Filho de um atleta olímpico, o velocista do Sporting sonhava desde juvenil com a presença na maior competição desportiva do planeta.
RECORD – O seu pai, Pedro de Almeida, foi atleta olímpico (salto em comprimento) em Roma’1960. Certamente que ele lhe falou nos Jogos...
JOÃO ALMEIDA – Não me lembro de todos os pormenores, mas recordo-me de ele me falar do espírito olímpico, da importância da prova, que era um sonho para todos, e que havia ficado muito feliz por ter participado.
R – E nessa altura pensava que um dia chegaria a sua vez?
JA – Sim. Ainda eu era juvenil e já gozavam comigo por dizer que um dia seria olímpico...
R – O seu pai foi recordista nacional de 110 m barreiras e de salto em comprimento. O filho só lhe seguiu as pisadas numa das disciplinas...
JA – Era a prova em que eu era menos mau, já que, enquanto jovem, não ganhava quase nada. Foi quase por acaso.
R – Há quatro anos, numa entrevista, afirmou que chegou a pensar nos Jogos de Pequim.
JA – Sim, estava convicto de que faria os mínimos. Não aconteceu. Todos nós nos iludimos e depois nos desiludimos.
R – E também afirmou que iria bater o recorde nacional no ano seguinte. Demorou mais três anos…
JA – É verdade. É certo que o nível competitivo em Portugal nem sempre é bom, às vezes é uma questão de oportunidade, se calhar não estava com maturidade suficiente a nível de treino.
R – Também tinha grandes aspirações ao Europeu de Sub-23, igualmente no ano seguinte...
JA – A Federação entendeu que eu não deveria ir, respeito, já passou. Se calhar poderia ter feito lá uma boa marca, não sei.
R – Esta época não começou bem, mas as últimas semanas foram muito positivas e de melhoria constante. O que se passou?
JA – É talvez uma questão de motivação. No início de época os resultados, de facto, pareciam maus, mas o meu empenho na corrida também não era a 100 por cento. Nem sempre temos aquela adrenalina necessária, muitas vezes sabemos que vamos ganhar sem ser preciso dar o máximo.
R – A meio da época mudou de treinador, passando a ser orientado por João Abrantes, que já treinava o Rasul Dabo. Porquê?
JA – Foi para quebrar uma rotina que se calhar já não estava a ser favorável nem para mim nem para a minha treinadora, Anabela Leite. Não houve nada de pessoal. Chicotada psicológica? Sim, em mim talvez, não na professora Anabela.
R – O que mudou?
JA – Estou agora num grupo maior, com vários atletas que vivem como eu no Centro de Alto Rendimento, com quem mantenho um convívio diário. Agora sou obrigado a estar mais empenhado no treino, porque sei que não posso facilitar, tenho sempre alguém para puxar por mim.
R – Como vão os estudos?
JA – Estou no terceiro e último ano do curso de Design de Equipamento. Neste momento, em ano olímpico, o curso está em “stand by” mas penso retomá-lo a seguir aos Jogos.
R – O Campeonato da Europa foi excelente...
JA – Fui para Helsínquia já com a ideia de que tanto eu como o Rasul iríamos bater o recorde nacional e, se possível, faríamos os dois os mínimos olímpicos. Fui para lá com esse pensamento positivo. Esperava pois uma boa prestação, mas não tão boa como foi. E no Campeonato de Portugal ainda acabou por ser melhor. Só tenho pena que o Rasul Dabo não vá também a Londres.
R – E agora, como será nos Jogos Olímpicos?
JA – Tive a sorte de ter participado no ano passado nas Universíadas e acredito, pelo que já conversei com atletas que estiveram nas duas competições, como o Nelson Évora, que Londres venha a ter um ambiente semelhante. Claro que a dimensão e o mediatismo são diferentes mas espero que seja uma experiência boa como a do Europeu. Não posso é iludir-me com grandes resultados e uma classificação muito boa, pois não sei o que irei encontrar lá.
JOÃO Carlos Marques ALMEIDA
Nascimento: Lisboa, 5/4/1988, 24 anos
Altura e peso: 1,85 m e 86kg
Clubes: JOMA (1999 a 2004) e Sporting (desde 2005)
Treinador: João Abrantes
Recordes pessoais: 110 bar. – 13,47, RN (2012); 60 bar. (p. cob.) – 7,84 (2012)
Títulos nacionais: 110 bar. – 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012; 60 bar. (p. cob.) – 2008, 2009 e 2012
Internacionalizações: 2.º no Festival Olímpico da Juventude Europeia (2005); 6.º na eliminatória no Mundial de Juvenis (2005); 4.º no Europeu de Juniores (2007); 5.º na eliminatória das Universíadas (2011); 4.º na meia-final do Europeu (2012)