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Deixou o Fundão há 12 anos para morar no CAR do Jamor e ser atleta de alta competição.Futuro passa por ser treinador
RECORD– Será a sua segunda presença em Jogos Olímpicos.O que mudou em quatro anos? A qualificação foi mais fácil ou difícil?
BRUNO PAIS – Bem, em quatro anos o triatlo deu um salto enorme em termos competitivos, existindo agora uma grande homogeneidade, o que fez com que esta qualificação se tornasse mais renhida, suada. De salientar que a Europa é o continente com atletas mais fortes e onde as provas são mais competitivas.
R–Em Pequim conseguiu o 17.º lugar. Agora para Londres, qual é a fasquia?
BP – Vou tentar superar o lugar de 2008 e se o conseguir, para mim, será já um grande feito.Nos dois meses que faltam para a prova, vou trabalhar arduamente para atingir esse objetivo.
R– Portugal manteve até a duas provas do fim do apuramento olímpicos três atletas qualificados. O Bruno, João Silva e o João Pereira. Mas feitas as contas só vão dois. O que acabou por correr mal na parte final?
BP – A prova de Huatulco, no México, onde o João Pereira partiu o desviador, acabando por condicionar a sua qualificação. Para o ranking olímpico contavam oito resultados e no caso do João, só ficou com sete. A disputa pelo oitavo lugar por países definiu- se na última prova em Madrid, levando o Canadá a melhor na luta direta com Portugal.
R–Em Pequim, o Bruno teve a companhia da Vanessa Fernandes e do Duarte Marques. Os dois não vão estar em Londres. A Vanessa pelas razões que se conhecem; o Duarte porque não conseguiu o apuramento. O que lhes pode dizer agora?
BP– Pergunta difícil... Relativamente ao Duarte e porque convivi com ele até à fase final de qualificação digo-lhe para não desistir do seu potencial e para continuar a trabalhar diariamente como até aqui. À Vanessa, que acredite nela, que se orgulhe do seu passado e que queira voltar a ser a melhor triatleta do Mundo. Eu acredito!
R– Não vai a Vanessa nem o Duarte, mas vai o João Silva, um triatleta mais novo. Digamos que vai ser um pouco o cicerone, pois já tem a experiência de Pequim. Afinal, o que pode um atleta, que já foi a uns Jogos, dizer a outro que vai pela primeira vez?
BP–O facto de ter estado em Pequim fez com que tenha percebido que os Jogos Olímpicos é uma prova diferente de qualquer outra, que em duas horas temos de estar super e onde tudo pode acontecer.Como curiosidade nenhum favorito à partida tem ganho.
R – Há quantos anos deixou o Fundão para morar no Centro de Alto Redimento (CAR) do Jamor?
BP – Fui para o Jamor em Setembro de 2000, a convite da Federação de Triatlo e estive até 2007, ano em que fui morar com a minha namorada. Neste momento continuo a ser atleta do CAR, mas em regime externo.
R–Que papel tem tido a família, pais, esposa e agora também uma filha, na sua carreira desportiva?
BP – Têm sido fundamentais no meu apoio, pois ser atleta de alta competição muitos anos não é fácil e daí ser necessário ter uma estrutura familiar sólida.Com o nascimento da minha filha tem sido mais difícil estar longe de casa e neste momento é ela que sente mais a minha ausência.
R–Para além de atleta, faz parte também da equipa técnica da Federação. Como está a decorrer essa experiência? O futuro passa por continuar no triatlo como treinador?
BP – Esta oportunidade surgiu há dois anos no decorrer de um novo projeto da Federação, onde a minha experiência seria uma mais valia. Ao ser ainda um atleta no ativo, não consigo ainda desempenhar o meu papel de técnico na totalidade. Quanto ao futuro, espero enveredar por uma carreira de treinador.
R– Se fosse hoje, tomaria as mesmas decisões, ou seja, deixava o Fundão há 12 anos para ir para Lisboa e apostar numa carreira desportiva, neste caso no triatlo?
BP – Claro que sim. Não me arrependo nem um pouco das opções que fui tomando. Gosto muito do que faço e não imagino a minha vida sem ser ligada ao desporto.
QUEM É
Nome: BRUNO Miguel Forte PAIS
Nascimento: Fundão, 10/6/1981, 31 anos
Altura: 1,79 m; Peso: 64 kg
Clube: Benfica
Ranking apuramento olímpico: 32.º
Treinadores: Manuel Alves e Bruno Salvador
Momentos altos na carreira: Campeão da Europa Sub-23 em 2004; 3.º nas Taças do Mundo de Corner Book’2005, Aqaba’2006 e Huatulco’2011; Haxacampeão Nacional de 2004 a 2009; 17.º em Pequim’2008; Campeão Nacional de triatlo longo em 2009; Campeão Nacional de duatlo em 2009
Resultados mais recentes: 15.º WCS de Hamburgo em 2011; 30.º WCS de Londres (teste event) em 2011; 32.º WCS de Sydney em 2012; 35.º WCS de San Diego em 2012