Hoquistas portugueses recordam vitória na final em Espanha há 59 anos

Seleção das quinas sagrou-se no domingo campeã do mundo

• Foto: Lusa

Dois antigos campeões mundiais recordaram esta quinta-feira a primeira vez que Portugal ganhou um campeonato do mundo em Espanha, há 59 anos, classificando como um "feito inédito" de uma época "extraordinária".

Francisco Velasco, 85 anos, e Amadeu Bouçós, 84, juntamente com Fernando Adrião, já falecido, 'assinaram' a autoria dessa vitória de Portugal por 3-1 frente à Espanha, na final da 14.ª edição do Campeonato do Mundo, disputada em Madrid, em 1960, proporcionando a Portugal a primeira conquista de um mundial em Espanha com quatro jogadores luso-moçambicanos.

"Foi inédito, porque ninguém ganhava na Espanha e nunca ninguém tinha ganhado à Espanha. E foi com uma equipa maioritariamente moçambicana, com (a exceção de) Vasco Guedes, e vencemos o campeonato no meio daqueles 16 mil ou 17 mil espanhóis, que se fartaram de assobiar, mas não conseguiram amachucar-nos", recordou pelo telefone, em declarações à agência Lusa, o avançado Francisco Velasco.

Segundo Velasco, o jogo foi "muito interessante, muito frio, muito calculista da nossa parte e nós, tanto eu como o Bouçós e o Arião, cada um de nós marcou um golo. Portanto, ficou bem dividido o esforço".

"Tenho a bola desse jogo em Madrid. Tenho-a em minha casa", atira também à Lusa, pelo telefone, o seu antigo companheiro na equipa das 'quinas', Amadeu Bouçós.

O jogador recordou ainda: "Lembro-me que usámos uma técnica diferente de tudo o resto que tínhamos feito. Eu só joguei do meio-campo para a frente para destruir o quadrado espanhol e o Velasco ficou a servir-me e eu marquei. Foi uma vitória formidável."

"Era muito difícil bater o Largo (guarda-redes da Espanha) na baliza. Íamos ao pé dele fazer-lhe uma finta, mas o Largo não saía da baliza. Ele conseguia aguentar-se bem. O único que o tirou da baliza foi o Velasco", recordou Bouçós.

Nessa final de há 59 anos, em Madrid, a seleção nacional portuguesa, orientada por António Raio, integrou no quarteto além desse trio de ataque, o guarda-redes Alberto Moreira, fazendo alinhar como capitão de equipa Vaz Guedes, que militava no Campo de Ourique, uma das principais equipas da então 'metrópole'.

"Foi uma obra, aliás, as consequências disso para Portugal quando regressámos foram excecionais. Nunca na minha vida eu tinha sido recebido com tanta gente, desde a fronteira de Elvas até passar por Vila Franca de Xira e entrar em Lisboa, tudo cheio de pessoas, milhares delas, pareciam formigas por todo o lado. Foi extraordinário", contou Velasco.

Segundo Velasco, a seleção das quinas não teve dificuldade em ganhar nessa final, porque já vínha "a ganhar à Espanha há três ou quatro anos".

Amadeu Bouçós recordou ainda que, em Madrid, "os jornais da época disseram que os espanhóis foram impotentes para conseguirem derrotar o plano português".

"Foi o António Raio que se lembrou de fazer uma coisa que eles não estavam à espera e, de facto, até ao final do jogo os espanhóis não conseguiram desbaratar o nosso sistema de jogo. Aquilo foi uma vitória bonita", acrescentou.

Francisco Velasco, que falou em "época extraordinária", vincou ainda: "Eu estive cinco anos na seleção nacional e não perdi nem um torneio. Nós ganhámos tudo quanto havia para ganhar e, agora, se as pessoas querem esquecer isso, estão a esquecer um dos períodos mais gloriosos do hóquei em patins (nacional português)."

Por Lusa
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