Uma dúzia já treina com autorização da FPG

Três amadores de alto rendimento e nove profissionais, incluindo os campeões nacionais Susana Ribeiro e Tomás Silva

• Foto: Filipe Guerra

A Federação Portuguesa de Golfe (FPG) respondeu positivamente ao repto do secretário de Estado da Juventude e Desporto e desde segunda-feira que vários jogadores de alta competição, amadores e profissionais, estão a treinar devidamente autorizados no Centro de Alto Rendimento (CAR) do Jamor ou em campos perto das suas residências.

Record noticiou esta sexta-feira, na sua edição impressa, que João Paulo Rebelo considerou que «o desporto não pode ser deixado para trás», acrescentando que o golfe, o ténis, o surf e o padel já apresentaram os seus planos de retoma de atividade.

A FPG deverá ter novidades na próxima semana, mas o diretor-técnico nacional, João Coutinho, avançou à Tee Times Golf, em exclusivo para Record, que os três jogadores amadores ao abrigo do estatuto de alto rendimento e outros nove jogadores profissionais já estão devidamente autorizados a treinar em instalações apropriadas e não em casa, garagens, varandas ou jardins privados.

O primeiro decreto governamental referia-se apenas a jogadores de alto rendimento. Ora no golfe há uma particularidade de só haver amadores enquadrados nesse regime jurídico. No entanto, são profissionais que competem nos circuitos europeus, designadamente no European Tour (como Ricardo Santos e Pedro Figueiredo) e no Challenge Tour (como Ricardo Melo Gouveia e Filipe Lima).

Foi a partir da segunda versão legislativa que foi aprimorado o alargamento a atletas profissionais, nos quais se incluem os golfistas, e a FPG não perdeu tempo, colocando-se logo em campo, de modo a permitir que, apesar de as infraestruturas de golfe estarem fechadas, fossem criadas as necessárias exceções para os profissionais.

No Centro Nacional de Formação de Golfe do Jamor, onde funciona o CAR, já estão a treinar os dois campeões nacionais, Susana Ribeiro e Tomás Silva. No Club de Golf de Miramar, em Vila Nova de Gaia, estão os três amadores Pedro Lencart (ex-campeão nacional amador), Daniel da Costa Rodrigues (campeão nacional amador) e Pedro Silva (vice-campeão nacional amador), bem como o selecionador nacional, Nelson Ribeiro.

Noutros campos do país treinam os profissionais Leonor e Tomás Bessa, Pedro Figueiredo, Miguel Gaspar, Vítor Lopes, João Magalhães e Tiago Rodrigues. Foram estes os que solicitaram a devida autorização à FPG.

«Há cerca de três semanas vi uma notícia sobre uma eventual abertura do Jamor para os atletas de alta competição e como sabia que as esperanças olímpicas (os tais três amadores) estavam a treinar em Miramar, perguntei ao João Coutinho se essas exceções seriam alargadas aos profissionais. Ele disse-me que sim, que a FPG estava a tentar conseguir uma autorização para abrir o Jamor», disse-nos Susana Ribeiro.

«Comecei a treinar na segunda-feira. No Domingo o João Coutinho ligou-me a dizer que a FPG já tinha autorização para abrir o CAR do Jamor para nós», acrescentou a portuguesa de 29 anos.

Os jogadores profissionais que desejem beneficiar desta autorização ao abrigo do artigo 5º, nº 3, do Decreto nº 2-C/2020, de 2 de abril, deverão solicitá-la à FPG e será esse documento a servir também de justificativo junto da PSP ou da GNR caso sejam abordados quando se dirigem em viatura própria para os treinos.

Susana Ribeiro e Tomás Silva têm de treinar isoladamente, nunca podem afluir em simultâneo às instalações federativas do Estádio Nacional e não não lhes é permitida a companhia dos seus treinadores.

O comunicado enviado a cada um dos jogadores é bem explícito: «A entrada no clube só é permitida aos atletas portadores de autorização de treino emitida pela FPG. Durante o período de permanência no clube, os atletas deverão permanecer sozinhos, não se podendo fazer acompanhar por familiares, técnicos ou outros. Só é permitida a permanência no clube de um atleta de cada vez. As instalações do clube estão encerradas, pelo que os atletas só terão acesso às zonas de treino. Só está autorizada a utilização em zona do driving range não coberta. A utilização do campo de golfe está vedada. As bolas usadas no treino terão de pertencer aos atletas, e ser por eles recolhidas no final. Cada atleta deve adotar permanentemente as medidas preventivas adequadas e condizentes com a presente situação».

Para Susana Ribeiro é um progresso enorme, pois estava a treinar numa garagem com ajuda de uma rede contra a qual batia bolas, com a ajuda do TrackMan, um software baseado num sistema de radar digital que permite visualizar o voo de bola.

«Desde que começou o estado de emergência tenho treinado a parte física todos os dias. Inclusive compre uma rede para bater bolas em casa, mas agora que posso treinar no Jamor deixei a rede de parte. No Jamor podemos treinar no campo de treino, nas zonas de jogo curto e putt, o que é ótimo porque permite-me abranger todas as áreas do treino. Estou a treinar sozinha, apesar de manter o contacto com a minha preparadora física, a Ana Monteiro, e com o meu treinador, o Nuno Campino. Hoje em dia, através de vídeo, é fácil conseguimos trabalhar de forma eficaz», disse a quatro vezes campeã nacional, que embora seja do Porto reside agora em Linda-a-Velha, mesmo colada ao Estádio Nacional.

«Em relação aos cuidados de higiene, aplico os mesmos do dia a dia. Mas não há bandeiras no putting green, não há ancinho no bunker e os buracos são mudados regularmente. Mas como só eu e o Tomás usamos o espaço, torna-se mais fácil a higienização claro», elucidou a jogadora que, nesta altura, deveria estar a competir no Santander Golf Tour em Espanha e no Ladies European Tour Access Series, a segunda divisão europeia.

Tomás Silva também sentiu grandes melhorias nas suas possibilidades de treino.

«A minha vida profissional é inexistente desde o The Tour Championship do Portugal Pro Golf Tour, disputado em Troia (que terminou a 14 de março). Com os campos encerrados e com o confinamento obrigatório, tenho aproveitado para trabalhar a parte física para um eventual regresso durante nos meses de verão», disse-nos o bicampeão nacional, profissional do Club de Golf do Estoril, que reside em Cascais.

Tomás Silva deveria estar a jogar no Alps Tour Golf, uma das terceiras divisões europeias, e nos próximos dias iremos contar quais os seus planos a curto e médio prazo, mas só poder trabalhar num campo de treino a sério já é um motivo de alegria, esperando pelo regresso dos torneios.

Por Hugo Ribeiro
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