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Depois de ser duas vezes finalista nos 10000m em Mundiais, surpreendeu na maratona. Em Londres será uma das três portuguesas com hipóteses de boas classificações
RECORD – Em 2008 não ficou muito longe do mínimo olímpico aos 10.000 metros. Ainda pensou obtê-los?
DULCE FÉLIX – Sim, ainda pensei nessa hipótese, embora reconhecendo que seria difícil. Nessa altura trabalhava, tinha pouco tempo para treinar. Só no ano seguinte apostei a cem por cento no atletismo.
R – Os resultados que vinha obtendo nos 10.000 m eram muito satisfatórios – foi finalista nos Mundiais de 2009 (13.ª) e 2011 (8.ª). O que a levou a experimentar a maratona?
DF– Sempre gostei de distâncias mais longas, que sentia terem mais a ver comigo. E como as experiências que fiz foram positivas... Além disso, os 10.000 m, com as africanas, tornam-se complicados.
R – Mas a primeira experiência na maratona não foi muito feliz: desistiu em Nova Iorque...
DF – Partira um pé num corta-mato, em março, e no Europeu de Barcelona, em agosto, voltei a calçar bicos e ressenti-me. A preparação não foi suficiente. E só fui porque já tinha tudo acertado.
R – Depois, em Viena, em abril do ano passado, fez uma excelente classificação (4.ª) e um tempo surpreendente (2:26.30)...
DF – Mas a prova não correu nada bem. Fui com o Ricardo Ribas e aos 15 km já estava em dificuldade, a sofrer, tive que lhe pedir para abrandar. Aí assustei-me mesmo, com tantos quilómetros ainda pela frente. Não foi fácil, mas acabou por correr bem. Só a minha treinadora, Sameiro Araújo, acreditava que eu pudesse fazer logo um tempo desses.
R – Em novembro foi surpreendente 4.ª em Nova Iorque e com um tempo ainda melhor (2:25.40).
DF –Não acreditava que fosse possível, pois o percurso de Nova Iorque é bastante mais difícil. Mas como em Viena sofrera desde bem cedo, tinha alguma margem se fizesse uma corrida equilibrada, sem entrar em ritmos loucos. Acabou por resultar.
R–E, agora, como será em Londres?
DF– Serão os meus primeiros Jogos, não quero criar muita pressão, tanto mais que sou, das três portuguesas, a que tem pior tempo. Por isso, se ficar entre as primeiras 10 já será excelente. Não penso em medalhas nem em nada disso. Até porque a maratona é uma prova muito especial, na qual temos que estar bem na hora certa e no lugar certo.
R – Como será a preparação até aos Jogos?
DF –A minha treinadora é que sabe, mas é natural que faça um pouco mais de quilometragem que antes das outras maratonas. Farei estágio sem Mira e no Algarve – ainda pensámos experimentar a altitude mas não quisemos arriscar este ano pois não sei como reagirei. Em termos de competições, farei algumas meias-maratonas, algumas corridas de 10.000me penso estar no Europeu de Helsínquia, um mês antes dos Jogos. Juntarei o útil ao agradável, pois será mais uma prova de preparação para os Jogos.
QUEM É
Nome: Ana DULCE FÉLIX
Nascimento: Guimarães, 23/10/1982, 29 anos
Clube: Maratona (desde 2011)
Treinadora: Sameiro Araújo (desde 2008)
Palmarés: Vice-campeã europeia de corta-mato (2011), 3.ª em 2010; 15.ª no Mundial de corta-mato de 2009; 13.ª no Mundial de meia-maratona de 2008; Finalista nos 10.000 m dos Mundiais de 2009 (13.ª) e 2011 (8.ª) e no Europeu de 2010 (9.ª); 2.ª na Maratona de Viena’2011 (2:26.20) e 4.ª na Maratona de Nova Iorque’2011 (2:25.40).
Recordes pessoais: 1.500 m – 4.14,96pc (2010); 3.000 m – 8.56,84pc (2010); 5.000 m – 15.08,02 (2009); 10.000 m – 31.33,42 (2011); meia-maratona – 1:08.33 (2011) – rec. nac.; maratona – 2:25.40 (2011).