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Conquistar uma medalha é tarefa muito difícil mas não impossível.Em homenagem ao avô que era do Porto,a velejadora vai competir em Londres por Portugal,depois de em Atenas’2004 o ter feito pelo Brasil.
RECORD – É a segunda portuguesa [a primeira foi Catarina Fagundes em Atlanta’1996] aqualificar-se para uns Jogos Olímpicos na mesma classe. Como se sente com o feito?
CAROLINA MENDELBLATT –Sinto-me muito honrada por ter conquistado a vaga para Portugal, e por ser a representante do país a competir nos Jogos de Londres’2012. Chegar a um evento destes é muito complicado, pelo que estou muito feliz.Tenho a certeza que deve ter sido também bastante difícil mas gratificante para a primeira portuguesa competir no windsurf feminino em Jogos Olímpicos. Sinto uma enorme alegria por ter trazido a classe de volta.
R–Como foi a qualificação? Manteve a esperança de chegar aos Jogos?
CM– Tinha de qualificar o país para obter uma vaga na minha disciplina. A qualificação foi feita em dois Mundiais, que decorreram em Perth, na Austrália, em dezembro, e o segundo em Cádiz, Espanha, em março. Foi neste último que consegui o apuramento, ao terminar no 52.º lugar.
R – Qual é o objetivo em Londres? Para uma atleta já é suficiente marcar presença nuns Jogos Olímpicos, ou pensa sempre num resultado?
CM – Acredito que para se ter uma oportunidade de conquistar alguma coisa, como o apuramento para os Jogos Olímpicos, é preciso ter esperança, muita esperança. É um sonho para muitos, que requer, todavia, muito trabalho, perseverança, fé e como já disse esperança. São poucas as vagas disponíveis para muitos países e atletas.O facto de ter conquistado uma vaga já é uma conquista muito grande. Após a qualificação, o próximo passo é conquistar a medalha. Para uns é uma realidade muito perto e para outros muito longe. Tudo vai depender da preparação e do nível em que se encontra o atleta no dia da prova. O meu objetivo é dar o meu melhor e absorver toda a experiência possível.
R – A Carolina já esteve em Atenas’ 2004, mas representando o Brasil. Aque se deveu a mudança?
CM– Desde Atenas que tinha a ideia de representar Portugal e desde 2008 que tentava chegar aos JogosOlímpicos. Sou filha de uma portuguesa e esta é uma forma de homenagear o meu avô, que era do Porto, e que viajou para o Brasil de navio durante alguns meses sozinho e quando era ainda um menino, enfrentando muitas adversidades na vida.
R– Há boas condições no Brasil?
CM– Eu nasci e cresci no Brasil. No Rio de Janeiro, onde mora a minha família, as condições de treino são muito boas. Já em Inglaterra, onde estudei e trabalhei, na cidade de Londres, velejar era limitado.
R – Como disse, a sua vida passou também por Inglaterra, onde se vão disputar os Jogos Olímpicos...
CM – Foi lá que me formei, em televisão, na Universidade de Ravensbourne. Depois trabalhei em duas estações de televisão inglesas e ainda estive uns meses na MTV.
R–Em 2016, os Jogos Olímpicos serão no Rio de Janeiro. A quatro anos de distância, como é que estão os preparativos? Gostava também de estar presente?
CM – Infelizmente, tenho estado pouco tempo no Brasil, mas dizem-me que a preparação está a correr bem e que vão ser uns dos Jogos Olímpicos muito bonitos. Serão os primeiros na América Latina, algo muito especial. Gostaria muito de participar nos Jogos na cidade onde nasci e cresci. O meu marido já tem planos de querer competir comigo, mas para mim a prioridade depois de Londres é fazer crescer a nossa família.
QUEM É
Nome: CAROLINA Souza Borges MENDELBLATT
Nascimento: Rio de Janeiro, Brasil, 26/5/1979, 33 anos
Altura e peso: 1,75 m e 60 kg
Classe: RS:X (windsurf)
Clube: Clube de Vela de Portugal
Resultados mais importantes: 25.ª nos Jogos Olímpicos de Atenas’2004 (classe mistral); 44.ª no Mundial’2006 em RS:X; 17.ª no Rolex Miami OCR’2010 em RS:X; 6.ª Rolex Miami OCR’2012 em RS:X; 15.ª no Delta Lloyd Regatta Medemblik’2012; 52.ª no Mundial’2012 em RX:S