Tomás Silva ao ataque do Challenge Tour

Ex-campeão nacional está nos calcanhares do top-3 do Alps Tour com acesso à segunda divisão europeia

A COVID-19 não travou as intenções de Tomás Silva de repetir o sucesso de Pedro Figueiredo, o único português a ter conseguido apurar-se para o Challenge Tour através de uma das terceiras divisões do golfe europeu.

Em 2017 Pedro Figueiredo aceitou dar um passo atrás na sua gloriosa carreira e foi jogar uma época inteira no Pro Golf Tour. A estratégia deu resultado. Terminou esse ano no top-5 do circuito germânico e ascendeu ao Challenge Tour, a segunda divisão europeia. Em 2018, "Figgy" encerrou a temporada no top-15 do Challenge Tour e subiu ao European Tour. Desde então milita na primeira divisão europeia.

Em 2019 Tomás Silva dividiu-se, sobretudo, entre torneios do Alps Tour (10 disputados, incluindo a Escola de Qualificação), circuito do qual é membro por direito próprio, e do Challenge Tour (7 jogados), onde só pode competir através de convites, e sentiu que tinha-se dispersado um pouco. Gizou uma nova estratégia para 2020.

No final de 2019, em Cascais, na apresentação do Open de Portugal at Royal Óbidos, declarou aos media que em 2020 iria privilegiar o Alps Tour e não tanto o Challenge Tour, pois queria terminar o ano no top-5 do ranking e garantir de pleno direito o cartão à segunda divisão europeia, para não depender mais de convites.

A estratégia deu resultado logo no início. Em 2019 terminara o Alps Tour no 48.º posto da Ordem de Mérito, mas logo no arranque de 2020 assumiu o 2.º lugar do ranking do Alps Tour, ao iniciar a temporada com o estatuto de vice-campeão no Ein Bay Open, no Egito, em fevereiro.

Nesse mesmo mês, ainda no país dos faraós, foi 20.º no Red Sea Little Venice Open e perdeu 2 posições para 4.º na Ordem de Mérito. Nada de preocupante, pois continuava no top-5 de acesso ao Challenge Tour.

A pandemia veio, então, complicar-lhe as coisas. Com a paragem de toda a competição durante largos meses – seis no caso do Alps Tour – o European Tour (que gere as duas divisões principais do golfe europeu) veio anunciar que congelava as promoções entre o European Tour e o Challenge Tour.

Isso beneficiou jogadores como Ricardo Santos e Pedro Figueiredo que sabem que têm o seu lugar seguro na primeira divisão em 2021; mas prejudicou em certa medida atletas como Ricardo Melo Gouveia e Filipe Lima, que são membros do Challenge Tour e sabem que não poderão subir de divisão.

No entanto, estas notícias foram, sobretudo, ameaçadoras para os jogadores das terceiras divisões europeias.

Só que, numa medida conjunta única, os responsáveis do Alps Tour, Pro Golf Tour (dois circuitos com jogadores portugueses) e o PGA EuroPro Tour uniram-se para conseguirem que, apesar de tudo, no final de 2020, houvesse convites para o Challenge Tour, já não para o top-5, mas unicamente para o top-3.

A tarefa de Tomás Silva é agora ainda mais difícil. Para sonhar com um top-3 no ranking no final do ano precisará de vários top-10 e alguns top-5.

O campeão nacional de 2018 e 2019 regressou agora à competição internacional. O seu último torneio de um nível semelhante fora o The Tour Championship do Portugal Pro Golf Tour em março, com 25 mil euros em prémios.

O Gosser Open que agora terminou na Áustria estava dotado com 40 mil euros em prémios monetários e o português de 27 anos foi 15.º classificado (com voltas de 67, 68 e 69), empatado com o austríaco Uli Weinhandl (65+70+69), ambos com 204 pancadas, 12 abaixo do Par do Golfclub Erzherzog Johann, nos arredores de Graz, embolsando cada um 776 euros.

Apesar de ser um bom resultado (-12 em três voltas) e uma boa classificação (o seu 10.º top-20 no Alps Tour), foi insuficiente para os seus objetivos e manteve o 4.º lugar na Ordem de Mérito do Alps Tour. Mas a verdade é que continua muito perto do tal top-3, quando ainda faltam 10 torneios em 2020, pelo que só tem razões para manter o otimismo.

«Os objetivos continuam intactos. Acredito muito nas minhas capacidades e no trabalho que faço. Acredito que tenho jogo para vencer neste Tour e terminar o ano no top-3», disse à Tee times Golf, em exclusivo para Record.

Em relação à sua exibição ao longo destes três dias, destaca-se a regularidade de resultados e a capacidade da fazer birdies: um total de 17 para apenas 5 bogeys, mas o jogador do Clube de Golf do Estoril também admite que o campo prestava-se a essa agressividade.

«Foi a primeira vez que aqui joguei. Pelo historial de resultados dos anos anteriores sabia que era um campo que permitia fazer muitos birdies. Iria ter muitos wedges ao green. Os greens apresentaram-se com muito ‘grain’ (granulados), daí ter tido algumas dificuldades em agarrar o pace (velocidade) certo. O campo estava em excelentes condições, ainda mais depois da chuva que caiu. A equipa de manutenção fez um trabalho excelente na recuperação do campo», analisou o atleta da Nike.

O mau tempo, incluindo tempestade, foi, de facto, um dos obstáculos dos jogadores, pois a primeira volta só terminou no segundo dia; a segunda volta só se concluiu no terceiro dia; e a terceira e última volta foi jogada nesse mesmo terceiro e último dia.

«O segundo dia foi desgastante mentalmente: só começar a jogar às 17h44. E no terceiro dia jogar 27 buracos e estar no campo de golfe e bater a primeira bola as 6h00 e a última às 15h30, foi fisicamente desafiante. Esteve muito calor e muita humidade também, mas senti que consegui manter-me apto em termos físicos e mentais para ultrapassar estes desafios», declarou Tomás Silva ao site especializado "Golftattoo".

O importante é que o seu balanço final foi promissor: «Foi uma semana positiva no geral. Estive muito sólido do tee ao green ao longo dos dias. O putt teve momentos em que esteve muito bem e momentos em que esteve mal e acabei por deixar algumas pancadas nos greens».

Tomás Silva foi o melhor dos quatro portugueses que deslocaram-se à Áustria. Dos quatro, Vítor Lopes voltou a falhar o cut como no ano passado.

De resto, entre 144 participantes, os profissionais portugueses estiveram em bom plano e o recém-coroado campeão nacional, Tomás Bessa, até chegou a andar no top-10 (8.º) no final da primeira volta, num dia em que celebrou da melhor maneira o 22.º aniversário da sua irmã mais nova, Leonor, também ela campeã nacional.

Os resultados completos dos jogadores portugueses no Gosser Open foram os seguintes:

15.º (empatado), Tomás Silva, 204 (67+68+69), -12, €776

36.º (empatado), Miguel Gaspar, 209 (69+69+71), -7, €444

36.º (empatado), Tomás Bessa, 209 (66+72+71), -7, €444

61.º (empatado), Vítor Lopes, 141 (71+70), -3, falhou o cut por 2 pancadas

Após três torneios disputados na época de 2020 do Alps Tour, embora Vítor Lopes tenha sido 5.º classificado no Ein Bay Open, é forçoso reconhecer que só Tomás Silva está a transmitir ideia de poder sonhar com o tal top-3 do ranking no final do ano.

Contudo, com dez torneios pela frente, tudo pode ainda acontecer e nenhum está fora da corrida. Basta dizer que uma vitória num torneio colocaria qualquer português no top-5 do ranking.

Na Ordem de Mérito atual do Alps Tour, os portugueses ocupam as seguintes posições:

4.º Tomás Silva, 5.088,38 pontos (manteve o 4.º lugar)

14.º Vítor Lopes, 2.921,40 (era 8.º)

22.º Tomás Bessa,  2.038,50 (era 20.º)

28.º Tiago Cruz, 1.098 (manteve o 28.º)

68.º Miguel Gaspar, 472,50 (apareceu pela primeira vez)

O Gosser Open voltou a ser importante para Miguel Gaspar, o jogador português que melhor conhecia o campo depois de ter sido 16.º (-10) classificado no ano passado.

«Já conhecia o campo do ano passado. Adapta-se muito bem ao meu melhor jogo. Joguei muito bem do tee ao green, com muitas oportunidades de birdie, mas, infelizmente, este ano não estive tão bem nos greens. Foi muito difícil acertar com o ‘pace’ derivado ao ‘grain’ que estes greens têm. Faltou-me converter, porque oportunidades tive, para ter tido uma boa classificação», declarou o jogador que este ano foi 3.º classificado no Solverde Campeonato Nacional PGA, um ano depois de ter sido vice-campeão nacional.

O Gosser Open é um dos mais prestigiados torneios do Alps Tour. Matt Wallace, vencedor de quatro títulos do European Tour, incluindo o Open de Portugal em 2017, conta que quando andava por esta terceira divisão europeia dizia que a prova austríaca era «o quinto Major».

Não admira que o austríaco Lukas Nemecz, que tem brilhado no Challenge Tour, tenha decidido jogar esta prova, obtendo uma boa vitória, com 199 pancadas, 17 abaixo do Par, após voltas de 65, 68 e 66, arrecadando 5.800 euros.

Um título arrancado a ferros, graças a uma última volta com 6 birdies e sem sofrer qualquer bogey, com apenas 1 pancada de vantagem sobre quatro rivais: o espanhol Jordi Garcia Del Moral (60+70+70), o francês Thomas Elissalde (67+65+68), o austríaco Alexander Kopp (66+66+68) e o francês Sebastien Gandon (66+70+64).

Lukas Nemecz conhece bem o campo, já tinha ganho aqui em 2017 e conquistou assim o seu terceiro título no Alps Tour depois de também se ter imposto em 2019 no Dreamland Pyramids Open, no Egito.

O próximo torneio do Alps Tour, de novo com 40 mil euros em prémios monetários, será o Cervino Alps Open, em Itália, de 2 a 4 de setembro, com as presenças garantidas dos cinco portugueses classificados no ranking deste circuito.

Entretanto, nesta segunda-feira, inicia-se já um torneio de três dias do Pro Golf Tour, outra das terceiras divisões europeias – o Starnberg Open, na Alemanha (arredores de Munique), de 30 mil euros em prémios, com a presença de cinco portugueses: Tomás Melo Gouveia, João Magalhães, Alexandre Abreu, João Zitzer e o amador João Pinto Basto.

Autor: Hugo Ribeiro / Tee Times Golf em exclusivo para Record

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