Baku é mais um carimbo no passaporte de Edgar Pinto
Faz parte do quinteto que estará amanhã na prova de estrada...
No início da temporada, Edgar Pinto nem estava a contar estar em Baku a representar Portugal na prova de ciclismo de estrada dos Jogos Europeus, onde fará amanhã equipa com Filipe Cardoso, Fábio Silvestre, José Gonçalves e Rafael Reis. "Não era um objetivo, mas proporcionou-se", conta o ciclista de 29 anos, a cumprir a 1.ª época no estrangeiro, ao serviço da Skydive Dubai. E se para grande parte dos atletas destes Jogos, o Azerbaijão pode parecer um destino, digamos, excêntrico, para Edgar Pinto será apenas mais um carimbo num passaporte que este ano o levou a competir nos locais mais exóticos do Planeta.
A época do corredor começou em fevereiro na Volta ao Dubai, indo de seguida para a La Tropicale Amissa Bongo, vulgo Volta ao Gabão. Depois, em abril, foi a vez da Volta a Marrocos. Pelo meio, uma passagem por Espanha, para no mês passado ser um dos destaques na International Tour de Banyuwangi Ijen (uff!), prova disputada na Indonésia. Antes de Baku, Edgar fez ainda a Volta ao Japão.
"Estive na ilha de Java, em Bali, Japão, Marrocos... tem sido interessante, é um ciclismo diferente. Talvez até se enquadre mais com a corrida que vamos ter cá, muito maluca, com muitos ataques e ninguém a controlar. Tenho corrido um pouco assim este ano", começa por contar o atleta." Mas como é correr, por exemplo, no Gabão? Aqui, Edgar tem o apoio de Filipe Cardoso, que fez a prova em 2009 e dá uma pequena e concisa introdução ao tema. "Em África é preciso esquecer tudo o que se sabe sobre ciclismo e desporto", diz o homem da Efapel. Edgar continua, contando uma das experiências que viveu no país africano: "Fizemos muitas viagens em aviões militares, daqueles que nem sequer têm bancos, só local para os pára-quedistas. Os hotéis na capital são bons, mas fora são muito fracos…"
Já na Indonésia, Edgar diz ter sofrido a bom sofrer, em pleno vulcão Ijen, em Java. "A etapa terminava a mais de 3 mil metros de altitude, foi a subida mais dura que fiz até hoje, com quase 30 km. Vi atletas a escalar com a bicicleta na mão. Nunca tinha assistido a nada assim." O mítico monte Fuji, no Japão, que Edgar Pinto também subiu este ano, foi outro momento "muito duro".
Dubai semelhante
Tal como no Dubai, em Baku há muito petróleo, e outras coisas aproximam as duas cidades. "Esta construção onde estamos, na Aldeia dos Atletas, é parecida com o que temos lá, assim no estilo árabe. É claro que no Dubai os edifícios são maiores, em larga escala, só carros topo de gama, tudo do melhor", conta Edgar Pinto, que a seguir aos Jogos Europeus segue para Portugal, onde vai disputar o Campeonato Nacional. Quanto à Volta de Portugal, Edgar quer estar presente, mas ainda não há decisão por parte da Skydive Dubai.
Prova dura e muito técnica
"Comparando com todas as provas de circuito que já fiz, é um dos mais técnicos", sublinha Filipe Cardoso, falando do percurso da prova de estrada, que amanhã vai percorrer o Centro de Baku, em 16 voltas. "Vai ser duro pela quilometragem, pelo calor, e vai ser muito perigoso: há um local onde passamos de uma zona de três, quatro faixas de rodagem e piso bom para a parte muralhada, onde não passam mais do que dois ciclistas de cada vez, com zonas de pavé dentro da Cidade Velha", explica ainda o ciclista da Efapel, que acredita que uma "meta real" passaria por um lugar entre os 10 primeiros. "Mas terá de correr tudo bem. Temos de estar longe dos azares, que vão acontecer", remata.
Já Edgar Pinto frisa que para já "ainda não há escalonamento" na equipa, mas o atleta acredita que a Seleção tem "dois homens que podem fazer a diferença" numa chegada ao sprint: Filipe Cardoso ou Fábio Silvestre. "Mas qualquer um de nós pode ter a sorte de estar fisicamente bem, estar na frente e conseguir uma boa classificação", diz o ciclista da Skydive Dubai.