Tomás Melo Gouveia em 3.º na Alemanha

No McNeill Open sponsored by KUHN Maßkonfektion

Tomás Melo Gouveia à esquerda

Tomás Melo Gouveia alcançou esta terça-feira a melhor classificação da sua curta carreira profissional em torneios de circuitos internacionais sancionados pelo European Tour, ao garantir o último lugar no pódio do McNeill Open sponsored by KUHN Maßkonfektion.

É certo que em dezembro já se tinha sagrado vice-campeão do 1º San Lorenzo Classic, de 10 mil euros em prémios monetários, mas o Portugal Pro Golf Tour, embora seja um circuito satélite internacional, com uma elevada qualidade de participantes, e apesar de poder ser considerado uma espécie de quarta divisão europeia, ainda não oferece nenhuma subida de escalão ao seu n.º1.

Pelo contrário, este McNeill Open é um torneio alemão, de 30 mil euros em prémios monetários, integrado no Pro Golf Tour, uma das terceiras divisões europeias cujo top-5 no final do ano oferece um lugar no Challenge Tour, a segunda divisão europeia.

Aliás, foi exatamente por ter terminado no top-5 do ranking de 2017 do Pro Golf Tour, que Pedro Figueiredo ascendeu em 2018 ao Challenge Tour, tendo há duas semanas conquistado um título na Bélgica.

É esse percurso de "Figgy" que tenta agora seguir o irmão mais novo de Ricardo Melo Gouveia, que esta semana assinou voltas de 70, 69 e 72, para concluir a prova germânica no 3.º lugar, empatado com o amador alemão Ferdinand Mueller e o francês Julien Gressier.

Este trio totalizou 211 pancadas, 5 abaixo do Par do Golfclub Glashofen Neusaß, um Par-72 situado nos arredores de Walldürn e cada jogador embolsou 1.750 euros, o seu prémio mais elevado da época no Pro Golf Tour. Somou também 1.616,67 pontos para a Ordem de Mérito, tendo entrado pela primeira vez no top-30, para o 29.º posto.

A ascensão do antigo campeão nacional amador tem sido notória. Só no final do ano passado jogou e passou a Escola de Qualificação do Pro Golf Tour, e este ano, na qualidade de ‘rookie’, já somou três top-10 e mais um top-25.

O top-30 no ranking é importante para poder jogar a Final que encerra a época, mas Tomás Melo Gouveia quer mesmo é o top-5 para subir ao Challenge Tour.

«A entrada no top-30 da Ordem de Mérito é muito positiva mas não diria que seja um marco muito relevante. Relevante vai ser quando entrar no top-5», disse à Tee Times Golf.

O português de 23 anos, que ainda competiu no circuito universitário norte-americano antes de passar a profissional, tem vindo a sentir-se cada vez melhor e mesmo quando falhou o cut no Open de Portugal, em maio, afirmou logo ao Gabinete de Imprensa da PGA de Portugal que estava «a jogar bem e havia aspetos positivos a retirar» da sua prestação no Morgado Golf Resort.

Na semana passada, no Axis PGA Open, em Ponte de Lima, a contar para o PGA Portugal Tour, chegou a liderar aos 18 buracos com uma boa volta de 68 pancadas, antes de cair para 4.º após uma segunda volta de 75.

Agora, na Alemanha, voltou a sentir que teve uns dias melhores do que outros: «Senti que o meu jogo estava bom, mas não a 100 por cento no primeiro e no terceiro dia. Foi no segundo dia que joguei melhor, foi o dia em que tive mais oportunidades».

«Neste último dia – acrescentou – comecei um pouco nervoso, mas a jogar relativamente bem. Ao longo do dia fui melhorando do tee ao green mas não consegui que os putts entrassem. Foi pena porque, mesmo assim, no buraco 18 ainda tive hipótese de ir a play-off mas não consegui fazer um "up-and-down" para me juntar aos líderes. Foi uma semana positiva, sinto que o meu jogo está a evoluir muito, mas ainda tenho muito trabalho pela frente».

Com efeito, o profissional português da Kankura Golf ficou a apenas 1 pancada de ir a play-off com o alemão Hinrich Arkenau e o austríaco Johannes Steiner, que fecharam a prova com 210 (-6), tendo o germânico sido superior graças a um eagle no desempate, o que lhe valeu um quarto título no Pro Golf Tour, um prémio de 5 mil euros e a subida ao 4.º lugar na Ordem de Mérito. Aos 28 anos, a jogar a sua quarta época neste circuito, sente que é hora de subir de divisão e até contratou um novo treinador.

O campeão Hinrich Arkenau é um jogador muito mais experiente e até já tinha pedido uma pizza no restaurante do clube porque estava convencido de que não iria vencer, mas quando foi chamado para o play-off a concentração regressou em minutos.

Tomás Melo Gouveia está, pelo contrário, ainda numa etapa de formação. O nervosismo de que falou no início da última volta é compreensível e mais admirável é ter sido capaz de se agarrar ao resultado e de fazer 2 birdies nos últimos sete buracos, depois de ter caído na classificação por causa de 2 bogeys nos buracos 3 e 11.

A experiência de ter liderado no circuito profissional português, no Axis Ponte de Lima, e depois ter descambado na segunda volta, poderá ter sido importante esta terça-feira, quando se viu a partir para a derradeira ronda no grupo da frente e de novo em dificuldades.

«Foi um dos dias mais difíceis a nível mental nesta minha carreira como profissional. Hoje foi uma nova experiência. Nunca tinha jogado no último grupo no último dia de um torneio internacional de profissionais. Foi muito desafiante. Sabia que iria ser difícil, sabia que precisaria de muita paciência e atitude. Os líderes, que estavam a jogar comigo, começaram muito bem, com birdies logo nos primeiros buracos e eu com 1 bogey, para ficar a muitas pancadas deles logo no início. Mas eu sabia que este campo é difícil e que precisaria de muita paciência até ao fim. Foi isso que fiz e consegui ir para o último buraco a 1 dos líderes».

Uma declaração que explica a evolução porque passou o jogador português da Srixon ao longo dos últimos 18 buracos, num campo exigente: «É muito difícil, com muitas árvores, os fairways muito estreitos, os roughs muito altos e os greens muito duros. Em contrapartida, o tempo esteve bom, com calor em todos os dias, algum vento e sem chuva».

Esta tarde, o presidente da Federação Portuguesa de Golfe, Miguel Franco de Sousa congratulava-se com mais um grande resultado para o golfe nacional em 2018, com o seguinte post no Facebook: «Vitor Londot Lopes vence o Campeonato Internacional Amador de Portugal, Filipe Lima fica em 2.º no Open de Portugal, Pedro Figueiredo vence o KPMG Challenge, Ricardo Santos fica em 3.º no Hauts de France Golf Open, Miguel Gaspar fica em 2.º no Alps Tour da Andalucia, Tomás Melo Gouveia fica 3.º no McNeill Open 2018 (Pro Golf Tour)».

Record acrescenta ainda o 3.º lugar de João Carlota no Obidos International Open do Alps Tour Golf, o 4.º lugar de Tiago Cruz no Open de Portugal e o 7.º lugar de Stephen Ferreira no Sun City Challenge do Sunshine Tour. E ainda só vamos a meio do ano!

Para Tomás Melo Gouveia, é claro que se destaca o sucesso de Pedro Figueiredo e inspira-se nele, por provar-lhe que o Pro Golf Tour (onde agora milita) pode ser uma rampa de lançamento importante.

«A vitória do "Figgy" foi muito especial para mim, por ser um grande amigo meu e pelo que ele teve de ultrapassar nos últimos anos. Os bons resultados dos portugueses este ano dão-me ainda mais motivação e vontade de fazer grandes resultados. Acho que tem sido um ano muito bom para o golfe nacional e tenho a certeza de que vamos continuar com esta boa forma e com estes grandes resultados», prometeu.

Da sua parte, depois de alguns dias em Portugal, regressa ao Pro Golf Tour já no próximo dia 25 para o Open da Polónia, no Gradi Golf Club, perto de Wroclaw, com mais 30 mil euros em prémios monetários.

Na Polónia, Tomás Melo Gouveia terá a companhia de Tiago Rodrigues, que na Alemanha também passou o cut e terminou em 36.º empatado, com 219 (70+76+73), +3, ganhando 330 euros.

Foi a segunda vez este ano que Tiago Rodrigues passou o cut no Pro Golf Tour, depois de ter sido 44.º em fevereiro e surge apenas em 126.º na Ordem de Mérito.

Já João Zitzer falhou o cut na Alemanha, com 150 (78+72), +6.

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