Antigos desportistas olímpicos portugueses costumam estar seguros no mercado laboral

Dados de um levantamento inédito da Comissão de Atletas Olímpicos

Ricardo Bendito, o mais à esquerda na foto, é o coordenador do Gabinete do Atleta
Ricardo Bendito, o mais à esquerda na foto, é o coordenador do Gabinete do Atleta • Foto: COP

A maioria dos atletas portugueses dos últimos três ciclos olímpicos possuía habilitações universitárias e está inserida no mercado laboral após a alta competição, indica um levantamento inédito da Comissão de Atletas Olímpicos (CAO).

"Na missão do Rio'2016, excluindo a seleção nacional de futebol, cerca de 70% dos atletas tinham estudos superiores ou frequentavam, à data, a universidade. Dos 91 desportistas, nove transitaram para o mercado de trabalho, estando oito deles a desenvolver atividades estáveis", adiantou à agência Lusa Ricardo Bendito, coordenador do Gabinete do Atleta.

A recolha da CAO dá o pontapé de saída para a necessidade de um estudo profundo sobre a transição de carreira dos praticantes de topo em Portugal, ideia acolhida pela Secretaria de Estado da Juventude e Desporto, com o intuito de adaptar a "oferta de serviços" em função dos obstáculos encontrados a seguir ao estrelato.

Reforçando que "nem tudo é um mar de rosas", apesar de "ter sinalizado poucos casos de atletas aflitos", Ricardo Bendito alerta para as consequências do "hiato entre a conclusão da licenciatura e o início da carreira laboral", cujo agravamento faz com que "os atletas percam a ligação com a área de estudo e procurem uma solução dentro do desporto".

"Pelo nosso conhecimento, desde Londres2012 retiraram-se 23 dos 76 praticantes, dos quais 21 estão empregados. Já desde Pequim2008 retiraram-se 29 dos 77 desportistas e 24 trabalham, a maioria na sua área de estudo ou como treinadores", ilustrou.

Estrutura do Comité Olímpico de Portugal (COP), a CAO procura seguir a evolução académica e profissional de cada desportista de elite, desde logo na "identificação vocacional", com vista a um "plano de desenvolvimento a curto, médio e longo prazo".

"Um atleta que tirou marketing e nada fez durante 10 anos está desligado de tudo quando acaba a carreira desportiva. Pretendemos que nessa fase possa ter um contacto regular com o mercado de trabalho, amenizando essa transição ao fazer estágios, conhecer empresas e pessoas ou participar em conferências", descreveu Ricardo Bendito.

Composta por antigos e atuais participantes lusos nos Jogos Olímpicos, a CAO dinamiza o programa 'Athlete 365 Career+', lançado pelo Comité Olímpico Internacional (COI), em articulação com uma empresa multinacional de recursos humanos, para auxiliar os desportistas a conciliar os treinos e competições com a faceta profissional.

"Tem um grande enfoque na capacitação dos atletas para o pós-carreira, com formações divididas em três grandes pilares: educação, emprego e habilitações para a vida. As sessões que organizamos costumam ser dinamizadas pela olímpica Susana Feitor, única formadora internacional do COI em Portugal", explicou.

O suporte municiado pelo COP contempla ainda a distribuição anual de bolsas de estudo para os atletas integrados nos projetos olímpico e de esperanças olímpicas, sucedida pela assunção de parcerias de empregabilidade com os desportistas de topo.

A nível legislativo, a Carta do Atleta consagra quatro mecanismos de apoio à ponta final da carreira, a começar pela aplicação de subvenções temporárias de reintegração para antigos desportistas de alto rendimento com oito anos vividos no projeto olímpico.

Nessa etapa transitória, a elite desportiva pode também recorrer ao regime especial de acesso ao ensino superior por um período de três anos, tendo direito a candidatar-se aos concursos internos da função pública no prazo de dois anos.

Já o vínculo laboral sem termo concretizado enquanto desportista é considerado, para efeitos de contribuições para o sistema previdencial de segurança social, como contrato de trabalho celebrado com jovem à procura de primeiro emprego.

Por Lusa

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