Vítor Lopes vai jogar Escola do Alps Tour

E se tiver financiamento joga Escola do Asian Tour

Será Vítor Lopes a nova estrela do golfe português? O mais recente profissional luso tornou-se sócio da PGA de Portugal há apenas duas semanas e já mostra com orgulho a sua carteira profissional.

O certo é que com apenas dois torneios disputados com esse novo estatuto já sabe o que é ganhar e vem de triunfar no Hilti PGA Open, de 6.500 euros em prémios monetários, no Vidago Palace Golf Course.

Com quase dois metros de altura e apenas 22 anos tem tudo do seu lado, desde a juventude, à compleição física ideal para o golfe potente dos tempos modernos. É até mesmo bem-parecido, poderia ter sido modelo e chegou a fazer alguns trabalhos nesse mundo fascinante, mas o golfe calou mais fundo. Se vingar na nova profissão terá tudo para ser uma estrela.

Também poderia estar neste momento a jogar numa universidade norte-americana. Várias manifestaram interesse, pois o algarvio foi até há duas semanas um dos melhores amadores da Europa. Chegou a ser vice-campeão europeu de clubes ao serviço de Vilamoura e tornou-se em fevereiro deste ano num dos poucos portugueses a derrotar a elite mundial amadora que todos os anos nos visita, ao vencer no Montado Hotel & Golf Resort o Campeonato Internacional Amador de Portugal. Um feito que nos últimos tempos só fora conseguido por Gonçalo Pinto em 2013, Pedro Figueiredo em 2008 e Ricardo em Oliveira em 1990!

Mas a vontade de ser golfista profissional bateu-lhe mais forte no coração e já tinha dado contas aos media dessa sua intenção mal ganhou o Campeonato Internacional Amador de Portugal em Palmela. Oito meses depois cumpriu a promessa.

Vítor Lopes já tinha dado indicações de poder jogar a um nível capaz de rivalizar com os melhores golfistas portugueses e até mesmo de alguns dos bons jogadores europeus.

No Campeonato Nacional PGA Solverde, no Oporto Golf Club, em 2015, foi 4.º classificado a apenas 3 pancadas do vencedor Tiago Cruz, e a 1 pancada de Ricardo Melo Gouveia e João Carlota.

Na Taça Manuel Agrellos, a Ryder Cup à portuguesa, foi um dos esteios da seleção amadora da Federação Portuguesa de Golfe e nunca foi derrotado nos duelos de singulares, dando-se mesmo ao luxo de empatar um soberbo "match" com Ricardo Santos em 2017.

No Portugal Masters, um torneio do European Tour de 2 milhões de euros em prémios, deu logo um ar da sua graça quando se estreou em 2015 com uma segunda volta em 69 pancadas, 2 abaixo do Par do Dom Pedro Victoria Golf Course. Em 2017, no mesmo torneio, igualou o Par-71 do campo também na segunda volta.

No Open de Portugal, do Challenge Tour, de 200 mil euros em prémios, estreou-se este ano e deu logo que falar no primeiro dia, ao terminar a volta inaugural no 2.º lugar, com 69 pancadas, 3 abaixo do Par do Morgado Golf Course, a apenas 2 pancadas do líder, o espanhol Adri Arnaus. Foi a primeira vez que passou um cut num torneio do circuito europeu (segunda divisão, neste caso) e terminou num bom 14.º lugar, com 1 pancada abaixo do Par, merecendo um prémio especial de melhor amador na prova.

Ora o Open de Portugal foi em maio e antes disso, em fevereiro, já tinha ganho pela primeira vez um torneio de profissionais e logo num circuito internacional, no Portugal Pro Golf Tour, onde competem alguns jogadores do Challenge Tour e até mesmo do European Tour. Foi no 1.º Álamos Classic, no Algarve, de 10 mil euros em prémios monetários.

Havia, pois, boas razões para poder querer dar este passo importante na sua carreira. No dia em que venceu o Hilti PGA Open, a Tee Times Golf conversou com o algarvio de ascendência belga (Vítor Londot Lopes como gosta de inscrever-se nas redes sociais) e é essa entrevista que publicamos hoje em exclusivo na edição digital de Record. 

Record – Comecemos por esta vitória no final da semana, em Vidago. Já tinhas ganho um torneio de profissionais e na altura até te disse que considerava-o o maior feito da tua carreira amadora. Foi diferente vencer agora como profissional?

Vítor Lopes – Claro que é sempre diferente ganhar um primeiro torneio como profissional, mas aquele torneio de profissionais que ganhei quando ainda era amador (em fevereiro) foi muito importante. Deu-me muita confiança, fez-me acreditar que poderia sair-bem quando passasse a profissional e que era tudo uma questão de estatuto. São estas vitórias, estes bons momentos, que fazem-me perceber porque sacrifico-me tanto todos os dias.

R – Bateste por 1 pancada o Ricardo Santos, o único português a ter andado no top-10 da Corrida para o Dubai e dos raros 3 portugueses a terem conquistado um título no European Tour. Dá mais valor á tua vitória teres jogadores deste nível em campo?

VL – É sempre bom ganhar um torneio que conta com grandes jogadores como o Ricardo Santos, ou como os jogadores do meu último grupo na última volta, o Hugo Santos e o Tiago Cruz, que têm imensa experiência. Estar ao lado deles ajudou-me a manter o foco, sobretudo nos últimos buracos.

R – O Hugo Santos é um dos treinadores do Clube de Golfe de Vilamoura. É estranho para ti vê-lo ao lado como rival num torneio de profissionais?

VL – Sim, o Hugo faz parte da equipa técnica de Vilamoura e eu recorria muito a ele quando sentia dúvidas no meu jogo curto. Ele esteve sempre disposto a ajudar-me. Somos amigos e parceiros mas quando entrámos em campo para o torneio sabíamos ambos que passávamos a rivais.

R – Venceste por 1 pancada, pelo que aquele birdie no penúltimo buraco veio a revelar-se vital. Sabias depois daquele birdie que estavas na frente?

VL – O birdie no buraco 17 foi fundamental. Sabia que as coisas tinham corrido mal ao Ricardo Santos nos buracos 16 e 17 e perguntei ao José Correia (presidente da PGA de Portugal) se sabia como estavam os resultados e percebi que bastava-me fazer o Par no buraco 18 para ganhar. Esse 18, um Par-3, foi um buraco de muitas emoções e só caí na realidade de ter ganho o torneio quando o concluí. Dei uma boa pancada de saída, joguei pelo seguro, fiquei a 4 metros da bandeira, fiz 2 putts e ganhei o torneio por 1 pancada.

R – Fizeste uma das melhores voltas da tua vida no primeiro dia de 65 pancadas e no segundo somaste mais pancadas. Não foi uma boa segunda volta de 75 pancadas, apesar de teres ganho o torneio. Como se explica essa diferença de 10 pancadas?

VL – No primeiro dia joguei muito bem e no segundo joguei algo parecido, mas o putt fez uma grande diferença e nessa segunda volta fiz quatro greens a 3 putts. Foi isso que levou-me a fazer mais 10 pancadas do que na primeira volta.

R – És um jogador que bate longe. Aproveitas bem a alavanca da tua elevada estatura para impor o teu jogo comprido. Pensei que estarias mais à vontade em campos de fairways largos e abertos, mas este Vidago Palace Golf Course tem muitas árvores em jogo. Conhecias bem o campo?

VL – Conheço bem o campo porque no ano passado jogámos e vencemos lá o Campeonato Nacional de Clubes e fazíamos 36 buracos por dia. Isso ajudou-me bastante. Devo dizer que o Vidago Palace Hotel surpreendeu todos os jogadores pela qualidade excelente em que se encontrava o Vidago Palace Golf Course. Mas eu sou um jogador que acerta muitos fairways e faz muitos greens. Por isso gosto de campos longos, é certo, mas de fairways estreitos como este.

R – Vamos então falar um pouco da tua decisão de passares a profissional. Quais as razões desta opção?

VL – Estava numa altura em que sentia que não estava a evoluir como amador e sentia-me preparado para outras metas. Um dos meus objetivos era vencer um campeonato internacional como amador, porque tinha de mostrar que sabia ganhar entre os amadores antes de passar a profissional. Nesse sentido, a vitória no Campeonato Internacional Amador de Portugal, em fevereiro, deu-me boa energia, confiança, foi um "boost" (impulso) importante.

R – E o momento da passagem a profissional? Conversei contigo pouco antes do Portugal Masters e fez sentido jogares esse torneio em setembro ainda como amador, porque tinhas um convite da FPG e se já fosses então profissional a PGA de Portugal não iria provavelmente poder dar-te um "wild card". Mas depois, pensei que, por exemplo, já valesse a pena jogares a Escola de Qualificação do European Tour como profissional, mas fizeste-o ainda como amador.

VL – Joguei ainda a Escola de Qualificação do European Tour como amador porque o plano era só passar a profissional depois do Europeu de Clubes (Liga dos Campeões de golfe, que terminou no Domingo), mas como Vilamoura ficou este ano no 2.º lugar do Campeonato Nacional de Clubes, não nos qualificámos para o Europeu. Mas eu tinha-me inscrito na Escola como amador, já tinha pago a inscrição, não fazia sentido não aproveitá-la. Teria de anular essa inscrição e fazer outra se quisesse jogar como profissional.

R – Bem, há males que vêm por bem. Se tivesses ido ao Europeu de Clubes não terias podido jogar este Hilti PGA Open que acabou por ser o teu primeiro título como profissional e logo apenas no segundo torneio que jogaste com esse estatuto.

VL – A Final do Circuito PT Empresas, na semana anterior, no Penina Hotel & Golf Resort, foi o meu primeiro torneio como profissional, mas foi um torneio diferente, porque jogámos em sistema de Pro-Am, fazendo equipa com um amador e jogava-se de buggy. Por isso, de certa forma, o Hilti PGA Open foi o meu primeiro Open "a sério".

R – A tua equipa técnica vai manter-se a mesma, com o Joaquim Sequeira como treinador?

VL – A minha equipa técnica continua a ser a do Clube de Golfe de Vilamoura e o meu treinador o Joaquim Sequeira. Continuo a ser um jogador do Clube de Golfe de Vilamoura. Se as coisas correm-me bem e sinto que estou bem acompanhado porque iria mudar de treinador só porque passei a profissional?

R – E como vais financiar esta sempre difícil fase de transição de amador para profissional? Já tens alguns patrocinadores? O Team Portugal da FPG e da PGA de Portugal vai ajudar-te?

VL – Tenho tudo em aberto no que se refere ao financiamento da minha carreira. Há muita gente que mostra-se disponível para apoiar-me mas até ao momento não tenho nenhum apoio definido. Do Team Portugal ainda não sei de nada. Se as coisas correrem bem até poderei ter apoios.

R – Como não passaste à Segunda Fase da Escola de Qualificação do European Tour já sabes que não deverás competir em 2019 nem no Challenge Tour nem no European Tour. O que estás a pensar jogar nos próximos tempos? Quais os teus planos em termos de competição?

VL – Vou jogar também o Campeonato Nacional PGA Solverde (de 15 a 18 de novembro, no Oporto Golf Club) e depois começo a competir no Portugal Pro Golf Tour (a partir de 21 de novembro, no Algarve). Vou jogar a Escola de Qualificação do Alps Tour (a 9 de dezembro no La Cala Resort, em Málaga, onde terá a companhia de Tiago Rodrigues). E se arranjar um patrocínio até pretendo jogar a Escola de Qualificação do Asian Tour (de 19 a 22 de dezembro em Banguecoque).

R – Se passares a Escola do Alps Tour (uma das terceiras divisões da Europa) vais na mesma à Escola do Asian Tour? E a Taça Manuel Agrellos, vais jogá-la pela primeira vez como profissional?

VL – Se tiver patrocínio quero jogar as duas Escolas de Qualificação. A Taça Manuel Agrellos já não sei, porque isso depende do capitão da equipa da PGA de Portugal, o José Correia, mas se me convocar, jogo.


Autor: Hugo Ribeiro / Tee Times Golf para Record

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