Vítor Lopes garante convite para o Open de Portugal

Português de 23 anos ganhou dois dos últimos três torneios do Portugal Pro Golf Tour sempre em play-off

• Foto: Berto Granja

Vítor Lopes repetiu em fevereiro a proeza de Tomás Silva em janeiro: ganhou dois torneios do Portugal Pro Golf Tour (PPGT), venceu o ranking de um dos "swings" deste circuito internacional português e garantiu um convite para o Open de Portugal at Royal Óbidos do Challenge Tour.

Para um jogador classificado no 1616.º lugar do ranking mundial, assegurar desde fevereiro um lugar no único torneio português do Challenge Tour que só terá lugar em setembro, é bastante importante.

"Ter já um convite para o Open de Portugal faz com que possa preparar-me como deve ser para esse torneio", comentou o português de 23 anos à Tee Times Golf, em exclusivo para Record.

Vítor Lopes já disse que irá centrar sobretudo as suas atenções em 2020 no Alps Tour Golf, uma das terceiras divisões europeias, mas, é óbvio, que o Open de Portugal at Royal Óbidos é sempre um objetivo vital, não só por realizar-se em casa, mas, sobretudo, porque uma vitória significa logo garantir a entrada nessa segunda divisão europeia.

O algarvio de origem belga parece ter dado um salto em frente nas últimas semanas, que poderá permitir-lhe olhar com mais otimismo para o futuro, nesta sua segunda época completa como golfista profissional.

"Sinceramente, mesmo no último torneio, quando ia a Par do campo e a 6 pancadas do primeiro classificado, acreditei sempre. Mudei muito a minha mentalidade. Dantes estava muito preocupado em não fazer asneira e agora só penso em ganhar. Isso faz muita diferença. Se colocarmos as expectativas mais elevadas, as coisas irão correr melhor. Desde que comecei a fazer isso nunca mais desisti de um torneio e ganhei dois em três torneios no Morgado. Por isso, nunca tive em mente que o título estaria longe de mim".

Vítor Lopes respondeu assim à nossa questão sobre se teria acreditado na vitória no 2.º Morgado Classic, mesmo quando partiu para a última volta no 6.º lugar, a 2 pancadas, dos líderes, Tomás Silva e o galês Toby Hunt. Claro que 2 pancadas recuperam-se facilmente em 18 buracos, mas o mais importante da resposta do campeão foi essa nova mentalidade.

Nos seus tempos de amador, quando era um dos melhores da Europa, esse era o seu espírito, o de jogar sempre para o título, mas, realmente, ao tornar-se profissional, algo tinha mudado na sua postura, ao mesmo tempo que tecnicamente definhou em alguns aspetos como o jogo curto.

Tal como disse a Record na semana passada, Vítor Lopes está a debelar essa lacuna técnica e agora sente esta renovada confiança. A conjugação dos dois fatores torna-o mais forte e ainda mais quando se vê em situações de "mata-mata" como diria Scolari.

Já na semana passada tínhamos referido isso, aqui no Record, e parafraseando o título do livro de Maragrida Rebelo Pinto 'Não há coincidências'. Todos os três títulos de Vítor Lopes foram alcançados em play-offs e todos no Morgado Golf Resort – um no Álamos Course e os dois mais recentes no Morgado Course.

"Sabia que o play-off iria favorecer-me, mas desta vez foi mesmo muito duro. Foram seis buracos para decidir o vencedor. Felizmente caiu para o meu lado", disse, aliviado, Vítor Lopes, depois de derrotar na morte-súbita o inglês George Bloor.

Ambos tinham chegado ao final da prova empatados com 138 pancadas, 8 abaixo do Par do palco do Open de Portugal de 2019, tendo qualquer um deles assinado cartões de 70 e 68. O bicampeão nacional, Tomás Silva, ficou a apenas 1 pancada de distância e foi penalizado pelo duplo-bogey no buraco 14 que impediu-o de lutar por um terceiro título esta época.

Esse enorme equilíbrio durante duas voltas entre Vítor Lopes e George Bloor manteve-se no desempate e José Correia, o promotor do PPGT e diretor da Federação Portuguesa de Golfe, garante ter sido "o mais longo play-off na história deste circuito".

Vítor Lopes explicou-nos como foram jogados, com uma carrada de nervos, esses seis buracos de play-off: "Logo no primeiro buraco, no 18, tive um putt de três metros para ganhar e infelizmente não entrou. No segundo buraco, de novo o 18, ele teve um putt de um metro para ganhar e não meteu. No terceiro buraco, o 10, fizemos os dois birdie. Ele teve de meter um putt de um metro para birdie para empatar comigo porque eu já tinha o birdie garantido. No quarto buraco, o 18, fizemos os dois o Par, com dois putts a sete metros. No quinto buraco, o 10, demos dois bons drives, metemos os dois a bola no green, e os dois metemos os putts para birdie. E depois no sexto buraco, o 11 do campo, eu fiz um bom birdie e ele não meteu o putt. Ele saiu primeiro, nesses seis buracos. Era ele sempre o primeiro a sair, mas aí, no 11, um Par-3 de 170 metros, ele deixou a bola a uns cinco metros da bandeira e eu sabia que tinha de arriscar. Meti um putt com menos de dois metros para ganhar e fiquei bastante aliviado, porque não tinha almoçado, estava cheio de fome… valeu a pena. Posso considerar-me muito forte em play-offs".

Campeão no 1.º Morgado Classic na semana passada e vencedor do 2.º Morgado Classic esta semana, com um modesto 44.º lugar no Álamos Classic pelo meio, Vítor Lopes terminou o 5.º "Swing" do PPGT na 1.ª posição do ranking desta série de três eventos de 10 mil dólares cada um.

As consequências foram bem benéficas: o convite para o Open de Portugal at Royal Óbidos e dois cheques de dois mil euros cada um para poder investir na sua época no estrangeiro no Alps Tour Golf, pois continua sem patrocínios.

O 2.º Morgado Classic apresentou um campo imaculado, o Grupo Nau e a equipa do diretor Jorge Papa continuam a manter condições de jogo de elevada qualidade. Para mais, os 56 jogadores gozaram de uma primavera invernal.

"Esteve praticamente verão – disse Vítor Lopes –, pois joguei de manga curta desde as oito da manhã. Somos privilegiados por jogar em condições perfeitas para o golfe, sem frio, nem calor, com um pouco de vento, principalmente nos buracos finais".

Para além do título de Vítor Lopes e do 3.º lugar de Tomás Silva, houve mais portugueses em prova, com as seguintes classificações e resultados: João Carlota 11.º (-2), Hugo Santos 16.º (-1), Tomás Bessa 24.º (Par), Alexandre Abreu 42.º (+7), José Nicolau Melo 55.º (+17).

No Álamos Classic, que antecedeu este 2.º Morgado Classic, houve três portugueses no top-10: Miguel Gaspar em 4.º (-5), Tomás Silva 6.º (-4) e Hugo Santos 7.º (-3).

Hugo Ribeiro / Tee Times Golf, em exclusivo para Record

Por Hugo Ribeiro
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