Jovens argentinos em busca do sonho em Portugal: «A nível financeiro é melhor o euro»
Seguir Autor:
A presença de jogadores argentinos em Portugal é uma realidade há vários anos, mas que se intensificou na última década com o aumento do investimento dos clubes. Do país sul-americano chegaram sobretudo craques consagrados aos melhores clubes como Carlos Nicolía, Lucas Ordoñez, Pablo Álvarez, Nolito Romero ou Matías Platero.
Este verão, assistiu-se a uma nova tendência. Os recém-promovidos Turquel, Juv. Pacense e Carvalhos abriram as portas da Europa a jovens argentinos. Albano Martinazzo ruma ao Carvalhos e Ezequiel Funes mudou-se para o Turquel. São dois campeões do Mundo de sub-19 que vão jogar pela primeira vez na Europa.
"Foram campeões, mostraram o sangue deles mais aguerrido", explica Vítor Pereira, treinador do Carvalhos. "Querem-se mostrar, profissionalizar e dar o salto e nós abrimos as portas ao melhor campeonato do Mundo. Apostar em jovens fica mais económico do que ir buscar um Lucas Martínez (Oliveirense), por exemplo", refere o técnico.
Mais surpreendente foi a contratação da Juventude Pacense. Marcio Sisti, foi contratado ao Casa Itália, emblema de San Martín, localidade a 50km de Mendonza, umas das cidades com maior tradição no hóquei em patins na Argentina. Não foi à seleção de sub-19, mas o presidente do emblema de Paços de Ferreira garante que há ali talento.
"Interessa-nos o mercado argentino pelo potencial dos seus jogadores", refere Mário Almeida. "Descobrimos o Marcio através de alguns contactos que temos na Argentina que nos indicaram esse miúdo. Vimos alguns vídeos e as indicações que nos deram foram boas. O nosso campeonato é mais competitivo e mediático. Os miúdos olham para o nosso campeonato como o melhor do Mundo", destaca.
Já o OC Barcelos contratou Santiago Chambella, jogador que chegou na época passada à Europa para jogar nos italianos do Monza. Ao todo, são 19 os jogadores argentinos a atuar no primeiro escalão. Mas a presença de craques das Pampas não é exclusivo da 1ª divisão. Equipas como Marinhense, Alenquer ou Candelária também apostam em jogadores sul-americanos.
A crise que vive a Argentina ajuda também a explicar o êxodo destes jogadores. O país está novamente mergulhado numa crise financeira grave, com previsões de que a inflação pode chegar aos 200% no final de 2023. Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censo da Argentina, 40,1% da população da Argentina (12 milhões de pessoas) vivem abaixo do limiar da pobreza.
"A maior aposta nos jovens argentinos deve-se ao facto de sermos campeões do Mundo sub-19. A nível financeiro é melhor os euros do que os pesos argentinos", explica a Record o ex-Benfica Carlos López, um referência à desvalorização da moeda argentina.
Um euro vale hoje 370 pesos argentinos. Há um ano, o mesmo euro valia 144 pesos. Mesmo não tendo grandes ordenados nos primeiros anos em Portugal, a possibilidade de se profissionalizarem e de seguirem o exemplo de alguns ídolos serve de motivação para estes jogadores.