Susana Ribeiro prepara Escola com 4.º lugar em La Coruña

Obteve uma das melhores classificações de sempre de uma portuguesa em circuitos internacionais

Susana Ribeiro obteve uma das melhores classificações de sempre de uma profissional portuguesa em circuitos internacionais, ao concluir no 4.º lugar a etapa de A Coruña do Santander Golf Tour, o circuito profissional espanhol.

A jogadora de 28 anos é a única portuguesa a competir regularmente em circuitos internacionais em 2018 e esta 4.ª posição é a sua melhor classificação da época. No Santander Golf Tour só fez melhor no ano passado quando se sagrou vice-campeã em Barcelona.

Em condições de jogo complicadas, com chuvas noturnas, vento e frio durante os dois dias de competição, nenhuma das 25 participantes logrou bater o Par do clássico traçado do Real Club de Golf de La Coruña, na Galiza.

A espanhola Camila Hedberg fez a "dobradinha", pois fez o melhor resultado das profissionais no Pro-Am (-15 em Tour Scramble) e depois, no torneio principal, de 20 mil euros em prémios monetários, conquistou o seu segundo título do ano, com 146 pancadas, 2 acima do Par, após duas voltas de 73.

Susana Ribeiro também entregou um cartão de 73 (+1) no segundo dia, o melhor resultado dessa última volta, mas na jornada inaugural tinha carimbado apenas 78 (+5), fechando com um agregado de 151 (+7), que lhe valeu um prémio de 1.800 euros.

A tricampeã nacional chegou a liderar a prova no início da primeira volta e na segunda volta andou no 2.º lugar. E embora o 4.º lugar final seja bem positivo, ambiciona mais e julga que poderia ter chegado ao título.

"A minha expectativa para este torneio era vencê-lo", disse à Tee Times Golf. "Tenho estado a trabalhar muito em alguns aspetos técnicos no meu swing e tenho sentido grandes melhorias. Tenho estado a jogar bem, estou confiante, estava à espera de fazer um bom resultado e é para isso que estou a trabalhar", acrescentou.

Não foi, por isso, uma surpresa ver-se na frente da classificação. "Sabia que estava a liderar o torneio porque vi nos leaderboards que tinham no campo. Acho que não foi a primeira vez porque já tinha visto isso num torneio do LETAS, nos Açores", declarou.

Tem razão, em 2016, no Batalha Golf Course, também ocupou durante três buracos o comando do Açores Ladies Open, um torneio ainda mais importante, do Ladies European Tour Access Series (LETAS), a segunda divisão europeia, do qual Record foi jornal oficial.

Terminou esse Açores Ladies Open no 10.º lugar, então a melhor classificação de sempre de uma portuguesa na prova, marca superada em 2017 pelo 7.º lugar de Joana de Sá Pereira no Clube de Golfe da Ilha Terceira.

Mas embora não tenha sido inédito vê-la na frente de um torneio internacional, também não é algo que lhe aconteça todos os dias.

"Com o desenrolar das coisas comecei a ver que andava perto da liderança e, para ser sincera, isso também colocou-me alguma pressão. Não é algo que me aconteça com muita frequência e foi bom para acreditar mais em mim. Estive perto, (o título) era alcançável se não tivesse cometido tantos erros. Quem sabe se numa próxima", desabafou.

Os erros a que se refere foram as 5 pancadas perdidas nos últimos cinco buracos da primeira volta e as 3 pancadas cedidas nos buracos 10 e 11 da segunda volta. Mesmo assim terminou o torneio com 1 birdie (num total de 5 birdies em 36 buracos), o que é sempre animador.

Susana Ribeiro considerou que foi exatamente nos segundos nove buracos do campo galego que perdeu o título: "Considero que os primeiros nove buracos são bem mais difíceis do que os segundos nove, apesar de eu ter jogado sempre pior essa segunda parte, mas a verdade é que é mais acessível e há mais oportunidades de birdie. Não consegui aproveitar tão bem essas oportunidades e cometi alguns erros que custaram-me algumas pancadas, nomeadamente 1 triplo-bogey no 17, um buraco de Par-5 onde facilmente se faz birdie. O resultado não refletiu o que joguei no primeiro dia. No segundo dia joguei bem, aliás, bati bem na bola nos dois dias e senti-me bastante confortável".

Como se explicam então os resultados terem sido todos acima do Par? Entre 25 jogadoras e 49 voltas disputadas só uma – a espanhola Ivon Reijers – assinou um cartão de 72, igualando o Par do campo. As restantes 48 voltas foram acima do Par.

"As condições estavam difíceis, com muito vento e muito frio. O campo estava bastante exigente. Jogámos muitos buracos das brancas (as saídas mais recuadas), é um campo bastante estreito e jogando de trás fica mais comprido. Os greens estavam muito rápidos, estavam a 12 (velocidade igual à do último dia no Portugal Masters do European Tour), algo a que não estou muito habituada, e são greens muito ondulados e pequenos", explicou a profissional do Skip Golfe.

Não se pense, contudo, que Susana Ribeiro não gostou do campo desenhado pelo famoso escocês Mackenzie Ross, conhecido pelo seu trabalho em Turnberry, um dos percursos do British Open: "O campo é excelente. Gostei muito, os greens são fantásticos, não há nada a apontar. É um campo exigente e dá gosto jogar num campo assim".

A Coruña foi já o sétimo torneio do Santander Golf Tour de 2018, mas foi o primeiro de Susana Ribeiro, que não jogava este circuito espanhol desde o ano passado.

"O calendário foi publicado este ano muito tarde", elucidou a portuguesa. "É um circuito que gosto muito de jogar porque é perto, é barato, tem um bom nível competitivo graças à qualidade das jogadoras espanholas. Mas quando o calendário saiu eu já tinha a minha época toda planeada. Muitos dos torneios coincidiram com outros em que eu já estava inscrita, nomeadamente em dois da PGA de Portugal", acrescentou.

Por outro lado, em 2018 Susana Ribeiro optou por um calendário competitivo algo diferente, com algumas séries de quatro ou cinco torneios seguidos e depois períodos mais virados para o treino, para trabalhar designadamente nas alterações técnicas que tem levado a cabo com o seu treinador, o ex-selecionador nacional Nuno Campino.

"A minha decisão de não jogar mais torneios também esteve relacionada com o facto de ter vários torneios seguidos e se adicionasse os torneios do Santander iria ficar em outubro, novembro e dezembro, três meses seguidos a competir. Preciso também de algum tempo para treinar, principalmente para preparar a Escola de Qualificação do LET e com tantos torneios não iria consegui-lo", especificou.

Até porque o grande objetivo de Susana Ribeiro não é o Santander Golf Tour, mas sim a Escola de Qualificação do LET (Ladies European Tour), a primeira divisão europeia.

Para isso terá de começar por jogar a Pré-Qualificação em Marrocos, no, Amelkis Golf Club, de 7 a 10 de dezembro. O objetivo é passar à Final da Qualificação, no mesmo clube. Aí, o top-25 ganha direitos de jogar no LET em 2019, mas mesmo que não termine no top-25 e não suba à primeira divisão europeia, só estar na Final da Escola de Qualificação irá oferecer-lhe um estatuto melhor no LETAS, a segunda divisão.

Por exemplo, em 2018 Susana Ribeiro jogou nove torneios do LETAS com Categoria-10. Ora o último torneio deste circuito será o Santander Golf Tour LETAS El Prat, no Real Club de Golf El Prat, em Barcelona. Susana Ribeiro está, para já, de reserva, embora com boas perspetivas de poder entrar. Para melhorar a sua categoria, terá de encerrar o ano no top-50 da Ordem de Mérito do LETAS (o que é pouco provável, pois é a 114.ª classificada) ou chegar à Final da Escola.

Para se preparar devidamente para a Escola de Qualificação do LET, Susana Ribeiro tem previsto jogar um torneio do PGA Portugal Tour, o Hilti PGA Open, em Vidago, a 25 e 26 de outubro. Depois, entre 8 e 10 de novembro, jogará o tal torneio de Barcelona que conta simultaneamente para o LETAS e o Santander Golf Tour. De 15 a 17 de novembro, regressa a Espinho para tentar o "tetra" no Campeonato Nacional Solverde, do qual Record será o jornal oficial. E de 22 a 25 de novembro vai disputar o Open de Espanha, em Marbelha, do circuito principal (LET), para o qual conseguiu um convite graças à influência do ex-presidente da FPG, Manuel Agrellos. Tudo isto até à Escola de Qualificação.

Como se vê, um calendário carregado com um pico de forma apontado para novembro e dezembro. "Vamos ver como corre até ao final da época", indaga-se, cheia de confiança após o 4.º lugar na Corunha.

Autor: Hugo Ribeiro/Tee Times Golf

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