Stéphane Castro Ferreira já não é profissional e regressa às vitórias

Ganhou em Vilamoura e jogou ao lado do irmão do capitão europeu da Ryder Cup

Stéphane Castro Ferreira decidiu deixar de ser profissional aos 44 anos, recuperou o estatuto de golfista amador e estreou-se da melhor maneira em competições internacionais ao vencer a classificação gross da 32.ª edição do Grande Troféu de Vilamoura, que contou com quase 300 jogadores de 15 nacionalidades. 

O Grande Troféu de Vilamoura realizou-se mesmo antes do final do ano em três dos cinco campos da Dom Pedro Hotels & Golf Collection, em Vilamoura: o Dom Pedro Old Course (antigo palco do Portugal Ladies Open do Ladies European Tour), o Dom Pedro Pinhal (que já recebeu o Campeonato Nacional da PGA de Portugal) e o Dom Pedro Victoria (a sede do Portugal Masters do European Tour). 

Muitos golfistas portugueses, sobretudo os mais jovens, já não se recordam de Stéphane Castro Ferreira e ligam mais o seu nome aos comentários televisivos do PGA Tour e European Tour que fez primeiro na SportTV e depois no Eurosport. 

No entanto, foi um jogador que marcou a alta competição em Portugal há 20 anos, devido à sua extrema dedicação ao treino. Uma atitude profissional, mesmo quando era ainda um jovem amador, que valeu-lhe dois títulos no Campeonato Nacional Amador da FPG em 1997 e 1998. Tornou-se depois profissional, conquistou de rajada alguns torneios e chegou a ser durante algumas semanas o n.º1 da Ordem de Mérito da PGA de Portugal. 

Muito rapidamente deixou a competição e passou a enveredar por outras atividades mais ligadas à dimensão comercial do golfe. Atualmente é diretor de vendas para Portugal e norte de Espanha na empresa espanhola Holiday Golf. 

No entanto, nunca deixou de ser de profissional. Numa entrevista à Golf Digest Portugal chegou mesmo a dizer que ser profissional é um estatuto de que poucos podem orgulhar-se. 

Foi por isso com surpresa que vimo-lo na lista de inscritos do Grande Troféu de Vilamoura, como jogador do Clube de Golfe do Santo da Serra (da Madeira), com 4 de handicap. E depois, lá esteve na cerimónia de entrega de prémios como campeão gross com 241 pancadas, 24 acima do Par, após voltas de 83, 83 e 75. 

«O diretor do Clube de Golf do Santo da Serra, Ricardo Abreu, vinha há muitos meses ou anos a moer-me a cabeça para voltar a amador. Sempre lhe disse que não tinha tempo disponível para treinar e jogar. Com um filho de quatro anos (Ricardo) e uma filha de um ano (Victoria) não sobra muito tempo. Mas lá me convenceu. Para ser sincero devolveu-me a vontade de jogar, porque como profissional era convidado a jogar torneios de amador das saídas amarelas e se jogasse bem diziam que não era normal um profissional poder ganhar aos amadores. Se jogasse mal diziam que fulano A ou B tinha jogado melhor do que o profissional. Assim acabam-se as dúvidas», explicou. 

É uma situação cada vez mais recorrente em Portugal. Profissionais que optaram por não seguir a via da competição internacional sentirem que têm poucos torneios para jogar, ao contrário dos amadores que gozam de provas todas as semanas. Alguns preferem, por isso, solicitar à Federação Portuguesa de Golfe o regresso ao estatuto amador. 

«Já não sou nem nunca voltarei ao meu nível de amador ou profissional que exibi entre 1997 e 2002. Mas agora jogo com os amigos e tento divertir-me. Joguei o Expresso BPI Golf Cup no Santo da Serra e adorei», frisou. 

O Expresso BPI Golf Cup é o Campeonato Nacional de Empresas e joga-se por equipas, mas no Grande Troféu de Vilamoura jogou individualmente, embora tenha usufruído de outro dos prazeres do golfe – confraternizar com a família. 

«Convidaram-me para jogar o torneio e aproveitei para levar o meu pai (Rui Castro Ferreira), que já tem 80 anos, e fui também em trabalho. Joguei sem poder treinar e os resultados foram melhorando a cada dia. Fiquei em estado de choque quando disseram-me que tinha ganho o gross porque com este resultado não estava à espera de ganhar, mas correu mal a toda a gente e eu acabei por ser feliz», analisou. 

«Gostei imenso de jogar o torneio porque tenho um amigo, o Eduardo Lopes, que já o tinha ganho por duas vezes. A manutenção do Old Course e do Victoria estão ao nível dos melhores campos do Mundo e os greens do Old Course estavam excecionais. Adorei, para o ano espero estar lá outra vez e fazer um bocadinho melhor», elogiou.

Stéphane Castro Ferreira saiu ainda de Vilamoura com uma boa história para contar, pois o regresso aos torneios internacionais amadores tantos anos depois permitiu-lhe atuar ao lado do irmão do atual selecionador europeu da Ryder Cup. 

«Joguei no último dia no Victoria com um senhor irlandês chamado Columb. No buraco 5 ele disse-me que quase ganhava o torneio em 2018, mas que tinha feito um triplo-bogey no buraco 17. Depois, mais à frente disse-me que quem tinha ganho o torneio há três anos tinha sido o irmão dele. Perguntei-lhe se tinha ganho o gross ou o net. Ele olhou para mim, riu-se e disse-me: "Não, o meu irmão ganhou aqui, mas no Portugal Masters". 

Columb tem o apelido de Harrington e é o irmão de Padraig Harrington, antigo top-10 mundial e vencedor de três torneios do Grand Slam. 

Autor: Hugo Ribeiro/Tee Times Golf em exclusivo para Record

Por Hugo Ribeiro
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