Rui Bragança: «Tenho o telemóvel cheio de notificações»

O "day after" foi passado a apoiar os companheiros...

Rui Bragança: «Tenho o telemóvel cheio de notificações»
Rui Bragança: «Tenho o telemóvel cheio de notificações» • Foto: Carlos Alberto Matos / FGP
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O que tem a água de Guimarães? É que de repente aparecem-nos dois campeões vimaranenses: João Sousa e agora Rui Bragança, medalha de ouro na categoria -58kg no taekwondo nestes Jogos Europeus. "É a água da Penha, que faz-nos crescer rijos!", começa por dizer o bem-disposto Rui, ainda um pouco atordoado com o repentino mediatismo conquistado em Baku. É certo que Bragança não é exatamente um desconhecido (já foi campeão da Europa e vice-campeão do Mundo), mas só agora "explodiu".

"Cada vez que vou ao telemóvel estou cheio de notificações. Sinto-me mal por não poder responder a toda a gente, mas é impossível. Nunca tinha tido nenhuma publicação no Facebook com 1000 ‘gostos’. Pus a foto da vitória e já vou em 1083... é muito pouco comum!", diz o atleta de 23 anos, sublinhando que o feedback vindo de Portugal e dos companheiros da comitiva "está a ser espetacular".

O "day after" de um campeão seria, normalmente, passado a contemplar a medalha ganha e a relaxar. Mas Rui Bragança é um rapaz nobre e tem, digamos, mais que fazer. Na manhã seguinte já estava ao lado dos colegas. "A medalha ficou na mesa de cabeceira, só quando já estava no pavilhão é que me lembrei que a tinha deixado sem qualquer tipo de proteção. Mas não voltei à aldeia, porque o importante era apoiar os colegas", conta. "Preferia que me tivessem roubado a medalha do que voltar para a ir buscar e depois eles terem perdido porque eu não ajudei no aquecimento. Por exemplo, a Joana [Cunha] perdeu no 1.º combate e se eu tivesse ido e voltado sem sequer a ter visto a combater, ia sentir-me pior do que ficar sem medalha." Um rapaz de ouro, e não só no taekwondo. Ah, e quando voltou ao final do dia, a medalha estava no mesmo sítio.

Os portugueses acordaram para o ténis de mesa nos Jogos de Londres e Rui Bragança espera que os Jogos Europeus façam o mesmo pelo taekwondo. "Era bom. Se as pessoas olhassem para os nossos resultados... temos feito coisas incríveis. Temos três atletas no top 15 olímpico. Não há muito mais modalidades assim. Estamos a sair regularmente e constantemente a trazer medalhas. E muitas vezes temos de tirar dinheiro do nosso bolso."

Doutor pronto para anestesiar adversários

Atualmente no 5.º ano de Medicina, Rui Bragança continua a conciliar os estudos com o taekwondo. "Continuo a estudar e tenho algumas cadeiras em atraso por causa da competição. Quando chegar a Portugal vou tentar recuperar." Quanto à especialidade, Rui está dividido entre ortopedia e anestesia. Mas a ideia é adormecer os adversários? "Posso começar agora a treinar! Mas acho que na altura os pacientes não vão gostar muito de levar um pontapé no queixo para adormecer. Se bem que assim daria trabalho a dentistas em Portugal..."

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