Zoi Lima: «Estar nos Jogos é uma vitória»
Ficou muito contente quando se qualificou no Test Event em janeiro...
A ginasta nem queria acreditar. Ficou muito contente quando se qualificou no Test Event em janeiro, depois de cair nos dois primeiros aparelhos.
RECORD – Qual o momento mais alto da sua carreira como ginasta?
ZOI LIMA – Foi o apuramento para os Jogos Olímpicos de Londres’2012, no Test Event de janeiro. Foi difícil. Mal comecei, caí no primeiro aparelho e... no segundo. Mas depois correu muito bem. No final, nem percebia bem o que se estava a passar, mas todos vieram felicitar-me. Nem queria acreditar. Fiquei muito contente.
R–Como foi o seu trajeto de vida até à alta competição?
ZL – Nasci em Toronto, no Canadá, porque os meus tios viviam lá e os meus pais emigraram para terem melhores condições de vida. Estiveram no estrangeiro durante 13 anos e eu acabei por ser a filha mais nova de cinco irmãos, umadas quais gémea, mas que não gostou da ginástica. Quando eu tinha 3 anos, os meus pais regressaram a Portugal. Um pouco mais tarde, fui recrutada para a ginástica na escola, pelo meu clube. Os professores disseram que eu tinha talento.
R– Quais são as qualidades necessárias para se ser uma boa ginasta?
ZL–É preciso trabalhar muito. É necessário muita paciência e também boa disposição. Paciência, porque, senão, desistimos à mínima contrariedade. E boa disposição, porque quem vem para a ginástica tem de gostar, sem fazer fretes.
R – Em que aparelhos se sente mais ou menos confortável?
ZL – Onde mais gosto de atuar é no solo e nos saltos. São os aparelhos onde me sinto mais concentrada. Quanto às paralelas e trave sou um pouco mais fraquinha.
R – Existe medo quando se entra em competição?
ZL – Já tive momentos complicados. Já caí numa Taça do Mundo. Não me magoei, mas é sempre mau quando se cai sob observação numa prova, ao contrário dos treinos. Mas também já me magoei, pelo que tenho sempre medo, desde os 10 anos. É na trave onde tenho mais. Mas também não é nada que não se supere. Depois da primeira vez que ensaiamos os exercícios, torna-se mais fácil.
R – Que expectativas para os Jogos Olímpicos?
ZL – Estar presente nuns Jogos Olímpicos aos 20 anos já é uma grande vitória. Quanto a chegar a uma medalha e subir ao pódio será muito difícil ou mesmo impossível. Por isso, vou competir descontraída e tentar atingir o melhor resultado possível. Não seria mau se ficasse na primeira metade da tabela.
R–Caso alcance os seus objetivos, a quem vai dedicar esses feitos?
ZL – Dedicaria à minha treinadora e à minha família, porque são as pessoas que me apoiam mais. A minha treinadora sempre esteve muito ligada à minha carreira, enquanto os meus pais sentem muito orgulho por eu ser ginasta, mas nunca me pressionaram ou obrigaram a nada. Tiveram sempre uma atitude muito correta.
R – Para além da carreira desportiva, o que pretende fazer na vida?
ZL–Espero ser ginasta durante mais alguns anos, mas também ando a estudar no 11.º ano, na área de Ciências e Tecnologias. Ainda não sei bem qual será a minha profissão no futuro. Gostaria de continuar sempre ligada à ginástica, ajudando nos treinos. Até poderei tornar-me numa treinadora, apoiando com aminha experiência. Ou estar ligada à medicina, seguindo farmácia, por exemplo. Mas não sei se o conseguirei.
QUEM É
Nome: ZOI Mafalda Marques de LIMA
Nascimento: Toronto, Canadá, 7/10/1991, 20 anos
Altura e peso: 1,63 m e 57 kg
Disciplina: Ginástica artística
Clube: Sport Clube do Porto
Treinadora: Cristina Gomes
Coreógrafa: Sandra Ávila
Resultados nas grandes provas: Mundiais – 99.ª Tóquio’11; 62.ª Londres’09; 97.ª Estugarda’07; Europeus – 36.ª Milão’09; 33.ª Clermont-Ferrand’08; 45.ª Amesterdão’07