênticas e só arrecadou cinco mil euros de "prize-money" pelo 47.º posto no British Masters, tendo depois falhado o cut nas duas semanas seguintes.

"É de facto muito caro jogar estes torneios – reconheceu 'Figgy' – mas eu optei também por não jogar mais torneios do 'UK Swing' por razões de descanso e de treino. Joguei quatro semanas (tinha competido num torneio austríaco antes de viajar para o Reino Unido) agora descanso três semanas, para depois jogar mais três semanas".

Os dois portugueses têm, portanto, o mesmo plano de só voltarem ao European Tour para o chamado "Iberian Swing", composto pelo Estrella Damm N.A. Andalucia Masters, no Real Club Valderrama, em Sotogrande, no sul de Espanha, a 3 de setembro; pelo Portugal Masters no Dom Pedro Victoria Golf Course, em Vilamoura, a 10 de setembro; e pelo Open de Portugal at Royal Óbidos a 17 de setembro.

Ricardo Santos e Pedro Figueiredo desistem, assim, de lutar pela qualificação para o Open dos Estados Unidos, o segundo torneio do Grand Slam de 2020, que se disputa exatamente ao mesmo tempo do Open de Portugal.

O "UK Swing" que agora abandonaram atribui dez convites para o U.S. Open aos dez primeiros classificados da chamada "mini Ordem de Mérito", que acumula os pontos obtidos nos cinco primeiros torneios desta série britânica, ou seja, termina com o Open do País de Gales.

É verdade que ambos estavam muito longe desse top-10. Após os três primeiros torneios, Ricardo Santos era apenas o 87.º classificado com 16,53 pontos e Pedro Figueiredo o 105.º com 9,80, entre um total de 125 jogadores pontuados. Essa "mini Ordem de Mérito" é liderada pelo inglês Andy Sullivan com 431,86 pontos.

Para chegarem ao top-10 os portugueses precisariam de somar um mínimo de 150 pontos, provavelmente 200 pontos, nos próximos dois torneios e isso implicaria pelo menos dois top-5. Não era impossível, mas convenhamos que não seria o mais plausível, pelo que entendem-se as suas decisões.

Quem fica a ganhar é a Federação Portuguesa de Golfe que fica a saber que tem a presença assegurada de dois dos mais mediáticos golfistas portugueses de sempre no Open de Portugal at Royal Óbidos, de 17 a 20 de setembro.

Autor: Hugo Ribeiro / Tee Times Golf (teetimes.pt) para Record

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