Arnaldo Abrantes: «A nossa estafeta pode chegar à final»

Arnaldo Abrantes:«A nossa estafeta pode chegar à final»
• Foto: EPA

Estreou-se nos Jogos de Pequim, 20 anos depois do pai. Agora, pensa melhorar nos 200m mas é nos 4x100m a grande aposta, já que a equipa, 6.ª no Europeu, “pode progredir bastante”

RECORD – Como recorda os seus primeiros Jogos, em Pequim’2008?

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ARNALDO ABRANTES – Foi um ambiente fenomenal, completamente diferente de qualquer outra competição. Falara com o meu pai, que estivera nos Jogos de Seoul’1988, e com vários atletas que já lá haviam estado também e todos me diziam que era tudo muito giro. Mas só lá estando se sente verdadeiramente o que são uns Jogos. Só no aspeto competitivo não gostei. Vinha de uma lesão, estivera um mês sem treinar, corri mal…

R – O seu recorde pessoal aos 200 metros (20,51), que é “recorde nacional” sem o Obikwelu, já foi obtido no Mundial de 2007. Quando será batido?

AA – Já o deveria ter sido. Recordo que em 2009 fiz 20,51 com um tempo de reação fraco. A marca de Osaca foi excelente e foi obtida em muito boas condições. Sinto-me agora bastante mais forte que então e espero conseguir melhorar – e substancialmente – quando encontrar condições semelhantes.

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R – Surpreendeu ao estrear-se em 400 m em pista coberta, este inverno, com 48,19 e há quem defenda que deveria subir na distância…

AA – Fui à prova devido à lesão do Jorge Paula e a pedido do Benfica, mas não penso, para já, dedicar-me aos 400 m. Ainda tenho que melhorar nos 200 m. Não me chegará ser líder do ranking de 400 m. Penso que posso chegar ao recorde nacional mas, para isso, terei de treinar especificamente para a distância.

R – Ainda não se dedica a 100 por cento ao atletismo...

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AA–Não, acabei o curso de medicina e estou agora no internato, um ano para adquirir experiência prática. E penso dedicar-me no futuro à medicina desportiva, retribuindo o que o desporto já me deu e aproveitando a experiência que tenho. Agora, e até aos Jogos, terei alguns períodos em que apenas me dedicarei às provas e treinos e outros em que conciliarei as duas atividades. Não consigo estar muito tempo sem a medicina…

R – Como decorreram as primeiras provas da época?

AA– O “pico” de forma está apontado apenas para mais tarde e em maio senti-me ainda algo pesado. Mas no fim-de-semana passado, na Suíça, já fiz 20,88 e fiquei com a sensação de que poderia fazer melhor. A forma está a chegar…

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R – No sábado e domingo, será o Nacional de Clubes…

AA – É uma competição em que teremos de pensar mais na equipa do que em nós próprios, em que haverá mais uma vez uma grande rivalidade entre Sporting e Benfica,mas é uma competição divertida. Espero ajudar o Benfica a revalidar o título, penso que a equipa já estará mais forte que naTaça dos Campeões,mas nada poderá falhar, já que o Sporting é um adversário poderoso.

R–Em que provas alinhará no Nacional da 1.ª Divisão?

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AA– Isso ainda está, como deve calcular, no segredo dos deuses... Saberse-á apenas no próprio dia da competição...

R– Quais as perspetivas para o Europeu de Helsínquia, no final deste mês?

AA – Nos 200 m, tenho a pretensão– que é extensiva a mais 30 ou 40 atletas… – de chegar à final. Nos 4x100 metros, penso que poderemos melhorar o 6.º lugar de Barcelona’2010, já que o Yazaldes Nascimento está em ascensão, o Obikwelu está a treinar-se bem e muito motivado para a estafeta e temos depois pelo menos mais três atletas capazes de entrar na equipa: o jovem Carlos Nascimento, o Ricardo Monteiro e o Dany Gonçalves, que está a regressar.

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R– E para os Jogos de Londres?

AA – Fazer esquecer a má prova de Pequim e tentar melhorar o tempo de 2007, nos 200 m; e se, na estafeta, como penso, conseguirmos chegar aos 38,50, quem sabe se não chegaremos à final? Há sempre equipas que falham na passagem do testemunho...

R– Estes serão os seus segundos Jogos. Em quantos mais tenciona competir?

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AA –Gostava de estar nos de 2016. Nos de 2020, aos 33 anos, talvez já seja esticar demasiado a corda...

QUEM É

Nome: ARNALDO Luís Isaías ABRANTES

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Nascimento: Lisboa, 27/11/1986, 25 anos

Clubes: NDJ Laranjeiro (1998 a 2003), Benfica (2004 e 2005), Sporting (2006 a 2010), individual (2011) e Benfica (2012)

Treinadora: Anabela Leite (desde 2006)

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Recordes pessoais: 100 m – 10,19 (2009); 200 m – 20,48 (2007); 60 m (pc) – 6,65 (2011); 200 m (pc) – 21,02 (2009)

Recordes nacionais: 4x100 m (absoluto); 200 m p. cob. (absolutos e Sub-23); 200 m e 4x100 m (Sub-23); 110 bar. (juv.)

Títulos nacionais: 100 m (2007), 200 m (2004), 60 m p. cob. (2007, 2009 e 2011) e 200 m p.cob. (2012)

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Internacionalizações: Jogos Olímpicos de Pequim’2008; Camp. Mundo de Osaca’2007, Berlim’2009 e Daegu’2011; Camp. Europa de Barcelona’2010 (6.º nos 4x100 m); Camp. Europa (p. cob.) de Turim’2009; Camp. Ibero-Americano de San Fernando’2010; Taças da Europa de 2006 a 2011; Universíadas de 2007 (6.º nos 200 m); Camp. Europa de Sub-23 de 2007 ; Camp. Mundo de Juniores de 2004; Camp. Europa de Juniores de 2005; Festival Olímpico da Juventude Europeia de 2003 (2.º nos 110 b e 4.º nos 200 m)

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