João Almeida e a participação em Tóquio'2020: «Já percebi que o percurso é muito duro»

Ciclista português perspetivou a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos

• Foto: EPA

João Almeida, Nelson Oliveira, Raquel Queirós e Maria Martins são os quatro ciclistas portugueses, escolhidos pelos selecionadores de ciclismo de estrada, pista e BTT, que vão representar o país na modalidade nos Jogos Olímpicos Tóquio'2020, que decorrem de 23 de julho a 8 de agosto, anunciou esta terça-feira a Federação Portuguesa de Ciclismo. 

João Almeida e Nelson Oliveira são os primeiros a competir, na prova de fundo marcada para 24 de julho, quatro dias antes do contrarrelógio individual. O selecionador nacional José Poeira olha com ambição para as duas corridas. 

"Vamos trabalhar para conseguir estar na discussão do contrarrelógio e da prova de fundo. Os percursos adequam-se aos nossos corredores, mas falta saber que adversários teremos e em que condições se apresentarão. Ambicionamos, pelo menos, o Diploma Olímpico, sabendo que no contrarrelógio esse é um objetivo realista para o Nelson e para o João, dado que o percurso é muito exigente, favorecendo os portugueses em relação aos contrarrelogistas com caraterísticas de roladores", explica, em declarações à Federação Portuguesa de Ciclismo.

Também os dois ciclistas já projetaram as Olímpiadas. "Se os Jogos fossem no ano passado não tinha a expectativa de estar presente, mas foram adiados. Com os resultados que tenho apresentado, comecei a pensar que poderia ter uma possibilidade. Como só temos duas vagas, sabia que as possibilidades de ser ou não convocado eram de 50/50. Felizmente fui escolhido e acho que vai ser uma grande experiência! Estou muito entusiasmado para meter os dorsais na camisola de Portugal nesta competição", começou por dizer João Almeida, que conta já ter estudado o percurso.

"Estive a analisar o percurso. Já percebi que é muito duro, adaptando-se às caraterísticas dos ciclistas portugueses. Somos só dois, o que nos coloca em desvantagem relativamente a outras seleções, mas estou confiante de que vamos estar na luta por bons resultados", afirma o ciclista da Deceuninck-QuickStep.

Já Nelson Oliveira vai fazer história, ao tornar-se no primeiro ciclista português a competir em três edições dos Jogos Olímpicos.

"A ambição passa por melhorar o resultado do Rio. Sonhos, temo-los. O percurso é bom, porque é longo e muito duro, praticamente sem um metro plano. Mas o clima, devido à humidade e à temperatura, será o fator-chave. Estou a fazer preparação na câmara térmica do ADAI [Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial, instituição ligada à Universidade de Coimbra] para dar sinais ao corpo das condições que vamos encontrar no Japão", conta o corredor da Movistar, que vai apostar no coletivo na prova de fundo. 

"Darei o meu melhor num percurso muito exigente e estou totalmente à disposição para ajudar o João Almeida, que tem demonstrado ser um grande ciclista, está sempre com os melhores na montanha. É sempre um orgulho representar Portugal, especialmente nos Jogos Olímpicos. Mas também é uma grande responsabilidade, porque estamos naquele que é, provavelmente, o maior evento mundial, não apenas da área do desporto", enaltece Nelson Oliveira.

Já Raquel Queirós prepara-se para se estrear em Jogos Olímpicos, com prova marcada para 27 de julho.

"A Raquel é uma corredora ainda muito jovem. Estamos focados em fazer uma boa preparação para termos uma participação digna. Será um momento histórico, por ser a estreia, mas será também uma parte da caminhada rumo aos Jogos de 2024. Queremos que seja também um estímulo para toda a comunidade do XCO português, exatamente a pensar em Paris'2024", explica Pedro Vigário, selecionador nacional de BTT. 

A jovem de 21 anos mostra-se feliz pela presença em Tóquio'2020, o que diz ser um prémio depois de tudo o que já alcançou na carreira.

"Estou muito feliz por chegar tão jovem a esta competição com que sempre sonhei. Mas, mais do que o final de um processo, acredito que pode ser o começo de algo muito bonito. Vou a Tóquio para continuar a minha aprendizagem, porque sou uma sub-23 que vai correr contra a elite. Vou dar o meu máximo e o resultado logo se vê", refere Raquel Queirós.

A participação portuguesa será encerrada por Maria Martins, que disputa as quatro provas do concurso de omnium a 8 de agosto. 

"Vai ser a competição com maior qualidade em que alguma vez participamos, pois vão estar em pista as 21 melhores do mundo. Estamos a fazer uma preparação detalhada, sabendo que o processo de trabalho é o essencial para podermos ter a expectativa de uma boa participação. Olhando à qualidade das adversárias, considero que uma classificação nos primeiros dois terços da tabela é um bom resultado", considera o selecionador nacional de pista Gabriel Mendes.

Já a atleta fala em sonho concretizado antes do previsto, com o apuramento para os Jogos Olímpicos logo à primeira tentativa.

"O apuramento foi a concretização de um sonho que não esperava realizar tão cedo. Estou muito motivada para representar Portugal e para dar o meu melhor perante adversárias que conheço dos Mundiais e das Taças do Mundo. Importa, primeiro, fazer uma boa preparação para, durante os Jogos, encarar cada uma das quatro provas pontuáveis de cada vez. Conquistar um Diploma Olímpico seria concretizar mais um sonho, mas se calhar já seria pedir muito a realização de dois sonhos tão difíceis de uma vez", destaca Maria Martins.

Por Record
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