Difícil como um triatlo

Segurança azeri não esconde a intransigência soviética numa entrevista realizada... na terra de ninguém...

Difícil como um triatlo
Difícil como um triatlo • Foto: carlos alberto matos/fgp
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Bem-vindo à entrevista mais difícil do Mundo. Não por causa dos entrevistados, note-se, mas porque a organização azeri não está cá para facilitar. Expliquemos então: ontem, com a aldeia dos atletas dos Jogos Europeus fechada aos jornalistas, devido à cerimónia de abertura, a solução encontrada para ouvir os desejos e expectativas dos triatletas João Pereira e João Silva para a prova de amanhã – que terá também Pedro Palma – foi a "terra de ninguém" entre a Media e a Athletes Village. O problema é que essa terra não era assim tão de ninguém. Expulsos pela segurança, tentou-se de tudo, bem à maneira do nacional desenrascanço. Os próprios atletas intercederam. Nada feito. Afinal de contas, a intransigência soviética ainda mora aqui...

A solução foi então afastarmo-nos do local, para as garbosas traseiras da aldeia dos atletas. Entre revistas, corridas e preparar o equipamento, tudo começou quase um triatlo depois. Ao ler este texto, imagine um descampado, muito vento e incontáveis autocarros a passar.

Mas vamos ao que interessa. Nomeadamente ao facto de João Pereira ser o melhor colocado do ranking mundial presente em Baku. Pressão adicional? "Não acredito que isso me afete psicologicamente. Tenho treinado bem e quero chegar à meta, sentir que nadei e pedalei o máximo que consegui e corri o melhor que sabia", diz o triatleta do Benfica, de 27 anos. Ainda assim, Pereira alerta que este ano ainda não está "a correr aquilo que corria" na última temporada: "Isso não me deixa tão confiante para a vitória." Vitória essa que dá apuramento olímpico.

Calor é fator

Apesar de algumas críticas ao percurso, nomeadamente a um sector de cerca de 100 metros que vai obrigar os atletas a correr dentro de água, João Silva diz que o traçado lhe parece acessível. "Esse sector afeta todos. Qualquer triatlo tem as suas particularidades e temos de estar preparados", aponta. Já o calor pode ser um fator na prova de amanhã. "É mais um desafio. E a nossa prova será às 12h30 [8h30 em Lisboa], não há como fugir ao sol. Mas por norma dou-me bem com este tipo de clima", diz o também atleta das águias.

Silva já foi olímpico e sobre as diferenças para Jogos Europeus fala... da tenda da alimentação! "Aqui não temos a parte oriental, sushi ou guacamole." Já excesso de zelo da segurança, esse não falta.

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