Susana Ribeiro arranca 3.º lugar em Cáceres

A segunda melhor classificação de sempre de uma profissional portuguesa em circuitos internacionais

Susana Ribeiro obteve a segunda melhor classificação de sempre de uma profissional portuguesa em circuitos internacionais, ao concluir no 3.º lugar a etapa inaugural de 2019 do Santander Golf Tour, o circuito profissional espanhol.

No Norba Club de Golf, em Cáceres, a vice-campeã nacional esteve na luta pelo título até aos últimos dez buracos de uma prova que teve um total de 36, ou seja, duas voltas, concluindo com o resultado de 150 pancadas, 6 acima do Par, após entregar cartões de 72 e 78.

Susana Ribeiro terminou empatada com outras três jogadoras, as espanholas Piti Martinez Bernal (79+71) e Maria Beautell (77+73), e a inglesa Olivia Winning (79+71), razão pela qual o prémio monetário teve de ser dividido, recebendo cada uma 1.700 euros.

Se até meados do ano passado Susana Ribeiro era a única portuguesa a competir em circuitos internacionais, agora tem a companhia de Leonor Bessa, que também se deslocou a Cáceres.

A campeã nacional foi 21.ª isolada entre 25 jogadoras, com 166 pancadas, 22 acima do Par, depois de rondas de 81 e 85. O 21.º lugar foi o primeiro a não ter direito a prémio monetário.

O torneio com um "prize-money" total de 19.650 euros foi ganho pela espanhola Natalia Escuriola, que liderou do início ao fim, ao somar 142 pancadas, 2 abaixo do Par (a única a bater o Par do campo aos 36 buracos), com voltas de 69 e 73.

Natalia Escuriola foi a n.º1 da Ordem de Mérito do Santander Golf Tour em 2018 e já iniciou a temporada de 2019 da mesma forma, dando-se até ao luxo de fazer a "dobradinha", pois no dia anterior ao arranque do torneio de profissionais, tinha-se imposto igualmente no Pro-Am com 47 abaixo do Par (Tour Scramble).

Susana Ribeiro também esteve bem no Pro-Am, no qual foi a 6.ª classificada (-30), enquanto Leonor Bessa concluiu esse dia no 20.º posto (-19).

Voltando à prova principal, Susana Ribeiro fechou os primeiros 18 buracos a 3 pancadas da líder e partiu para a segunda volta no grupo da frente.

«Vai ser a primeira vez que jogo no grupo das líderes» disse à Tee Times Golf em exclusivo para Record, antes de partir para os derradeiros 18 buracos.

O certo é que não começou nada mal, com 1 birdie no primeiro buraco, reduzindo para 2 pancadas a distância em relação a Escuriola, mas o pior estava para vir e os bogeys sofridos nos buracos 3, 5 e 9 retiraram-lhe reais hipóteses de pensar no título, até porque, entretanto, Escuriola dobrou os primeiros nove buracos em 1 abaixo do Par.

«Estava um pouco ansiosa, claro, porque não é habitual para mim estar nesta posição (de ir no grupo da frente). Comecei bem com 1 birdie e criei algumas oportunidades para birdie, mas não estava com bom ritmo no jogo curto, tanto o chip como no putt», lamentou-se a profissional do Skip Golfe.

Depois disso os segundos nove buracos impediram a portuguesa de 28 anos de chegar mesmo ao 2.º lugar, ao perder mais pancadas nos buracos 12, 15, 17 e 18. O buraco 18 foi o seu pesadelo pois na véspera tinha feito ali um duplo-bogey.

Em declarações ao site "GolfTattoo", admitiu ter tido também «um bocado de azar. No segundo dia estava vento como ontem, as bandeiras também estavam mais difíceis e com vento não é fácil colocar a bola bem no green».

Ainda ao mesmo site especializado frisou não ter ficado «muito contente com o resultado de hoje e poderia ter feito muito melhor, mas não posso ficar triste com o 3.º lugar».

Com efeito, na história do golfe feminino profissional português este 3.º lugar só é superado pelo 2.º que a própria Susana Ribeiro tinha alcançado em 2017 num torneio do Santander Golf Tour em Barcelona. E no final do ano passado, no mesmo circuito, fora 4.ª na etapa de A Coruña.

Sente-se que mais tarde ou mais cedo poderá arrancar um primeiro título e a também comentadora de golfe no Eurosport Portugal deseja continuar a competir neste Santander Golf Tour, embora em 2019 a sua prioridade possa ser o Ladies European Tour Access Series, a segunda divisão europeia, onde Leonor Bessa também irá competir.

«O Santander Golf Tour tem um bom nível de jogo», disse-nos Susana Ribeiro, que não ficou surpreendida pela sua boa classificação logo no primeiro evento da temporada espanhola: «Tenho trabalhado muito nestes últimos três meses, principalmente o jogo longo, que na época passada foi a parte mais fraca do meu jogo. Por isso, considero que esse trabalho já deu os seus frutos neste torneio, embora hoje tenha faltado um pouco de timing no jogo curto».

Para já, na Ordem de Mérito do Santander Golf Tour, Susana Ribeiro surge, naturalmente, como 3.ª classificada e este circuito tem algumas vantagens para as jogadoras portuguesas.

No final da época a n.º1 do ranking apurar-se-á diretamente para a Final da Escola de Qualificação do Ladies European Tour (LET), a primeira divisão europeia. E receberá também um convite para jogar em 2020 no Estrella Damm Mediterranean Ladies Open 2020, um torneio do LET.

Ora bem, em 2018 Susana Ribeiro não conseguiu apurar-se para a Final da Escola e só jogou um torneio do LET durante toda a época, no Open de Espanha. Por isso, qualquer um destes prémios oferecidos à n.º1 do circuito espanhol seria excelente para a antiga tricampeã nacional.

Mas não é só a n.1 de 2019 que será premiada. As n.º2 e n.º3 serão presenteadas com a Categoria 12a para o Ladies European Tour Access Series (LETAS), a segunda divisão, para além de poderem ganhar alguma prioridade na tal Final da Escola de Qualificação. Uma vez mais, é um prémio aliciante. Em 2019, por exemplo, Susana Ribeiro não tem categoria para entrar diretamente na maioria das provas do LETAS, dependendo de convites.

O Santander Golf Tour será, assim, em 2019, uma opção extremamente válida para a portuguesa que ostenta o melhor palmarés golfístico de sempre e a próxima etapa será jogada em Málaga, de 9 a 12 de abril. Antes disso, irá comentar no Eurosport o Valero Texas Open do PGA Tour, ao lado do jornalista Rodrigo Cordoeiro, do jornal Público.

O caso de Leonor Bessa é um pouco diferente. A atual campeã nacional conseguiu apurar-se para a Final da Escola em 2018, pelo que em 2019 poderá entrar diretamente em muitas provas do LETAS, desde que tenha possibilidade de suportar os custos elevados da segunda divisão europeia.

Autor: Hugo Ribeiro/Tee Times Golf

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