2000: odisseia em Baku
As nadadoras sobressaem na comitiva pela sua juventude...
Lembra-se onde estava quando Luís Figo pegou na bola naquele Portugal-Inglaterra do Euro’2000 e a colocou bem no cantinho da baliza de David Seaman, iniciando uma das mais incríveis reviravoltas do futebol português? Pois bem, tanto Francisca Cabral como Raquel Pereira não se recordam. Não que estivessem desatentas. É que Francisca nem sequer era nascida nesse 12 de junho de boa memória. Raquel era um bebé de meses.
Francisca e Raquel fazem parte da equipa de natação que hoje vai estrear-se no novíssimo Centro Aquático de Baku. Nasceram em 2000, tal como a companheira Ana Rita Faria. Francisca é mesmo a atleta mais nova da comitiva nacional dos Jogos Europeus: nascida a 9 de agosto, tem apenas 14 anos. Com a candura própria de quem se vê dentro de uma organização multitudinária mal saída da infância, a atleta do FC Porto, que hoje compete nos 400 m estilos, garante que no edifício onde está a missão portuguesa "não há qualquer tipo de diferenças" e que o facto de ser a mais nova não a torna alvo de brincadeiras ou, por outro lado, de proteção especial: "Ainda ninguém me disse nada de mal... Aqui somos todos iguais, independentemente da idade", conta. Ainda assim, nota-se a timidez. Francisca, que partilha a aldeia com atletas como João Costa, de 50 anos, ou Alan, que acabou de fazer 40, diz que "cumprimenta" os veteranos, mas ainda falta estar mais à vontade para iniciar uma conversa prolongada.
Viajar de Portugal para o outro lado da Europa pode ser um desafio para alguém tão jovem. "Já tinha estado em Israel, mas acho que não é tão longe como Baku", diz Francisca. Não é, de facto. Os pais, esses, telefonam frequentemente: "Não diria que estão preocupados, mas gostam de saber as novidades."
Também da classe de 2000, mas já com 15 anos feitos em janeiro, Raquel Pereira é uma das esperanças nacionais em bruços. Para já, a vida na Aldeia corre sobre rodas e a proximidade com outros campeões portugueses é entusiasmante: "Tem sido bom. Cumprimentamo-nos sempre que nos cruzamos e à hora da refeição vamos todos juntos para a mesma mesa, mesmo que não nos conheçamos bem." Filha de ex-nadadores, Raquel tem o apoio incondicional dos pais: "Dizem para me manter calma, focada e para não me distrair com nada. A Aldeia é grande, há muita coisa para fazer, mas a prova é o mais importante." E tem seguido os conselhos? "Vou tentando [risos]."
Campeões
Raquel vem de uma família de campeões e até há quem lhe roube recordes em casa. "A minha irmã Clara tem 13 anos e já bateu alguns dos meus recordes nacionais. Fico orgulhosa, mas gostava de ficar com alguns!", brinca a brucista. Há ainda Maria, de 11 anos, que está a dar os primeiros passos na competição.